O vereador do PS na Câmara de Tomar alertou hoje para o risco iminente de colapso do Aqueduto dos Pegões, defendendo a interdição imediata da circulação de pessoas, tendo classificado o estado do monumento como “alarmante” e “muito grave”.
Em declarações à agência Lusa, José Delgado, engenheiro técnico civil de formação, especialista e perito em reabilitação e segurança, afirmou hoje que existem sinais evidentes de instabilidade estrutural em várias zonas do aqueduto, defendendo a adoção urgente de medidas preventivas, nomeadamente a colocação de alertas, restrições de acesso e a realização de um diagnóstico técnico aprofundado.
“O que está em causa não é apenas a salvaguarda do património, mas também a segurança das pessoas”, sublinhou o vereador da Câmara de Tomar, no distrito de Santarém, referindo a existência de “fendilhação visível a olho nu, infiltrações de água e ausência de guardas de proteção em zonas elevadas”, com circulação frequente de visitantes.
O Aqueduto dos Pegões, um dos principais símbolos patrimoniais do concelho de Tomar, foi construído entre 1593 e 1614 para abastecer de água o Convento de Cristo, tem cerca de seis quilómetros de extensão e atinge uma altura máxima de cerca de 30 metros na zona dos Pegões Altos, estando classificado como Monumento Nacional desde 1910.
O alerta foi igualmente deixado por José Delgado na última reunião do executivo municipal, realizada a 29 de dezembro, onde o vereador socialista advertiu para a degradação progressiva da estrutura, sobretudo nos pilares e arcos mais elevados, salientando a presença de arbustos e árvores com cerca de 5 a 10 centímetros de diâmetro incorporados no coroamento e nas laterais do aqueduto.
Segundo o vereador, esta vegetação cria canais de infiltração que “lavavam as argamassas e os finos”, enfraquecendo toda a estrutura, situação agravada pela ausência de um plano de manutenção regular ao longo dos anos, com exceção de uma intervenção pontual realizada há vários anos, em quatro pilares.
Na mesma reunião, José Delgado recordou que, apesar de uma obra de reforço estrutural em alguns pilares, no valor aproximado de meio milhão de euros, grande parte do aqueduto ficou fora dessa intervenção, alertando que “qualquer pessoa, mesmo sem formação técnica, chega ao local e fica alarmada”.
Em resposta, o presidente da Câmara Municipal de Tomar, Tiago Carrão (PSD), afirmou que o executivo partilha a preocupação manifestada pelo vereador do PS, revelando que já transmitiu informalmente a situação à ministra da Cultura e que o município pretende solicitar, durante o mês de janeiro, reuniões com vários ministérios e secretarias de Estado.
O autarca adiantou ainda que a preocupação com o estado do Aqueduto dos Pegões já foi levada ao Parlamento pelo deputado da Assembleia da República Ricardo Carlos, no âmbito da discussão do Orçamento do Estado para 2026, sublinhando que a prioridade é “passar da preocupação à ação” para garantir a segurança e a preservação do monumento.
Em 2018, um levantamento técnico realizado por especialistas do Departamento de Engenharia Civil do Instituto Superior Técnico identificou necessidades de intervenção no aqueduto avaliadas, no global, em cerca de 10 milhões de euros, tendo então sido executada uma empreitada de reforço de quatro pilares considerados críticos.
Essa intervenção, promovida pelo município, representou um investimento de cerca de 425 mil euros, com comparticipação comunitária de 85%, mas não abrangeu a maioria da estrutura, que continua sem obras de conservação de fundo.
Para José Delgado, a prioridade deve ser a prevenção imediata, defendendo a interdição da circulação de pessoas no coroamento e sob os arcos do aqueduto, assim como a colocação de sinalização de risco, envolvendo a Proteção Civil.
“Enquanto não houver um diagnóstico técnico e uma obra pública lançada pela tutela, o mínimo que se pode fazer é impedir que as pessoas se exponham a um risco que pode ter consequências graves”, afirmou.
A Lusa pediu esclarecimentos ao instituto Património Cultural (PC), que tem a tutela do Aqueduto dos Pegões, informações que aguarda.
Lusa