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Médio Tejo: Negócio Lufthansa / TAP dá nova vida ao aeródromo de Tancos (c/áudio)

14/10/2026 às 20:02

O aeródromo militar de Tancos, no concelho de Vila Nova da Barquinha, poderá ganhar uma nova dimensão com um investimento de 500 milhões de euros da Lufthansa para a instalação de uma escola internacional de pilotos.

O projeto faz parte da proposta da companhia alemã para a privatização parcial da TAP e prevê a adaptação da pista à utilização civil e militar. O presidente da Câmara, Manuel Mourato, saúda o investimento e destaca o impacto económico para o Médio Tejo, mas admite que ainda faltam conhecer os detalhes. Na reunião do executivo municipal, o CHEGA questionou a informação disponibilizada aos vereadores, enquanto a vice-presidente reconheceu que o município aguarda esclarecimentos oficiais.

O Governo anunciou esta quarta-feira, 14 de outubro, a seleção da Lufthansa para a privatização parcial da TAP, numa operação que envolve uma proposta de 1.201 milhões de euros para a aquisição de até 49,9% do capital da companhia aérea portuguesa. O objetivo é concluir o processo até ao início de 2028.

Mas o negócio poderá ter consequências diretas para o Médio Tejo, nomeadamente para o concelho de Vila Nova da Barquinha, onde está prevista a instalação de uma escola de formação de pilotos no aeródromo militar de Tancos, num investimento anunciado de 500 milhões de euros.

Na conferência de imprensa realizada após a reunião do Conselho de Ministros, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, destacou os investimentos complementares apresentados pela Lufthansa.

«Em particular, gostaria de destacar os 500 milhões de euros que significam a criação de uma nova escola de pilotos em Tancos, um centro de inovação em Aveiro, um centro de serviços corporativos, a que se soma o já conhecido investimento da Lufthansa Technik em Santa Maria da Feira», afirmou.

 

Luís Montenegro, primeiro-ministro

O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, acrescentou que o investimento permitirá dotar o aeródromo militar de Tancos da capacidade de utilização civil e militar.

Questionado sobre a participação financeira do Estado português e os prazos previstos para a concretização do projeto, o governante esclareceu que haverá uma comparticipação pública de aproximadamente 50 milhões de euros.

«O Estado português terá uma comparticipação de cerca de 10%, 50 milhões de euros, nomeadamente para a pista propriamente dita. Os prazos que a Lufthansa nos aponta são de 2029 a 2030», explicou.

Pinto Luz reiterou que a infraestrutura terá uma utilização dual, civil e militar, remetendo os esclarecimentos técnicos e operacionais para uma apresentação a realizar nas próximas semanas, em articulação com o Ministério da Defesa Nacional.

 

Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas

O investimento poderá ainda representar a criação de cerca de 200 postos de trabalho em Tancos, de acordo com os números inicialmente divulgados.

A nível nacional, Luís Montenegro apontou para a criação de três mil empregos associados ao crescimento projetado da TAP e para um total de 5.500 postos de trabalho diretos e indiretos no conjunto das iniciativas de investimento da Lufthansa em Portugal.

Escola de pilotos poderá servir forças militares internacionais

O projeto previsto para Tancos contempla a criação de um centro internacional de formação aeronáutica, associado à Lufthansa Aviation Training, com a possibilidade de receber pilotos militares de diferentes países.

Entre os potenciais destinatários da formação encontram-se pilotos da Força Aérea alemã e de outros países aliados da NATO.

As informações divulgadas apontam para uma capacidade de formação que poderá atingir uma centena de pilotos por ano, embora estes números ainda careçam de confirmação definitiva.

A Lufthansa já tinha desenvolvido contactos com o Ministério da Defesa português para avaliar a possibilidade de instalar esta atividade em Tancos, existindo uma carta de intenções não vinculativa relacionada com o projeto.

A concretização do investimento deverá envolver a modernização da pista e a adaptação das infraestruturas aeronáuticas, criando condições para uma utilização partilhada por operadores civis e militares.

Para já, não foi esclarecido se a futura utilização civil permitirá operações comerciais regulares ou se ficará essencialmente associada à formação de pilotos e a outras atividades aeronáuticas.

Manuel Mourato saúda investimento e destaca oportunidade para o Médio Tejo

O presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, Manuel Mourato, recebeu o anúncio com satisfação, embora tenha reconhecido que o investimento não constituiu propriamente uma surpresa.

Contactado pela Antena Livre, a partir da Escócia, onde se encontra integrado numa comitiva da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, o autarca revelou que já existiam informações sobre a possibilidade de a Lufthansa investir em Tancos caso a sua proposta para a TAP fosse selecionada.

«Não foi propriamente uma surpresa, porque havia já algumas conversações anteriores que indicavam tudo nesse sentido. Se a Lufthansa ganhasse este concurso do Estado português, iria investir em Tancos», afirmou.

Manuel Mourato considera que se trata de um investimento estratégico, não apenas para Vila Nova da Barquinha, mas para toda a região.

