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A defesa “vai ser um fator de desenvolvimento e de centralização de empresas” - Manuel Mourato

9/06/2026 às 09:00

A Feira do Tejo foi o mote para a conversa com o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, mas foram muitos os temas abordados. Num concelho que viu a população aumentar, há vantagens e desvantagens. Falámos sobre todos os temas.

Por Patrícia Seixas

 

É a 1.ª Feira do Tejo enquanto presidente da Câmara. Vai manter o modelo ou há alguma novidade para a edição deste ano?

Algumas novidades, apesar do modelo se manter, no geral. Mas temos algumas novidades, nomeadamente na distribuição dos artistas. Tentámos ter artistas para todo o público, desde os mais jovens aos menos jovens. Com artistas como os Papillon, para a malta jovem, e com o José Cid e a Festa M80, para aqueles que gostam mais dos anos 80, como eu. E, por outro lado, há aqui uma alteração que não resultou propriamente de uma ideia de alterar, mas que resultou das circunstâncias de não termos a Orquestra Ligeira do Exército disponível. E a solução que encontrámos foi exatamente não estar a insistir na Banda Sinfónica. Daí ter surgido este artista para os mais jovens, que foi o Papillon e que foi uma escolha entre os jovens.

 

Após a passagem das tempestades e das cheias no concelho, estas intempéries vieram de alguma forma alterar o planeamento previsto para este ano?

Obviamente que há sempre impactos, não vou estar a dizer que não houve. Contudo, eu julgo que conseguimos de alguma forma manter o ritmo e o nosso projeto, as propostas eleitorais que tínhamos, mantermo-nos no rumo certo e estamos a conseguir executar. Contudo, obviamente que houve necessidade de reforço. Ainda recentemente lançámos uma empreitada de reposição de situações que as cheias, sobretudo as cheias, vieram causar. Trata-se de uma empreitada que tem três focos. Dois deles têm a ver com as cheias, um tem a ver com a Kristin, que é a reposição de uma linha de água de uma estrada que ruiu e a reposição do cais do estacionamento do Castelo de Almourol e do cais de Tancos.

 

Do que ficou destruído pela tempestade, ainda há alguma coisa para repor?

Há muitas situações ainda para repor. Há a Igreja da Atalaia e a Igreja Matriz de Tancos, que tem uma intervenção muito dispendiosa. Temos ainda na zona baixa de Tancos, não só o cais, mas outras situações para repor. Temos vindo a repor paulatinamente. Temos os trilhos, o trilho do Cafuz até Constância, que está muito danificado, e também parte do Trilho do Tejo, que ainda está a repor.

 

Já fez o balanço dos primeiros 200 dias deste mandato. Como está a correr e como se sente nesta posição de presidente?

Estou-me a sentir bem, já me vinha preparando. Eu fiz um estágio (risos). Obviamente que há sempre imprevistos. Ninguém esperava que no início do mandato tivéssemos uma tempestade com esta dimensão e cheias que não se viam há décadas. Tudo isso veio a impactar na forma como trabalhamos, mas acho que, com todo o Executivo, conseguimos dar resposta a tudo. Eu tive equipas extraordinárias comigo, desde os serviços municipais, que estiveram sempre, os serviços de ação social... Praticamente toda a Câmara esteve empenhada durante semanas a fio. E quando me sinto acompanhado, dá-me ânimo para continuar a trabalhar. Eu nunca tive medo do trabalho e, portanto, não é isso que me afeta, seguramente.

 

E no Executivo, como é que está a correr a parceria PS - PSD?

Julgo que foi uma das melhores apostas que podíamos ter feito. Deu-nos estabilidade política. Foi um acordo que fizemos com a vereadora do PSD, e não um acordo com a AD, como muitos escrevem por aí. Houve um acordo com a vereadora do PSD e que funciona perfeitamente. É uma pessoa que está alinhada com o nosso programa, até porque o programa eleitoral deles não era muito díspar do nosso, e, portanto, foi fácil de enquadrar. As necessidades são as mesmas, são pessoas que vivem no território. A senhora vereadora também já era vereadora no Executivo anterior e, portanto, conhecia perfeitamente quais eram os problemas do concelho, o que é que nós estávamos a trabalhar. E é muito fácil de trabalhar, é uma pessoa de trato fácil, com quem eu trabalho muito bem. Se calhar, obviamente, pelo meu conhecimento que já tinha da pessoa, também me fez, facilmente, fazer esta escolha.

