Antena Livre
Deseja receber notificações?
Município Abrantes
PUB

Exército: ARTEX 26 coloca Santa Margarida no centro da inovação militar europeia (c/áudio)

15/10/2026 às 15:14

O Campo Militar de Santa Margarida recebeu três semanas de experimentação militar que juntaram mais de 200 especialistas, militares e investigadores, numa iniciativa que integrou, pela primeira vez, o exercício ARTEX 26 do Exército Português e a campanha de experimentação operacional OPEX 26 da Agência Europeia de Defesa. O evento, que contou com a presença do Presidente da República, reuniu representantes das Forças Armadas, da indústria e de instituições de investigação europeias, com destaque para o desenvolvimento e teste de drones, sistemas autónomos, inteligência artificial e novas tecnologias aplicadas ao campo de batalha.

O Campo Militar de Santa Margarida, no concelho de Constância, afirmou-se como um dos principais centros europeus de experimentação de novas tecnologias militares, ao acolher o ARTEX 26 e a campanha OPEX 26 da Agência Europeia de Defesa (EDA).

O exercício, que decorreu ao longo de três semanas, permitiu testar equipamentos e soluções tecnológicas em condições operacionais exigentes, aproximando as necessidades das Forças Armadas da investigação científica e da capacidade de desenvolvimento da indústria europeia.

Na sessão de apresentação dos resultados, o Chefe do Estado-Maior do Exército, general Mendes Ferrão, destacou a evolução do ARTEX desde a primeira edição, em 2023, considerando que a iniciativa deixou de ser uma demonstração nacional de tecnologias emergentes para se transformar numa plataforma de experimentação operacional reconhecida internacionalmente.

 

General Mendes Ferrão, CEME 

«A capacidade de experimentar, integrar e validar novas tecnologias deixou de ser uma opção e passou a constituir uma necessidade estratégica», afirmou o responsável militar.

Segundo Mendes Ferrão, os exércitos que conseguirem transformar mais rapidamente o conhecimento científico em capacidade operacional estarão melhor preparados para enfrentar os desafios da defesa nas próximas décadas.

A integração da campanha europeia OPEX 26 no ARTEX representa, na perspetiva do general, o reconhecimento da maturidade e credibilidade alcançadas pelo Exército Português junto dos parceiros internacionais.

O Chefe do Estado-Maior do Exército defendeu ainda que Portugal reúne condições para se afirmar como um centro europeu de experimentação tecnológica militar.

Esta ambição está associada à criação de um ecossistema que aproxima as Forças Armadas, universidades, centros de investigação e empresas, permitindo acelerar o desenvolvimento de novos equipamentos e capacidades operacionais.

Mendes Ferrão destacou também a importância da futura Zona Livre Tecnológica de Dom Afonso Henriques, prevista para São Jacinto, Santa Margarida e Beja, destinada à realização de testes em ambientes terrestres e aéreos, incluindo a utilização de munições e explosivos em condições reais.

 

General Mendes Ferrão, CEME 

O responsável militar referiu igualmente a integração do Centro de Experimentação e Modernização Tecnológica do Exército num ecossistema de inovação da NATO, através de um memorando de entendimento.

Outra dimensão salientada foi a possibilidade de utilizar algumas das tecnologias militares em missões civis, nomeadamente no combate aos incêndios florestais, em situações de catástrofe e no apoio às populações.

Agência Europeia de Defesa destaca experiência da Ucrânia e importância dos drones

O diretor executivo da Agência Europeia de Defesa, tenente-general André Denck, sublinhou que a guerra na Ucrânia e as ameaças híbridas à Europa demonstram a necessidade de acelerar a inovação militar.

Na sua intervenção, considerou que a Europa tem de estar preparada para se defender, dispondo de Forças Armadas bem equipadas, de uma indústria capaz de produzir rapidamente e de tecnologias que permitam responder a novas ameaças.

«As ideias inovadoras são decisivas no campo de batalha. Quem dispõe de vantagem tecnológica prevalece», afirmou.

