O Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME) assinalou, na sexta-feira, 30 de outubro, o seu 10.º aniversário, numa cerimónia realizada no Quartel de São Lourenço, em Abrantes.
O programa ficou marcado pelo juramento de bandeira de 130 soldados-recrutas e por uma visita aos equipamentos da Unidade de Apoio Militar de Emergência (UAME), que permitem ao Exército responder a incêndios, cheias, tempestades e outras situações de catástrofe.
A demonstração, acompanhada pelo comandante das Forças Terrestres, tenente-general Luís Monsanto, permitiu conhecer postos de comando móveis, comunicações por satélite, drones, geradores, tendas de alojamento, sistemas de purificação de água, maquinaria de engenharia e ambulâncias todo-o-terreno.
Terminada a cerimónia militar, os convidados tiveram oportunidade de conhecer os equipamentos e capacidades operacionais da Unidade de Apoio Militar de Emergência.
Uma demonstração que permitiu perceber como o Exército pode atuar quando uma tempestade deixa localidades sem eletricidade, quando as comunicações falham, quando as cheias cortam acessos ou quando os incêndios obrigam a mobilizar centenas de operacionais.
A primeira paragem foi junto de um posto de comando móvel, preparado para funcionar como extensão do centro de operações do Exército e permitir a coordenação dos militares no terreno.
O posto de comando pode funcionar ligado à rede elétrica ou, quando esta deixa de estar disponível, através de um gerador.
Dispõe de sistemas informáticos, acesso às redes de dados do Exército, comunicações por satélite e ferramentas de georreferenciação, que permitem acompanhar a posição dos militares e dos equipamentos destacados para as operações.
Mas uma das maiores preocupações em situações de catástrofe é garantir as comunicações.
Foi precisamente essa uma das capacidades apresentadas durante a visita, com destaque para um sistema portátil capaz de criar uma rede móvel 4G privada, mesmo quando as redes convencionais deixam de funcionar.
A versão portátil tem um raio útil de cerca de dois quilómetros, enquanto a versão instalada em atrelado pode chegar aos dez quilómetros. Segundo os militares, a utilização combinada permite uma cobertura anunciada de até 12 quilómetros.

O sistema inclui 50 telemóveis autorizados a utilizar a rede privada, permitindo chamadas, troca de mensagens, transmissão de imagens e vídeo em direto.
Uma tecnologia que pode ser particularmente importante em operações de socorro, quando é necessário manter contacto entre equipas espalhadas por diferentes pontos do terreno.
O equipamento foi adquirido recentemente e encontra-se ainda em fase de testes.
Na exposição estiveram também drones de reconhecimento aéreo, utilizados para observar áreas afetadas e recolher informação que permita aos responsáveis pelas operações decidir quais os meios necessários.
Através das imagens captadas do ar, é possível avaliar zonas de difícil acesso, identificar obstáculos e acompanhar a evolução das situações de emergência.
Mas há outras necessidades que surgem imediatamente após uma catástrofe. Uma delas é a eletricidade.
O RAME apresentou um módulo de energia e iluminação equipado com um gerador de 60 kVA, capaz de disponibilizar cerca de 48 quilowatts de potência contínua.
Uma capacidade que, segundo os militares, pode ser utilizada para apoiar uma pequena aldeia ou um bairro afetado por um apagão.

O módulo inclui ainda equipamentos de iluminação que permitem trabalhar durante a noite e apoiar zonas sem energia elétrica.
Outra das capacidades apresentadas foi o alojamento de emergência.
O Exército dispõe de tendas preparadas para receber até 100 pessoas, com camas, divisórias e sistemas de climatização.
Uma solução destinada a acolher populações que tenham de abandonar as suas casas devido a incêndios, cheias ou outras situações de calamidade.
Para além do alojamento, a unidade dispõe de um atrelado com quatro cabines de duche, quatro instalações sanitárias e dois lavatórios.
Está também em processo de aquisição uma lavandaria contentorizada e um conjunto de artigos de higiene pessoal destinado a apoiar uma centena de pessoas.
E se as populações ficarem sem acesso a água potável, o Exército dispõe de equipamentos capazes de tratar água contaminada.
Um dos sistemas apresentados utiliza osmose inversa, com capacidade máxima anunciada de purificação de 3.200 a 3.500 litros por hora.

A água tratada pode ser armazenada num depósito com capacidade para dez mil litros e transportada para as zonas onde é necessária.
Outro dos equipamentos que despertou atenção foi uma motobomba de grande caudal, preparada para retirar água de zonas inundadas.
O sistema consegue bombear cerca de 90 metros cúbicos por hora, ou seja, 90 mil litros de água, e já foi utilizado em operações de resposta a inundações.
A exposição mostrou também os meios de engenharia militar, fundamentais para restabelecer acessos e remover obstáculos após tempestades e inundações.
São máquinas utilizadas para desobstruir estradas, limpar caminhos florestais e abrir aceiros durante os incêndios.
Segundo os dados apresentados, os destacamentos de engenharia do Exército participaram na desobstrução de cerca de mil quilómetros de itinerários afetados pelas intempéries.
Estas equipas já foram igualmente mobilizadas para operações internacionais, nomeadamente na resposta às grandes cheias que atingiram a região espanhola de Valência.
No apoio aos incêndios rurais, o Exército dispõe ainda de patrulhas de vigilância e deteção, equipadas com viaturas todo-o-terreno e sistemas de comunicações.
Estas patrulhas permitem identificar situações de risco e transmitir informação aos responsáveis pelas operações.
Quando os incêndios estão controlados, entram também em ação os pelotões de rescaldo e vigilância pós-incêndio.
São militares que percorrem as áreas ardidas, procurando identificar possíveis reacendimentos e permitindo libertar os bombeiros para as frentes de combate mais exigentes.

A demonstração incluiu ainda uma cozinha de campanha, que pode funcionar a gasóleo ou a gás e preparar refeições para militares, bombeiros e populações afetadas por situações de emergência.
E, no final do percurso, foram apresentadas ambulâncias todo-o-terreno, preparadas para prestar assistência e realizar evacuações médicas em zonas de difícil acesso.
Uma capacidade que, segundo os militares, já demonstrou a sua utilidade durante operações em áreas inundadas, onde outros veículos não conseguiam circular.
Uma demonstração dos meios que o Exército mantém disponíveis para apoiar a proteção civil e as populações, desde a primeira resposta a uma emergência até ao restabelecimento das condições de segurança.
Na sexta-feira, 30 de outubro, as comemorações do 10.º aniversário do Regimento de Apoio Militar de Emergência juntaram, em Abrantes, a memória de uma década de serviço e o compromisso de 130 novos militares.
Dez anos depois da sua criação, o RAME continua a desempenhar um papel na formação de soldados, na preparação de meios e na coordenação do apoio militar em situações de emergência.
Um trabalho que se desenvolve muitas vezes longe dos olhares do público, mas que ganha particular importância quando incêndios, tempestades ou cheias colocam em risco pessoas e bens.