 

Com a vila requalificada em termos de habitações, estão agora em andamento as obras para habitação de renda acessível e do programa 1.º Direito. Como estão os processos?

O 1.º Direito está praticamente finalizado. Nós temos duas empreitadas do 1º Direito, uma termina agora já em junho, a outra seguramente estará terminada durante o mês de julho. São intervenções em 13 habitações, de habitação social, e vão ficar concluídas. Paralelamente a isso, também já estamos a fazer um levantamento de necessidades ou em outras habitações sociais do município, que carecem não de uma intervenção tão de fundo, mas sim de pequenas reparações como pinturas, etc., para que possamos também dar alguma dignidade a quem tem essas habitações. Estamos a fazer esse levantamento.

 

O concelho ainda tem muitas necessidades em termos de habitação social?

Infelizmente, sim. Nós temos uma lista bastante grande na ação social. Muitos deles também não serão elegíveis. O facto de as pessoas virem a pedir, não quer dizer que tenham esse direito. Existe legislação concreta para isso e a ação social tratará de fazer essa triagem, mas existe uma grande lista de espera.

 

E na habitação a custos acessíveis?

Por outro lado, em termos de habitação a custo acessível, temos uma empreitada a decorrer com 12 habitações, que está a andar a bom ritmo neste momento. Infelizmente, teve aqui um percalço da parte do empreiteiro, que esteve praticamente um mês parado e que veio pôr em causa os prazos PRR. O dono da obra é o IHRU e o IHRU já me garantiu que há soluções. Portanto, cá estaremos para gerir as soluções. Julgo que há soluções muito concretas para isso.

 

A Biblioteca, depois de um processo algo longo, já pertence à Rede de Bibliotecas. Esta foi uma birra que deixou a Barquinha de fora por algum tempo...

Foi, infelizmente. Quando do outro lado há birras, do nosso lado também tem que haver. Felizmente, tivemos aqui o consenso e temos que também dar o elogio à senhora vereadora Paula Gomes da Silva pelo empenho que meteu neste processo que já vinha do anterior, para conseguirmos levar a isto a bom termo. Finalmente, temos o assunto sanado, iremos ter uma inauguração formal desta situação no dia 25 de junho. Nesse dia temos cá um escritor conceituado para fazer a inauguração e a apresentação do seu novo livro e, portanto, está tudo encaminhado.

 

Mas a aposta no tema dos Templários vai continuar a ser forte no concelho?

O concelho tem Templários desde 1171, com Gualdim Pais. Em paralelo com Tomar, a Barquinha seguramente será dos territórios que mais presença Templária tem no nosso país e, portanto, os Templários fazem parte da identidade deste território. E fazendo parte da identidade deste território, continuaremos a apostar em todas as frentes, com todos os intervenientes que tenham intenção de ter alguma intervenção neste campo, seja a nível turístico, seja a nível cultural, seja a nível histórico. Todos são bem-vindos. Ninguém é posto de parte. Todos os que cá vêm são acarinhados por este Executivo e chamamo-los a todos. Temos agora uma exposição pelas Ordens de Cavalaria que está no nosso Centro Cultural.

 

Vão continuar presentes na Biblioteca?

Vão continuar na Biblioteca. Vamos continuar com esta parceria. Neste caso, foi com a Ordem dos Pobres Cavaleiros do Templo de Jerusalém que se associou a este evento, mas tivemos outros. Iremos ter a Conferência Internacional, a Conferência que fazemos todos os anos com a Cavalaria, também com os Templários e com a Cavalaria Espiritual. Iremos ter também o Colóquio dos Templários que já vai para a sua terceira edição e, portanto, os Templários estão em força no nosso território.

 

Barquinha é um concelho com forte implantação militar. Com a Unidade de Helicópteros prevista para Tancos, as parcerias entre Município e Exército são para reforçar?