André Denck revelou que a campanha OPEX 26 envolveu mais de 200 especialistas, utilizadores militares e inovadores, contando ainda com a participação de parceiros ucranianos, que partilharam experiências adquiridas diretamente na frente de combate.

A presença de mais de 100 representantes da indústria no evento foi igualmente destacada como demonstração do interesse europeu neste modelo de experimentação.

 

André Denck, diretor executivo da Agência Europeia de Defesa

Em Santa Margarida, os trabalhos concentraram-se em três grandes áreas: munições de ataque persistente, conhecidas como drones kamikaze, logística multidomínio e tecnologias destinadas a responder aos desafios identificados na guerra da Ucrânia.

No primeiro domínio, foram testados sistemas capazes de atingir alvos com precisão e a custos reduzidos, procurando avaliar a sua resistência a interferências eletrónicas.

Na logística militar, os ensaios envolveram drones destinados ao transporte de munições, combustível, água e outros abastecimentos, reduzindo a exposição dos soldados aos perigos do campo de batalha.

A terceira vertente esteve associada à iniciativa BraveTech EU, financiada pela Comissão Europeia com 100 milhões de euros, que pretende acelerar o desenvolvimento de tecnologias militares inovadoras.

O responsável europeu defendeu que a experimentação deve tornar-se um processo contínuo e que as soluções desenvolvidas têm de chegar efetivamente às Forças Armadas.

«As boas ideias não podem ficar esquecidas numa prateleira. Têm de chegar a quem delas necessita: as Forças Armadas», afirmou.

André Denck agradeceu ainda ao Exército Português e, em particular, ao general Mendes Ferrão, o acolhimento da campanha europeia, manifestando disponibilidade para regressar a Portugal.

Nuno Melo considera ARTEX um laboratório do futuro da defesa

O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, classificou o ARTEX 26 como um verdadeiro laboratório de inovação militar, considerando que Santa Margarida demonstrou a capacidade de Portugal para participar no desenvolvimento das tecnologias que estão a transformar os conflitos armados.

«Por estes dias, o ARTEX foi um verdadeiro laboratório do futuro na defesa», afirmou o governante, acrescentando que muitas dessas tecnologias já fazem parte do presente.

O ministro destacou os sistemas não tripulados, drones, sensores, comunicações, vigilância, guerra eletrónica, sistemas de contramedidas e foguetes, a par da crescente utilização da inteligência artificial.

Segundo Nuno Melo, a rapidez da evolução tecnológica está a alterar profundamente as operações militares, com ciclos de inovação que, em determinados sistemas, já se medem em semanas ou mesmo dias.

«Quem não evolui, perde no campo de batalha», alertou.

 

Nuno Melo, ministro da Defesa Nacional

O governante sublinhou que o ARTEX tem permitido aproximar os protótipos tecnológicos dos produtos com aplicação operacional e potencial de comercialização, através da colaboração entre militares, empresas, universidades, institutos politécnicos e centros de investigação.

Nuno Melo destacou ainda o crescimento do exercício, que este ano duplicou o número de empresas participantes e registou um aumento dos sistemas testados, dos países e das nacionalidades representadas.

Para o ministro, a realização simultânea do ARTEX e da OPEX confirma a internacionalização de uma iniciativa que se tornou uma referência do Exército Português.

O governante relacionou este trabalho com o reforço do investimento nacional na defesa, recordando que Portugal atingiu, em 2025, a meta de 2% do Produto Interno Bruto destinada ao setor.

No entanto, considerou que o investimento financeiro, por si só, não é suficiente, sendo necessário transformá-lo em capacidades concretas e em inovação tecnológica.

Nuno Melo, ministro da Defesa Nacional 

Nuno Melo defendeu também que o reforço do pilar europeu da NATO deve passar por Portugal, aproveitando as competências das Forças Armadas, das instituições científicas e da indústria nacional.

O ministro deixou um reconhecimento especial ao general Mendes Ferrão e ao Centro de Experimentação e Modernização Tecnológica do Exército, pelo trabalho desenvolvido na organização e consolidação do ARTEX.

