O empreendedor Adriano Martins, natural de Sardoal, é cofundador da CondoConnect, uma empresa tecnológica que desenvolveu uma plataforma para simplificar a gestão de condomínios e facilitar a comunicação entre administradores, condóminos e prestadores de serviços.
Em entrevista à Antena Livre, Adriano Martins explicou que a empresa não administra condomínios. Disponibiliza, antes, uma ferramenta digital que concentra tarefas habitualmente distribuídas por folhas de cálculo, programas de faturação, correio eletrónico e aplicações de mensagens.
“Nós somos o antigo Excel do gestor de condomínios. Damos uma plataforma onde pode simplificar muitas tarefas”, resumiu.
A aplicação deverá ficar disponível nas lojas digitais na primeira semana de outubro. Depois da entrada no mercado português, a empresa pretende chegar ao Brasil até ao final do ano.
Experiência num condomínio deu origem à ideia
A CondoConnect foi fundada por Adriano Martins e Juliana Ribeiro, sua sócia, depois de esta ter enfrentado experiências menos positivas na gestão do condomínio onde reside.
Durante uma viagem, Juliana observou edifícios com centenas de apartamentos e questionou como seria possível administrar estruturas daquela dimensão, quando um pequeno condomínio já exige tempo e gera conflitos.
O desafio foi lançado a Adriano Martins, que já tinha experiência no desenvolvimento de outra plataforma, apresentada no Web Summit.
O primeiro protótipo da CondoConnect foi construído com recurso a ferramentas de inteligência artificial, para testar a viabilidade da ideia sem um investimento inicial elevado.
Depois de validado o conceito, os promotores contrataram uma empresa especializada em design e programação para construir uma solução com maiores garantias de segurança.
“Estamos a lidar com dados pessoais, contas bancárias e pagamentos. Queremos que o gestor se sinta confortável e saiba que não vai perder toda a informação se acontecer algum problema”, explicou.
Atas, quotas e ocorrências na mesma plataforma

A CondoConnect permite gerir vários edifícios, pagamentos, contratos, assembleias, atas, avisos e cobranças a partir de uma única área.
A plataforma disponibiliza modelos de documentos e ferramentas apoiadas por inteligência artificial. Uma ata, por exemplo, pode ser preparada através do preenchimento de parâmetros definidos pelo utilizador.
Os condóminos podem pagar as quotas através da aplicação e comunicar diretamente com a administração num espaço reservado, sem recorrer ao telefone ou a grupos de WhatsApp.
Existe ainda uma funcionalidade para comunicar problemas nas áreas comuns. O utilizador pode fotografar uma avaria, identificar o local e acompanhar o estado da resolução.
“Se a luz estiver fundida no segundo piso, tira-se uma fotografia e faz-se o registo. Depois, o condómino consegue acompanhar se a ocorrência já está em resolução”, exemplificou Adriano Martins.
Marketplace junta utilizadores e prestadores de serviços
Outra componente da CondoConnect é um marketplace destinado a aproximar os utilizadores de canalizadores, eletricistas, pedreiros e outros profissionais.
A ferramenta não ficará limitada aos gestores de condomínios, podendo ser utilizada por qualquer pessoa que necessite de contratar um serviço.
Adriano Martins descreve esta área como uma versão moderna das antigas páginas amarelas. Os profissionais poderão receber pedidos, apresentar orçamentos e divulgar os trabalhos realizados.
A posição de cada prestador nos resultados deverá ser determinada pelas avaliações dos clientes, e não pela compra de publicidade.
“Se for um bom prestador, terá cinco estrelas, fotografias e avaliações. Será isso que lhe dará uma posição de destaque”, explicou.
Aplicação chega em outubro e Brasil é o próximo mercado
Criada em março, a empresa está agora a preparar o lançamento comercial da plataforma. O site já se encontra operacional e a aplicação deverá poder ser descarregada na primeira semana de outubro.
Numa primeira fase, a CondoConnect estará concentrada no mercado português. O objetivo seguinte é entrar no Brasil até ao final do ano.
A ligação da cofundadora Juliana Ribeiro ao Brasil e os contactos existentes naquele país poderão facilitar a expansão, embora seja necessário adaptar o produto à legislação, à moeda e ao funcionamento do mercado brasileiro.
Adriano Martins
A dimensão das cidades e a elevada concentração de habitação em propriedade horizontal fazem do Brasil um mercado com grande potencial para o projeto.
Empresa mantém sede em Sardoal
Apesar da ambição de crescimento nacional e internacional, Adriano Martins decidiu instalar a sede da CondoConnect em Sardoal.
O empreendedor considera que a tecnologia permite criar empresas a partir do interior e defende que o concelho pode beneficiar do crescimento tecnológico que se verifica na região, nomeadamente em Abrantes.
“A sede da empresa ficou em Sardoal desde o início. Faz sentido que Sardoal aproveite este crescimento e tente acompanhá-lo”, afirmou.
Adriano Martins admite desenvolver futuramente outros projetos no concelho, procurando devolver à terra parte do percurso e das oportunidades que recebeu.
“Se houver a possibilidade de deixarmos alguma coisa nossa na terra onde nascemos e crescemos, acho que isso é muito valioso”, concluiu.