«É um grande investimento para a região, para o município da Barquinha, mas também para todo o Médio Tejo, porque é um investimento estratégico neste território, que vai criar emprego e dinamizar a economia local e regional», sublinhou.

O presidente da Câmara recordou que a utilização civil e militar do aeródromo constitui uma aspiração antiga dos autarcas do Médio Tejo.

A possibilidade de abertura da pista à aviação civil tem sido defendida há vários anos pela Comunidade Intermunicipal, que vê nesta infraestrutura um potencial instrumento de desenvolvimento económico e de melhoria das acessibilidades à região.

O autarca salientou ainda que o projeto da Lufthansa surge numa altura em que o Exército está a preparar a instalação de uma unidade de helicópteros em Tancos, cuja entrada em funcionamento deverá começar ainda este ano.

 

Manuel Mourato, presidente CM Barquinha

Apesar das expectativas, Manuel Mourato considera necessário conhecer os termos concretos do investimento.

«Aguardamos agora uma apresentação mais detalhada, que foi prometida pelo Governo e pela Defesa, para que possamos perceber exatamente quais são os condicionalismos e em que termos é que este investimento será realizado», explicou.

O anúncio da Lufthansa voltou também a colocar em destaque a questão das acessibilidades rodoviárias no concelho, nomeadamente a necessidade de melhorar a travessia do rio Tejo.

Questionado pela Antena Livre sobre se o novo investimento poderá reforçar os argumentos para uma intervenção nas ligações rodoviárias entre as duas margens, Manuel Mourato considerou que os projetos são complementares.

«A travessia do Tejo é um investimento que, se calhar, será complementar deste e, portanto, um investimento não invalida o outro, antes pelo contrário, complementa-se perfeitamente», afirmou.

O autarca confirmou ainda que está prevista uma reunião com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, admitindo que poderão surgir novidades sobre esta matéria.

A melhoria da travessia do Tejo constitui uma reivindicação antiga do município e das populações, num território onde as ligações rodoviárias entre margens continuam a representar uma preocupação para residentes e empresas.

CHEGA questiona informação prestada ao executivo municipal

O anúncio do Governo teve também repercussões na reunião da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, realizada esta quarta-feira.

Durante o período antes da ordem do dia, a vereadora do CHEGA, Tatiana Horta, questionou o conhecimento formal que o município tinha sobre o projeto e as diligências desenvolvidas até ao momento.

A eleita referiu que já há vários meses tinha tido conhecimento, através de representantes de outros municípios, da possibilidade de abertura do aeródromo de Tancos à aviação civil e comercial.

Acrescentou que teve acesso a documentação relacionada com esta matéria, incluindo uma moção aprovada por unanimidade na Assembleia Municipal de Tomar, em fevereiro deste ano.

Tatiana Horta considerou positivo o anúncio do investimento e a perspetiva de criação de emprego, mas criticou a ausência de informação aos restantes membros do executivo.

«Estamos a falar de um projeto com potencial impacto económico e territorial gigante no nosso concelho», afirmou.

 

Tatiana Horta, vereadora CHEGA CM Barquinha

A vereadora quis saber «que conhecimento formal é que tem esta Câmara Municipal sobre estes desenvolvimentos, que diligências é que já foram realizadas neste processo até então e por que razão não foi prestada nenhuma informação aos restantes membros deste executivo sobre este tema que é tão importante».

Vice-presidente admite que município ainda desconhece detalhes

Na resposta, a vice-presidente da Câmara, Marina Honório, que presidiu à reunião devido à ausência de Manuel Mourato, reconheceu que o município ainda não dispõe de informação suficiente sobre os contornos do investimento.

«Vamos ter que aguardar e saber quais são os pormenores do negócio da TAP com a Lufthansa e o que é que isso implica no nosso território», afirmou.

A autarca explicou que a dimensão do projeto, as condições de implementação e os prazos concretos de execução ainda não foram comunicados formalmente à Câmara Municipal.

«Estamos um bocadinho às escuras, vamos ter que começar a trabalhar», reconheceu.

Marina Honório acrescentou que, tendo o anúncio sido feito oficialmente pelo primeiro-ministro, o município deverá agora aguardar a comunicação das entidades competentes.

Marina Honório, vice-presidente CM Barquinha

«Estou a crer que, uma vez que se passa no nosso território, certamente seremos informados e seremos envolvidos no processo, juntamente com as várias entidades do concelho, e aí nos pronunciaremos de acordo com as nossas obrigações decorrentes da lei», concluiu.

PSD de Santarém destaca oportunidade estratégica

Também a Comissão Política Distrital do PSD de Santarém reagiu ao anúncio, considerando que a instalação da escola de pilotos representa uma oportunidade relevante para o desenvolvimento económico da região e para a valorização estratégica do distrito.

Em comunicado, a estrutura distrital social-democrata sublinha que o projeto permitirá reforçar a atividade do aeródromo, criar emprego e abrir novas perspetivas para a utilização civil da pista.

O presidente da Distrital do PSD e deputado à Assembleia da República, Ricardo Oliveira, recorda que o partido defende há vários anos a valorização desta infraestrutura.