A realização conjunta dos dois exercícios em Santa Margarida foi apresentada pelos responsáveis militares e políticos como um passo importante para reforçar a posição de Portugal na inovação europeia de defesa, numa altura em que os conflitos internacionais demonstram a crescente importância dos sistemas autónomos, da inteligência artificial e da capacidade de adaptação tecnológica.

Quatro empresas europeias premiadas em Santa Margarida com 300 mil euros cada

BraveTech EU distingue soluções de robótica, drones autónomos, inteligência artificial e sistemas de combate a drones

A sessão de apresentação dos resultados do ARTEX 26 e da OPEX 26 ficou também marcada pelo anúncio das quatro empresas vencedoras da fase de experimentação da iniciativa BraveTech EU.

Os prémios foram apresentados pelo diretor executivo da Agência Europeia de Defesa, André Denck, que destacou a importância da cooperação entre empresas tecnológicas e utilizadores militares no desenvolvimento de soluções adaptadas às necessidades reais do campo de batalha.

Das seis empresas participantes, provenientes de seis Estados-Membros da União Europeia, quatro foram selecionadas para receber 300 mil euros cada uma, destinados à continuação do desenvolvimento das respetivas tecnologias.

As empresas distinguidas foram:

EdgeX Robotics — Polónia

A empresa polaca apresentou um veículo terrestre não tripulado, de custo acessível, destinado a missões de logística, busca e evacuação de feridos. O equipamento permite transportar abastecimentos para a linha da frente e retirar militares feridos, reduzindo a exposição dos soldados ao perigo. O representante da empresa na cerimónia foi Dominik Klokowski.

CovaLabs — Finlândia

A empresa finlandesa desenvolveu uma solução de navegação autónoma que permite aos drones deslocarem-se em terrenos complexos, incluindo zonas arborizadas e locais com obstáculos. O sistema demonstrou capacidade para planear uma nova missão em apenas cinco minutos. O prémio foi recebido pelo diretor executivo, Touko Rautiainen.

Soraxel — França

A empresa francesa apresentou um sistema baseado em inteligência artificial que permite navegar sem recurso ao GPS, detetar e localizar alvos, incluindo os que se encontram camuflados, e transmitir essa informação diretamente aos sistemas de gestão de combate. A tecnologia procura responder aos problemas provocados pelas interferências eletrónicas nos campos de batalha. Louis Regnier representou a empresa na cerimónia.

Temterno Defense — Estónia

A empresa estónia está a desenvolver um sistema de foguetes de baixo custo, com um lançador que pode ser instalado em veículos ou drones. A tecnologia utiliza inteligência artificial para detetar e acompanhar alvos, permitindo realizar missões de combate a drones e operações de ataque. O objetivo é criar alternativas mais económicas à utilização de mísseis dispendiosos para neutralizar drones de baixo custo. O prémio foi recebido por Tönis Laiso.

As quatro empresas vão agora prosseguir o desenvolvimento dos seus projetos e participar, na primavera de 2027, na fase final da BraveTech EU, durante a qual as tecnologias serão novamente avaliadas.

As duas melhores soluções receberão um financiamento adicional de 500 mil euros cada uma.

A iniciativa terá continuidade em 2027 e 2028, procurando apoiar empresas emergentes e pequenas e médias empresas europeias no desenvolvimento de tecnologias com aplicação militar.

Para André Denck, os resultados obtidos em Santa Margarida demonstram que a Europa dispõe de capacidade científica e industrial para desenvolver soluções inovadoras, desde que exista uma ligação direta entre os investigadores, as empresas e as necessidades operacionais das Forças Armadas.

O objetivo final é que as tecnologias testadas possam ser utilizadas pelas forças militares europeias e ucranianas, contribuindo para reforçar a capacidade de resposta aos desafios da guerra moderna.

 

 

Galeria de Imagens

Partilhar nas redes sociais:
Partilhar no X
PUB
• Capas Jornal de Abrantes
Jornal de Abrantes - outubro 2026
Jornal de Abrantes - outubro 2026
PUB