A Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha vai lançar novo concurso público para a empreitada de construção do Centro Interativo das Tropas Paraquedistas, a instalar no interior do complexo militar dos paraquedistas, em Tancos, junto à Estrada Nacional 3. A proposta foi aprovada por unanimidade na reunião do Executivo de dia 13 de maio. A necessidade de voltar a lançar no concurso, deve-se ao facto do primeiro concurso ter ficado deserto.
“Ninguém se concorreu. Houve um empreiteiro que enviou um e-mail, a dizer que o valor para que ele ia era 490 mil euros. Abaixo disso não concorria. Portanto, na prática, em termos de concorrentes, não tivemos nenhum”.
Mas a criação deste Centro Interativo nem sempre contou com o voto favorável de todos os vereadores. Com a eleição de um novo Executivo, saído das últimas eleições autárquicas, o partido CHEGA conta com dois vereadores. Na reunião de dia 28 de Janeiro de 2026, a Câmara aprovou o projeto de execução do Centro Interativo das Tropas Paraquedistas e um investimento de 425 mil euros, mas a decisão dividiu o executivo, com os dois vereadores do Chega a votarem contra, por considerar que há prioridades mais urgentes no concelho.
Na altura, a vereadora do CHEGA, Tatiana Horta, justificou o voto contra com o peso financeiro do investimento para o município e com a necessidade de definir prioridades.
Na reunião de Câmara de quarta-feira, 13 de maio, um dos pontos a votação era mesmo o lançamento de nova empreitada para a construção do Centro Interativo das Tropas Paraquedistas. Contudo, antes do período da Ordem do Dia, a vereadora Tatiana Horta, fez uma declaração para constar em ata, onde quis retificar a posição política dos dois vereadores relativamente ao Centro.
“Esta intervenção surge na sequência do Voto de Saudação que submetemos para a ordem do dia de hoje. Ao prepararmos essa homenagem aos nossos antigos combatentes, fomos confrontados com uma reflexão profunda sobre a nossa anterior decisão”, começou por dizer. A vereadora disse querer “deixar claro que as nossas preocupações com a gestão do orçamento e com as prioridades na saúde, mobilidade e habitação permanecem”. Contudo, adiantou, “a política também exige a humildade de reconhecer quando a técnica se sobrepõe ao sentimento e à memória de um povo”.
Assim sendo, Tatiana Horta assumiu, “perante este executivo e perante os munícipes”, que, “ao votarmos contra este projeto no passado, estávamos, involuntariamente, a negar aos nossos antigos combatentes um espaço de memória coletiva que lhes é devido. Vila Nova da Barquinha tem uma dívida de gratidão para com estes homens e mulheres. Não podemos, por um lado, saudar a sua coragem e, por outro, inviabilizar um local que preserva o seu legado e o que é, também, a identidade da nossa terra”.
Declarou que, “após ouvirmos militares, ex-militares e cidadãos, e por respeito a todos os que serviram e servem Portugal, decidimos corrigir a nossa posição e alterar o nosso sentido de voto para favorável nas etapas subsequentes deste projeto”. A decisão foi reforçada, disse, “ao verificar que, de facto, a maior fatia do investimento provém de fundos, salvaguardando assim o esforço direto do erário municipal”.
Por outro lado, pesou ainda a informação de que havia “a intenção de criar vagas específicas no quadro orgânico para militares na reserva, uma medida de elementar justiça que valoriza a experiência de quem serviu o país”.
À margem da reunião de Câmara, a Antena Livre questionou o presidente Manuel Mourato acerca deste volte face dos vereadores do CHEGA.
“Julgo que o partido CHEGA, em Vila Nova da Barquinha, se começou a aperceber da pouca sensibilidade para o facto de sermos um concelho militar, onde um terço do nosso território é militar e onde temos uma forte tradição, desde Gonçalves Curado até agora, de presença militar. E, portanto, eles aperceberam-se que estavam a dar tiros nos pés, como se costuma dizer, em termos políticos. Quando eles vêm votar contra situações que são apadrinhadas pelos militares, não estavam a fazer a política de acordo com aquilo que eles querem. Sendo este um eleitorado que, como sabemos, em termos nacionais, muito propício a esta força partidária”.
Manuel Mourato considerou que a primeira decisão dos vereadores do CHEGA se deveu a “falta de maturidade política” e deixou um recado aos vereadores, quando à ausência dos mesmos nas cerimónias militares: “se estão a apadrinhar tanto os militares, eu nunca os vi em nenhuma cerimónia, nem a apoiar nada que fosse curso militar. Agora é que meteram a mão na consciência e viram que iam pelo caminho errado. Se vão pelo caminho errado, estão a dar razão ao partido que está na governação”, declarou o presidente da Câmara.
A História do CITP

Local a instalar o futuro Centro Interativo das Tropas Paraquedistas, em Tancos
Há cerca de um ano, mais propriamente no dia 23 de maio de 2025, foi assinado um protocolo que visa construir o “Centro Interativo das Tropas Paraquedistas”. Aproveitando o Dia da Unidade no Regimento de Paraquedistas, no Polígono Militar de Tancos, assinaram o protocolo Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha na altura, general Mendes Ferrão, Chefe do Estado Maior do Exército, general Carlos Jerónimo, presidente da Direção do Pára-Clube Nacional “Os Boinas Verdes” e coronel Hilário Peixeiro, presidente da Direção da União Portuguesa de Paraquedistas.
O projeto resulta da recuperação do antigo centro de seleção das tropas paraquedistas e visa preservar e divulgar a memória desta força militar, desde a sua origem, em 1956, até às missões internacionais mais recentes.
Já a 22 de setembro do ano passado, em Coimbra, o Turismo de Portugal assinou contratos de financiamento de 37 projetos turísticos no Interior.
Este projeto, com um valor global de investimento de 620 mil euros, conta com uma comparticipação aprovada de 595 mil euros. O financiamento a 70% da Linha + Interior Turismo, do Turismo de Portugal, implica um pacote de 460 mil euros.
Quanto à distribuição dos fundos no projeto a maior fatia, 450 mil euros, vai para a empreitada de adaptação de instalações para Centro Interativo das tropas paraquedistas, um edifício que fica situado no coração do complexo militar, mas afastado da porta de armas ou das restantes edificações.
Depois há uma outra parte de investimentos para o projeto de museologia e museografia, implementação do projeto de museologia e museografia, áudio vídeo guias (dez dispositivos com tradução em quatro línguas: português, inglês, francês, espanhol), produção de merchandising para loja, ecrãs e óculos de realidade virtual.
O Centro Interativo das Tropas Paraquedistas terá sete salas de exposição temáticas, experiências imersivas ligadas ao treino e às missões dos paraquedistas e a participação da União Portuguesa dos Paraquedistas no desenvolvimento de conteúdos.
O valor da empreitada sobe então agora para os 490 mil euros, com a comparticipação aprovada de 595 mil euros. O financiamento a 70% da Linha + Interior Turismo, do Turismo de Portugal, implica um pacote de 460 mil euros. Município, Exército e Pára-Clube Nacional “Os Boinas Verdes” assinaram novo protocolo em que o Exército avança agora com mais 50 mil euros, ficando assim a faltar 15 mil euros.
Espera-se agora que, com o novo valor da empreitada, haja quem queira fazer a obra.