Uma Unidade Móvel de Saúde da ULS Médio Tejo começou a percorrer localidades do concelho de Abrantes, levando consultas e cuidados de enfermagem às populações com maiores dificuldades de acesso aos serviços de saúde. O projeto arranca em Fontes, Martinchel, Vale das Mós e São Facundo, mas o presidente da Câmara, Manuel Jorge Valamatos, admite que o modelo deverá ser avaliado e posteriormente alargado a outras localidades.
A informação foi avançada pelo autarca numa reunião do executivo municipal, onde explicou que a iniciativa pretende aproximar os cuidados de saúde das populações, num território marcado pela dispersão geográfica e onde existem cidadãos, nomeadamente idosos, com dificuldades de mobilidade.
A Unidade Móvel vai permitir o acompanhamento de pessoas com doenças crónicas, designadamente diabetes e hipertensão, vacinação e atualização do estado vacinal, tratamentos de enfermagem, administração de injetáveis e realização de rastreios.
Estão ainda previstas avaliações da tensão arterial, glicemia, peso e outros indicadores clínicos, ações de educação para a saúde e acompanhamento de idosos ou pessoas com mobilidade condicionada.
As equipas poderão também identificar outras necessidades dos utentes e proceder ao encaminhamento para profissionais ou serviços adequados, em articulação com as unidades de saúde, a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e outras estruturas da comunidade.
Nesta primeira fase, a Unidade Móvel estará às segundas-feiras em Fontes, das 9h30 às 12h00, e em Martinchel, das 14h00 às 16h00.
Às sextas-feiras, o serviço passa por Vale das Mós, entre as 9h30 e as 12h00, e São Facundo, das 14h00 às 16h00.
Manuel Jorge Valamatos sublinhou que esta é apenas a fase inicial e que o desenho do serviço poderá ser alterado em função da procura e das necessidades identificadas.
“Entendemos que a saúde deve estar perto das pessoas e, sobretudo, daquelas que têm mais dificuldade de mobilidade”, afirmou, considerando o projeto “muito relevante” para o concelho.
Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes
Durante a reunião, o vereador do CHEGA Nuno Serra questionou os critérios utilizados para selecionar as quatro localidades abrangidas nesta fase inicial.
O eleito chamou particularmente a atenção para o Souto, referindo que a localidade não dispõe de farmácia nem de serviço de saúde e defendendo que a possibilidade de integrar o circuito da Unidade Móvel deverá ser analisada.
Nuno Serra observou ainda que duas das localidades inicialmente abrangidas pertencem à mesma freguesia, enquanto outras zonas do concelho continuam sem esta resposta.
Nuno Serra, vereador CHEGA CM Abrantes
Na resposta, Manuel Jorge Valamatos reconheceu que existem outras localidades onde o serviço poderá fazer sentido, apontando, além do Souto, exemplos como Alvega e Casa Branca.
“Unidades móveis é um avanço, agora temos que ir analisando”, afirmou.
O presidente da Câmara defendeu que a utilização do serviço deve ser permanentemente avaliada. Se uma paragem tiver pouca procura, considera que deverá ser ponderada outra localização; se, pelo contrário, existir uma forte adesão em todos os locais, deverá ser equacionado o reforço da resposta.
“Isto é dinheiro público, deve ser bem empregue. Se há um sítio que não está a ser muito utilizado, tem que se procurar outro”, afirmou.
Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes
Valamatos admite, por isso, que o desenvolvimento do projeto possa passar por mais localidades, mais horas ou mais dias de funcionamento, defendendo que o objetivo deve ser aproveitar a Unidade Móvel para chegar às populações mais afastadas dos serviços de saúde.