O Plano Nacional de Centros de Dados foi aprovado no Conselho de Ministros desta quinta-feira, 19 março. Este plano afirma, segundo o executivo, “a capacidade computacional como um ativo estratégico central para reforçar a soberania digital e impulsionar a competitividade económica de Portugal.”
De acordo com o governo, Portugal apresenta um conjunto sólido de condições estruturais, “nomeadamente ao nível da energia, da conectividade e da disponibilidade territorial”, que o posicionam favoravelmente para captar investimento e acelerar o desenvolvimento do setor.
Para contextualizar é explicado pelo governo que “embora o mercado ainda se encontre em fase de consolidação, com margem para crescimento face à média da União Europeia e à presença de grandes operadores internacionais, este contexto representa uma oportunidade clara para estruturar um ecossistema mais robusto, eficiente e competitivo, suportado por uma agenda de simplificação regulatória, coordenação institucional e reforço das infraestruturas críticas.”
É ainda explicado que a procura global por centros de dados está a crescer de forma acelerada, “impulsionada pela expansão da Inteligência Artificial, com taxas na ordem dos 20% ao ano. Em Portugal, o crescimento estimado é ainda mais expressivo, atingindo cerca de 41% ao ano, aproximadamente o dobro da média europeia.”
Nas contas o governo aponta um “impacto económico potencial é significativo. Por cada gigawatt adicional de capacidade instalada, estima-se um investimento inicial de cerca de 8 mil milhões de euros ao longo de cinco anos, gerando posteriormente cerca de 16 mil milhões de euros anuais em operação — o equivalente a 5% a 6% do PIB. A isto acrescem aproximadamente 3.300 empregos diretos e um impacto positivo de cerca de 8 mil milhões de euros na balança comercial.”
No fundo, o objetivo do plano é posicionar Portugal como “um hub europeu de centros de dados, assegurando simultaneamente a soberania digital, a atração de investimento estrangeiro e a sustentabilidade ambiental e energética.”
O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, apresentou desta forma a aprovação do plano, após a reunião do Conselho de Ministros.
Neste sentido, o plano define 15 iniciativas a implementar entre 2026 e 2027, organizadas em quatro eixos principais.
Regulação e governação: Prevê-se simplificar e coordenar os processos para investidores, reforçando o papel da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) como ponto único de contacto, revendo os processos de licenciamento, monitorizando continuamente os procedimentos e harmonizando critérios entre as entidades envolvidas, com reforço técnico para assegurar maior eficiência e segurança jurídica.
Energia e infraestrutura: O plano prevê a identificação e desenvolvimento de zonas pré-instaladas, a integração com a rede elétrica e fontes renováveis, a promoção da eficiência energética e o reforço da cadeia de valor nacional, garantindo que os centros de dados se desenvolvam de forma sustentável e alinhada com os recursos do país.
Procura e posicionamento: Entre 2026 e 2027, Portugal pretende centralizar a procura pública através de um plano nacional de cloud soberana, reforçar a atração de investimento internacional e criar um ponto único de informação para investidores.
Território e ecossistema: Este eixo contempla a integração de benefícios para as comunidades locais, o desenvolvimento de hubs tecnológicos e académicos, e a salvaguarda do uso futuro das infraestruturas, garantindo que a expansão dos centros de dados traga retorno económico e social às regiões envolvidas
Ainda de acordo com o Governo, com este plano, Portugal posiciona-se para captar uma nova vaga de investimento tecnológico, afirmando-se como um ator relevante na economia digital europeia.