Há um reforço óbvio. Para além dos Templários, somos um território de forte presença militar. Os Templários, em grande parte, já se trata de turismo militar. Mas não podemos esquecer que temos aqui este ano os 70 anos da criação do Corpo de Paraquedistas Português. Temos o Regimento de Paraquedistas no nosso concelho. Já celebrámos o Dia dos Paraquedistas e o Dia do Regimento. Já lançámos a empreitada do Centro Interativo das Tropas Paraquedistas, que ficou a deserto no primeiro concurso. Vai ser assinada uma adenda, com o senhor Chefe de Estado-Maior do Exército, de reforço do protocolo inicial para concluir esta obra. Não pode ser só o Município e é necessário dinheiro. Eu fui muito claro na forma como o transmiti, acho que perceberam perfeitamente o que eu estava a dizer. E depois, a questão de todo o reforço da entidade militar, em várias vertentes. Primeiro, os helicópteros. O primeiro helicóptero vai chegar em outubro. Vamos ter aqui essa esquadrilha de helicópteros em Tancos, com o reforço de toda a infraestrutura da ex-Base Aérea 3. Haverá uma segunda fase, que terá muito a ver com a possibilidade de uma entidade privada vir a ter interferência dentro do território. Há a possibilidade de virmos a ter uma entidade privada que irá ser implantada lá e que fará a requalificação da pista.

 

Isto significa que não se deixou cair “o sonho” de Fernando Freire no que diz respeito ao aproveitamento da pista de Tancos?

Não da forma que estava previsto inicialmente, mas sim, iremos ter aqui um aproveitamento da pista de Tancos para uma entidade militar. Não será uma pista civil. Será uma entidade que estará ligada aos militares, mas privada e que terá essa ligação. E, por outro lado, também o reforço da ligação entre Santa Margarida e Tancos, que é fundamental nos tempos de hoje.

 

Relativamente ao Centro Interativo das Tropas Paraquedistas, que importância é que sente que isso tem para os paraquedistas?

É a identidade deles. Os paraquedistas são uma força especial do nosso Exército, que já foi da Força Aérea e que agora é do nosso Exército, e que têm uma entidade muito própria. Os paraquedistas, onde chamarem um paraquedista, eles são lá todos. E, portanto, este corpo de união e este corpo de vontade de estarem unidos, vai fazer com que eles vão sentir aquilo como a casa deles. Já têm um pequeno núcleo museológico que está dentro da Unidade e que vai passar depois a estar exposto de uma forma interativa, de uma forma digital, com abertura ao público, que vai ter um impacto extraordinário. E depois para o concelho. Há-de ser uma infraestrutura gerida por eles, mas que vai servir todo o concelho e todo o país. É mais um reforço do turismo militar. Estamos a falar de um nicho turístico muito interessante, que entra no turismo cultural, mas que tem um nicho muito especial, que é o turismo militar. Neste caso, muito ligado aos paraquedistas e que vai ter, seguramente, muitos visitantes a procurarem-nos por essa via.

 

As escolas do concelho são já insuficientes para a procura que têm. Vão ter que tomar medidas?

Vamos. Seguramente que sim. Já pedi uma reunião ao senhor ministro da Educação. Vamos requalificar alguns dos estabelecimentos de ensino que temos. Temos obras que estão com financiamento para isso e vamos avançar com elas. Paralelamente, há a necessidade de reforçar a Escola de Dona Maria II, em criar, eventualmente, um novo bloco escolar dentro da Dona Maria II, que temos muita capacidade de expansão. A Dona Maria II, para ter a noção do que é uma escola moderna, permite crescer, quer na vertical, quer na horizontal. Iremos, seguramente, escolher a opção que seja mais enquadrável aqui, mas isso é uma das coisas que estão em cima da mesa e que eu quero falar com o senhor ministro da Educação. Outra situação, é a possibilidade de criar uma nova escola para o primeiro ciclo, porque a Escola Ciência Viva tem 300 alunos e está no limite da sua capacidade, podendo, também, ainda expandir-se. Mas, se pudermos criar noutra zona do território... A fase da concentração de meios já foi mais produtiva do que atualmente. Temos que encarar estas questões conjunturais, no momento em que elas estão. Estruturalmente, faz sentido estar tudo agrupado. Conjunturalmente, há uns anos, fazia mais do que atualmente. E, portanto, neste momento, temos que pensar numa nova solução.

 

Ampliar e não limitar, por exemplo, a entrada na escola só a alunos residentes no concelho. Porque há muita procura de fora do concelho.

