A Unidade Local de Saúde do Médio Tejo está a reforçar os alertas para os riscos de acidentes durante a campanha da apanha da azeitona, uma atividade com forte tradição na região e que, todos os anos, provoca dezenas de ocorrências que obrigam a recorrer aos serviços de urgência. As quedas e as fraturas, sobretudo entre a população mais idosa, são as principais preocupações dos profissionais de saúde.
O presidente do Conselho de Administração da ULS Médio Tejo, Casimiro Ramos, recordou, em declarações à Antena Livre, que a região já viveu situações particularmente graves associadas a esta atividade agrícola.
«A situação mais complicada foi há cerca de 13 anos, em que num só fim de semana houve 13 casos de fratura do colo do fémur», revelou o responsável.
Casimiro Ramos adiantou que no ano passado se verificou uma redução do número de acidentes mais graves, manifestando a expectativa de que essa tendência se mantenha durante a atual campanha.
O presidente da ULS Médio Tejo acredita que as campanhas de sensibilização realizadas pela instituição podem estar a contribuir para uma maior consciência dos riscos.
«Sentimos que, em parte, a campanha de divulgação que fizemos o ano passado possa ter tido algum impacto e esperemos que este ano também», afirmou.
Um dos principais problemas identificados pela ULS Médio Tejo é o excesso de confiança de quem realiza há muitos anos os trabalhos agrícolas, muitas vezes sem adotar os cuidados de segurança necessários.
Casimiro Ramos alerta que um pequeno descuido pode provocar lesões com consequências permanentes, especialmente entre as pessoas mais velhas.
«Muitas vezes é confiança a mais, são muitos anos a fazer sempre e achamos que nunca nos acontece a nós. Um pequeno descuido pode ser de facto fatal para aquilo que é depois a continuidade da qualidade de vida da pessoa», sublinhou.
O responsável recorda que a recuperação de fraturas, nomeadamente do colo do fémur, pode ser particularmente difícil em idades mais avançadas, comprometendo a autonomia e a mobilidade.
Segundo Casimiro Ramos, a sinistralidade associada à apanha da azeitona não está concentrada num concelho específico, sendo um problema transversal a todo o Médio Tejo.
A existência de numerosos olivais e pequenas propriedades agrícolas faz com que o risco esteja presente em diferentes localidades da região.
A ULS Médio Tejo alerta que os acidentes podem ocorrer tanto na apanha manual como na mecanizada, mas também durante o transporte da azeitona, o processamento nos lagares e os trabalhos posteriores de poda das oliveiras.
Além das quedas, podem verificar-se ferimentos provocados por instrumentos cortantes e outros equipamentos utilizados nas atividades agrícolas.
As situações mais graves continuam, no entanto, a estar relacionadas com fraturas que exigem tratamento nos serviços de Ortopedia.
De acordo com os dados divulgados pela ULS Médio Tejo, as quedas constituem o tipo de acidente mais notificado nos hospitais portugueses, sendo que cerca de 5% resultam em fraturas e entre 5% e 11% provocam outros danos graves.
Casimiro Ramos, presidente CA ULS Médio Tejo

Na campanha de sensibilização, a instituição recomenda cuidados especiais às pessoas de idade mais avançada, aconselhando que evitem subir às árvores para alcançar os ramos mais altos.
A utilização de varejadores é apontada como uma alternativa mais segura.
«É preferível utilizar o varejador para ripar a oliveira em segurança, deixando os ramos mais altos por colher, do que colocar em risco a sua saúde ou mesmo a vida», refere o comunicado.
A ULS Médio Tejo recomenda ainda que os terrenos sejam mantidos limpos e livres de pedras, buracos ou ramos soltos que possam provocar tropeções e escorregadelas.
O uso de calçado antiderrapante, a verificação da estabilidade das escadas e a utilização de equipamentos de proteção são outras das medidas aconselhadas.
A instituição alerta também para os perigos de trabalhar sozinho em zonas isoladas, uma vez que a presença de outras pessoas pode ser determinante para garantir assistência rápida em caso de acidente.
Fazer pausas regulares, descansar e manter uma hidratação adequada são igualmente recomendações para prevenir a fadiga e reduzir o risco de erros durante os trabalhos agrícolas.
A ULS Médio Tejo tem uma equipa multidisciplinar que envolve profissionais de Saúde Pública, Ortopedia e Comunicação, dedicada à prevenção dos acidentes associados à campanha da azeitona.
Casimiro Ramos considera que o trabalho desenvolvido está a produzir resultados, embora reconheça que não é possível eliminar completamente o risco.
O responsável acrescenta que as condições meteorológicas também influenciam a ocorrência de acidentes, uma vez que a chuva e os terrenos húmidos aumentam a possibilidade de escorregadelas.
Ainda assim, insiste que muitos dos acidentes podem ser evitados com comportamentos mais prudentes.
«É provável que existam sempre acidentes, nunca conseguimos evitar todos esses acidentes, mas, sobretudo, aquelas situações que aligeiramos e achamos que não vai acontecer nada, essas podemos evitar», concluiu.
A ULS Médio Tejo reforça, por isso, o apelo à prevenção durante a campanha da azeitona, lembrando que a experiência acumulada nos trabalhos agrícolas não elimina os riscos e que uma queda pode ter consequências graves e duradouras para a saúde e qualidade de vida.