«Desde 2018, com João Moura na presidência da Distrital, o PSD Santarém tem vindo a defender a importância estratégica de Tancos. Nem sempre fomos compreendidos, mas o anúncio de hoje demonstra que havia fundamento nesta visão», afirma.

Ricardo Oliveira considera que o aeródromo tem potencial para assumir um papel determinante no desenvolvimento do distrito.

O dirigente estabelece ainda uma ligação entre o investimento em Tancos e o futuro Aeroporto Luís de Camões, previsto para o concelho de Benavente.

«Com Tancos e o futuro Aeroporto Luís de Camões, no concelho de Benavente, Santarém assumirá um papel central na nova geografia do desenvolvimento nacional», defende.

O PSD Distrital aponta também possíveis benefícios para o turismo religioso, nomeadamente através de uma eventual melhoria das ligações aéreas a Fátima, e para a resposta às necessidades de mobilidade associadas a grandes eventos, incluindo o Mundial de Futebol de 2030.

Estas possibilidades dependem, contudo, do modelo de utilização civil que vier a ser autorizado para o aeródromo.

Uma reivindicação antiga dos autarcas do Médio Tejo

A utilização civil de Tancos não é uma questão nova na agenda política regional.

Em 2020, os autarcas da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo aprovaram uma moção a defender a realização dos estudos necessários à criação de um aeroporto regional.

Em novembro de 2024, a CIM voltou a manifestar satisfação com a disponibilidade demonstrada pelo Exército para admitir uma utilização civil do aeródromo, desde que fossem salvaguardadas as necessidades operacionais militares.

Na altura, o secretário executivo da CIM Médio Tejo, Miguel Pombeiro, destacou as vantagens que poderiam resultar da utilização partilhada da infraestrutura, tanto para a região como para o próprio Exército.

O anúncio da Lufthansa surge, assim, como um novo desenvolvimento num processo com vários anos de reivindicações políticas e institucionais.

Contudo, a criação de uma escola de pilotos e a adaptação da pista à utilização civil não significam, por si só, a concretização do aeroporto regional há muito defendido pelos autarcas.

Continuam por esclarecer as características das operações civis autorizadas, as condições de coexistência com as atividades militares, os investimentos complementares necessários e os procedimentos de licenciamento.

O Governo prometeu apresentar mais detalhes nas próximas semanas, em articulação com o Ministério da Defesa Nacional.

Até lá, o investimento de 500 milhões de euros anunciado pela Lufthansa abre uma nova perspetiva para o futuro do aeródromo militar de Tancos e para o seu papel no desenvolvimento económico do Médio Tejo.

Exército prepara chegada de helicópteros a Tancos ainda este ano

O investimento de 500 milhões de euros anunciado pela Lufthansa para o aeródromo militar de Tancos surge numa altura em que o Exército português está a preparar a instalação de uma nova Unidade de Helicópteros de Apoio, Proteção e Evacuação. O primeiro aparelho deverá chegar ainda no último trimestre de 2026, numa operação que envolve também a recuperação de infraestruturas militares. A coexistência dos dois projetos é uma das questões que deverá ser esclarecida pelo Ministério da Defesa.

O aeródromo militar de Tancos, no concelho de Vila Nova da Barquinha, prepara-se para receber uma nova unidade de helicópteros do Exército português, num projeto anterior ao investimento agora anunciado pela Lufthansa.

A futura Unidade de Helicópteros de Apoio, Proteção e Evacuação (UHAPE) pretende reforçar as capacidades operacionais do Exército, nomeadamente no apoio às forças terrestres, transporte, proteção e evacuação.

A unidade poderá também desempenhar missões de apoio à proteção civil, incluindo intervenções em situações de catástrofe, incêndios rurais, transporte de meios e operações de evacuação.

A instalação da nova capacidade militar implica a recuperação e adaptação de várias infraestruturas do aeródromo, incluindo hangares, torre de controlo, depósitos e instalações destinadas à manutenção das aeronaves.

O Exército justificou a escolha de Tancos pelas condições existentes na infraestrutura e pela possibilidade de aproveitar investimentos de modernização já em curso.

 

Primeiro helicóptero previsto para outubro

Em declarações prestadas à Antena Livre em junho deste ano, o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, Manuel Mourato, revelou que o primeiro helicóptero da nova unidade militar deveria chegar a Tancos durante o mês de outubro.

O autarca explicou então que o processo de reativação da capacidade operacional do aeródromo estava a avançar, com intervenções destinadas a preparar as instalações para receber os novos meios aéreos.

Na mesma ocasião, Manuel Mourato admitiu a possibilidade de uma segunda fase de desenvolvimento da infraestrutura, envolvendo uma entidade privada ligada ao setor militar, que poderia assumir um papel na requalificação da pista.

O presidente da Câmara ressalvou, nessa altura, que não estava em causa a transformação imediata de Tancos num aeroporto civil convencional, mas antes uma solução que permitisse compatibilizar a atividade militar com novas utilizações da infraestrutura.

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