A associação Apadrinha Uma Oliveira defende que a recuperação e manutenção dos olivais tradicionais pode desempenhar um papel importante na prevenção dos incêndios rurais, numa altura em que Portugal enfrenta mais uma época crítica de fogos florestais.
Em comunicado, a associação recorda que o incêndio de Vouzela, ocorrido este mês, consumiu mais de 13 mil hectares, sublinhando os impactos que os grandes incêndios têm na destruição de habitats naturais, fauna, flora e terrenos agrícolas, incluindo os olivais tradicionais.
Segundo a organização, o abandono dos olivais tem aumentado nos últimos anos devido ao envelhecimento da população e ao êxodo rural, transformando muitas destas áreas em potenciais focos de propagação de incêndios. Através do projeto de apadrinhamento de oliveiras, a associação procura inverter esta tendência, promovendo a limpeza e gestão dos terrenos que lhe são cedidos.
A iniciativa permite que qualquer pessoa apoie financeiramente a recuperação de oliveiras através de um donativo anual. Em contrapartida, os padrinhos e madrinhas podem atribuir um nome à árvore, acompanhar a sua evolução e receber todos os anos azeite virgem extra produzido a partir das oliveiras recuperadas.
Desde 2023, a associação afirma já ter recuperado cerca de 5.000 oliveiras, distribuídas por mais de 65 hectares de olival tradicional no concelho de Abrantes, assegurando ainda sete postos de trabalho a tempo inteiro.
Citada no comunicado, a coordenadora do projeto, Maura Piccoli, destaca que a recuperação dos olivais contribui para reduzir a carga combustível existente no território.
“De oliveira a oliveira, vamos reduzindo a quantidade de terrenos que podem arder sem controlo e criando uma barreira natural. Cada olival que recuperamos é menos combustível, um posto de trabalho digno assegurado e mais uma razão para continuar a cuidar desta terra que é nossa há centenas de anos”, refere.
A associação Apadrinha Uma Oliveira tem como missão recuperar olivais tradicionais, valorizar o património natural e criar emprego local. O projeto desenvolve-se no concelho de Abrantes e é financiado através do apadrinhamento de oliveiras por particulares, famílias e empresas.