Nós podemos balizar algumas situações, dar algumas prioridades, mas não podemos vedar a entrada a ninguém que seja de fora do concelho. Contudo, desde o ano passado, ou nos últimos dois anos, temos vindo a assistir a um fenómeno interessante. Mais de 30%, mais de um terço dos alunos, vinham do concelho do Entroncamento. Continuamos com o mesmo número de alunos e essa percentagem já diminuiu. Porquê? Porque muitos dos pais destas crianças, vieram viver para Vila Nova da Barquinha.

 

Também daí o aumento da população.

O fenómeno foi inverso. Nós tivemos o aumento de população. E somos dos poucos concelhos de baixa densidade que cresceram.

 

Desporto e associativismo. Esta é uma aposta sua, a nível pessoal. Para já, em termos de novos equipamentos, há os campos de padel. Que mais tem na manga?

Já temos, neste momento, uma Power Station a funcionar junto às piscinas. É um equipamento de ginástica ao ar livre para as pessoas se poderem exercitar, praticar exercício físico. Já está a funcionar. E vamos ter, dentro de pouco tempo, uma pista de atletismo a funcionar mesmo lá ao lado. Com um pavilhão projetado, mas para iniciar ainda a obra este ano, eventualmente, na mesma zona. Não é um pavilhão com as dimensões do municipal, mas um pavilhão em que uma equipa que queira fazer um jogo informal, que queira treinar, miúdos que queiram fazer umas provas, possam ter um espaço para treinar. Os que temos já estão super carregados. O da Praia do Ribatejo também já está cheio. Nós conseguimos, neste pouco tempo, com a minha gestão na altura do desporto, encher os dois em pouco tempo. E, portanto, temos vindo a desenvolver isto. Também temos novas provas. Temos o Barquinha Night Run, uma prova que está aqui em força. Temos a questão do 25 de Abril, que mudou completamente o figurino daquilo que era e vimos as provas este ano. E cá estamos para avançar.

 

Ponte da Praia do Ribatejo. Após a visita do ministro Miguel Pinto Luz, já houve algum andamento ou alguma conversa?

O que nós temos, em concreto, são alguns contactos com Constância, que obviamente somos os dois interessados. Temos também contactos com o senhor presidente da Câmara de Abrantes, no sentido de termos uma solução para todos. O facto de ele estar envolvido na nossa solução, já vem trazer um aporte muito significativo àquilo que são as nossas pretensões.

 

Mas, de qualquer maneira, as pretensões continuam a passar por duas pontes? Uma ligação ao IC9 e uma solução para a ponte da Praia do Ribatejo - Constância?

Não necessariamente. Poderá ser uma única solução, depende da localização da mesma. A que existe, poderá funcionar de uma forma residual ou de outra forma. Se tirar o fluxo de trânsito que tem atualmente, vai-nos reduzir os problemas que nós temos neste momento.

 

Para além dos constrangimentos ao trânsito e à passagem de pesados, aquela ponte tem a questão militar. Temos o Campo Militar de um lado e o Polígono de Tancos no outro. Isto vai ter peso político na tomada de decisões?

Na minha opinião pessoal, e seguramente não será a única, essa é a pedra de toque desta questão. É isso que fará, e que fez o senhor ministro repensar aquilo que inicialmente era a ideia com que chegou à nossa reunião.

 

Já arrancaram as obras para o novo Parque de Negócios? Como é que está esse processo?

Está mais atrasado do que eu queria que estivesse neste momento. Porque estamos a tratar das questões burocráticas da alteração do regime simplificado do PDM. Vai entrar agora na fase de conferência procedimental e depois de termos essa situação resolvida, em paralelo, iremos entrar com os projetos. O estudo de impacte ambiental e todos os projetos que são necessários para isso.

 

Para o futuro parque de negócios, como é que já está em termos de interesse para ocupação?

Eu diria que se eu quisesse vender o Parque de Negócios todo, já o tinha vendido. Neste momento, tenho empresas interessadas em comprar a área total do parque de negócios. Obviamente, nunca irei aceitar uma solução dessas. A solução que irei aceitar, mas também irei pensar muito bem, porque a solução que se preconiza será em lotes, não com os tamanhos que inicialmente ficaram previstos para o primeiro, para o CDN, mas com lotes muito maiores. Porque vimos que a procura é sempre em lotes grandes. Para a implantação de grandes empresas. As empresas querem lotes com vários hectares e não lotes pequenos.

 

A questão do investimento na defesa...

Vai ser um fator de desenvolvimento e vai ser um fator de centralização de mais empresas.

 

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