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Abrantes: Associação de Agricultores defende intervenção na Ribeira do Alcolobre e diz que obra ainda não está concluída (c/áudio)

5/08/2026 às 15:36

O presidente da Associação de Agricultores de Abrantes, Luís Damas, defendeu a intervenção realizada na Ribeira do Alcolobre, afirmando que a obra integra um projeto agrícola mais abrangente e que ainda não está concluída, pelo que a reposição da vegetação ribeirinha deverá ocorrer na próxima época de plantação.

Em declarações à Rádio Antena Livre, na sequência da polémica gerada pela limpeza das margens da ribeira, o dirigente explicou que a associação acompanha o projeto desde o início e considera que a intervenção foi necessária para recuperar uma linha de água que, segundo disse, se encontrava em estado de abandono há várias décadas.

"O projeto não é apenas de olival. Inclui também montado de sobro, uma área de eucalipto e várias intervenções em diferentes prédios dos concelhos de Abrantes e Constância. Dentro desse projeto existia também uma referência à limpeza das linhas de água", afirmou.

Segundo Luís Damas, o aspeto atual da ribeira não corresponde ao resultado final da intervenção.

"A obra ainda não acabou. Quando chegar a época da plantação vão ser colocadas árvores ripícolas, como salgueiros e outras espécies próprias das margens da ribeira."

O responsável reconhece que a imagem causada pela limpeza provocou impacto na população, mas considera que essa perceção resulta de a intervenção ainda estar incompleta.

"Houve um choque por se ver um local que tinha árvores e que, de repente, ficou limpo. Mas aquilo que existia era maioritariamente acácia, uma espécie invasora que se propagava ao longo da linha de água."

Luís Damas defende que a limpeza permitiu remover sedimentos, troncos e vegetação que se acumulavam na ribeira há cerca de quatro ou cinco décadas.

Segundo explicou, o leito da Ribeira do Alcolobre encontrava-se praticamente ao nível dos terrenos agrícolas, provocando inundações frequentes devido à proximidade da foz no rio Tejo.

"Quem conhece a ribeira sabe que o leito estava ao nível do solo agrícola. No inverno passado aqueles terrenos estiveram inundados durante mais de cinco meses."

O dirigente compara ainda esta intervenção com a efetuada na Ribeira de Rio de Moinhos, defendendo que também nessa altura existiram críticas que, na sua opinião, não se confirmaram.

"Hoje a Ribeira de Rio de Moinhos tem peixes e está recuperada. Na altura também houve contestação e afinal nada daquilo que se dizia aconteceu."

O presidente da Associação de Agricultores considera que o projeto permitirá recuperar terrenos agrícolas considerados dos mais férteis da região.

"Estamos a falar de alguns dos melhores solos agrícolas do país. Este investimento privado vem trazer riqueza ao território e aumentar a capacidade produtiva daqueles campos", afirmou.

Luís Damas, presidente Associação Agriculores de Abrantes

Luís Damas acrescenta que a empresa promotora retirou igualmente grandes quantidades de resíduos depositados na propriedade, nomeadamente colchões, plásticos e outros lixos acumulados ao longo dos anos.

"Foram retiradas toneladas de lixo e isso praticamente ninguém referiu. Também isso representa uma melhoria ambiental."

Licenciamento poderá carecer de esclarecimento

Questionado sobre a informação transmitida pela Câmara Municipal de Abrantes de que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) não tinha licenciado a intervenção, Luís Damas admite que poderá existir algum aspeto processual por esclarecer.

"Pelo que sei, havia autorização para limpar as linhas de água. Se calhar pode haver algum afinamento ou alguma situação que não esteja a 100%, mas a obra tinha de ser feita."

Ainda assim, sublinha que todas as intervenções devem cumprir a legislação em vigor.

"Estamos do lado do promotor, claro que sempre com respeito pelas regras do país."

Apesar da polémica, Luís Damas mostra-se convicto de que a intervenção acabará por beneficiar a Ribeira do Alcolobre.

"Daqui a um ou dois anos aquela ribeira vai ter nova vida. Acreditamos que foi uma obra de melhoramento, para repor o leito da ribeira, retirar infestantes e desassorear a linha de água."

As declarações surgem depois de a Câmara Municipal de Abrantes ter revelado que a Agência Portuguesa do Ambiente informou o município de que não existia qualquer processo de licenciamento para a intervenção e que irá deslocar técnicos ao local e que poderá mesmo instaurar um processo de contraordenação, além de exigir a recuperação da galeria ripícola e das margens afetadas.

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