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Javalis: Valamatos critica burocracia no programa de controlo de javalis e teme falta de adesão dos caçadores

30/10/2026 às 11:37
Imagem Ilustrativa

O presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, considera que o projeto-piloto do Ministério da Agricultura para o controlo da densidade excessiva de javalis apresenta demasiada burocracia e regras que podem afastar as associações de caçadores. O autarca reconhece a necessidade de controlar a população destes animais, mas alerta que, sem alterações ao programa, muitas associações do concelho poderão não aderir à iniciativa.

Manuel Jorge Valamatos explicou que a inclusão de Abrantes, Mação e Sardoal no projeto-piloto foi inicialmente recebida com satisfação, por representar uma oportunidade para enfrentar um problema que tem vindo a agravar-se. No entanto, após uma reunião realizada esta semana com uma representação significativa das associações de caçadores do concelho, o autarca concluiu que as condições previstas não correspondem às expectativas.

"Percebemos claramente que este projeto-piloto não satisfaz a mobilização e a vontade de participação das nossas associações de caçadores, porque há um excessivo processo burocrático em torno deste projeto", afirmou.

O presidente da Câmara admite mesmo que, caso não sejam introduzidas alterações, muitas associações poderão optar por não participar.

Uma das principais críticas está relacionada com a obrigação de ultrapassar a média histórica de abates para começar a receber os incentivos financeiros. Manuel Jorge Valamatos considera que esta regra cria situações de desigualdade entre associações, penalizando aquelas que mais têm contribuído para o controlo da espécie.

"Uma associação que mata 100 javalis só a partir dos 100 é que tem apoio, uma que mata dois já tem apoio", exemplificou, apontando também a complexidade dos procedimentos exigidos, incluindo a recolha de amostras de pelo dos animais.

Para o autarca, existe "uma sensação de alguma injustiça no regulamento" e um conjunto de exigências administrativas que acabam por desmotivar os caçadores.

Questionado sobre a possibilidade de Abrantes seguir o exemplo de Mação, onde o presidente da Câmara, José Fernando Martins, anunciou a intenção de criar apoios municipais para financiar os abates até ser atingida a média histórica exigida pelo programa nacional, Manuel Jorge Valamatos recordou que o Município de Abrantes já apoiava as associações de caçadores antes da criação deste projeto-piloto.

"Nós, mesmo antes deste projeto-piloto, já apoiávamos as nossas associações de caçadores também na regulação desta espécie e continuaremos sempre a apoiar as nossas associações", garantiu.

Manuel Jorge Valamatos, presidente CM de Abrantes

O presidente da Câmara sublinhou que são precisamente estas associações que desempenham um papel fundamental no controlo da população de javalis, assegurando que a autarquia continuará a trabalhar em conjunto com os caçadores para encontrar as melhores soluções.

Manuel Jorge Valamatos reafirmou, assim, o compromisso do Município de Abrantes em manter o apoio às associações, defendendo a necessidade de ajustar as regras do programa nacional para garantir uma maior participação dos caçadores e uma resposta mais eficaz ao excesso de javalis no território.

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