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45 anos Antena Livre: Um dos momentos da "pirataria" contado por José Bioucas

21/01/2026 às 12:28

Esta é, porventura, uma das estórias mais marcantes da história da pirataria da rádio, em Abrantes, e em Portugal.

No início da década de 80 do século passado, fazer rádio ou uma estação de rádio era ilegal, proibido. Em Abrantes uns “estarolas” desafiaram a Lei e a legalidade, em defesa das populações desta região. Mas como era uma atividade proibida eram perseguidos e, caso fossem “caçados”, para além das penas a cada um deles todo o material seria apreendido. Era a tentativa do “Estado” através dos Serviços Radioelétricos, a ANACOM da época.

Na RAL de Abrantes há registo de vários momentos de autênticas fintas futebolísticas aos “senhores inspetores” que chegava e envolver vigias e esperas, tal como um serviço de espionagem. Se os “inspetores” iam para Arreciadas a emissão da RAL era feita de Abrantes. Se os inspetores iam para S. Miguel do Rio Torto os radialistas rumavam a Mouriscas, e dali faziam as emissões. E quando o sinal era detetado, era tarde. A emissão tinha acabado e os “piratas” esfumavam-se nas suas residências.

Mas há um desses momentos em que os locutores quase foram apanhados em flagrante. Quase, porque a meio da noite, já ao serão, não fora uma movimentação inesperada do então presidente da Câmara de Abrantes da altura, José Bioucas, e tinham mesmo sido apanhados com a boca na botija.

E essa noite foi recordada, em 2011, na celebração dos 30 anos da rádio pela voz do próprio José Bioucas.

De forma simples, os “piraras” estavam a fazer a emissão a partir do Convento de S. Domingos, hoje Biblioteca António Botto, e os serviços identificaram o local. Puseram um agente da PSP à porta, por forma a impedir a saída dos radialistas até chegarem a Abrantes.

Não esperavam pela ativação do joker, neste jogo. Um dos elementos da RAL foi acordar o presidente da Câmara que já estava na cama.

José Bioucas, que sempre tinha apoiado a RAL e o movimento das rádios piratas, levantou-se para ir ver do que se tratava. Antes deu a chave de uma outra porta das traseiras do Convento e enquanto distraiu o agente da PSP, no local, e empatou os inspetores dos Serviços Radioelétricos na esquadra da polícia de Abrantes. Esta movimentação permitiu aos homens da rádio ilegal sair do Convento de S. Domingos com o respetivo equipamento.

Quando presidente da Câmara, inspetores e agentes da PSP abriram as portas do Convento de S. Domingos, as salas estavam... vazias, pois claro!

 

José Bioucas - excerto de entrevista de janeiro de 2011

Foram momentos destes que fizeram com que a história das rádios piratas do país tivesse um final feliz, em 1989, com a legalização.

Depois cada uma fez a sua história, o seu caminho.

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