Os autarcas de Tomar e Ferreira do Zêzere alertaram hoje para o aumento do risco de incêndios no centro do país, com milhares de árvores derrubadas por recolher e obstrução dos caminhos rurais, que são acesso dos bombeiros.
A zona centro do país é particularmente atingida por incêndios rurais no verão e a depressão Kristin, na semana passada, criou problemas adicionais, que se irão sentir nos meses mais quentes, avisam.
“Isto vai criar um pasto para incêndios”, admitiu o presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão, apontando os problemas de acessos a zonas isoladas, mas também a limpeza dos caminhos junto às casas.
“Temos muito trabalho para fazer, que não sei se será possível fazer”, disse.
Por seu turno, o presidente da vizinha câmara de Ferreira do Zêzere considera que esse é um problema que não será resolvido em tempo útil: “Nós não vamos ter capacidade para desobstruir as vias vicinais ou as estradas florestais a tempo do verão”.
A necessidade de atribuir recursos à reparação das casas vai retirar meios das florestas e se fosse possível retirar “rendimento das árvores que estão caídas", disse Bruno Gomes.
"Tínhamos a garantia de que as empresas avançariam rapidamente, porque tinham também ali algum rendimento”, explicou.
“Mas o que vai acontecer é não vamos conseguir garantir, porque é humanamente impossível garantir que todas as vias florestais fiquem libertas”, salientou.
São milhares os troncos caídos e não se pode “chegar lá com uma máquina e empurrar porque são árvores atrás de árvores”, considerou Bruno Gomes.
Depois será a manta morta que irá persistir nos solos, o que preocupa o autarca de Ferreira do Zêzere.
“Nós já estávamos num ponto de saturação no concelho, porque sabemos de x em x anos acontecem incêndios de grande dimensão e isto vai exponenciar mesmo muito esse risco”, explicou.
Ora esta é uma situação que à começou a ser aflorada pelo comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Mário Silvestre. O Instituto Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) deverá começar a olhar para a rede de caminhos florestais no sentido de identificar as necessidades de desobstrução destas vias antes de chegar o verão e a época de incêndios florestais.
Refira-se que a tempestade Kristin arrasou uma zona tradicionalmente complexa no que diz respeito a incêndios.
David Lobato, comandante da Proteção Civil do Médio Tejo, e Manuel Jorge Valamatos, presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil de Santarém, indicaram que todas as árvores caídas podem representar um risco quando for necessário ir para as zonas florestais.
Há, para além dos caminhos, muita matéria que se não for removida ou destroçada pode ser mais matéria combustível para eventuais incêndios florestais.
Manuel Jorge Valmatos frisou que depois da Kristin há o olhar para as cheias do Tejo e já se está a pensar, mais à frente, nos incêndios de verão.

Todas as regiões fustigadas pela depressão Kristin têm milhares de árvores arrancadas ou tombadas. Há zonas com hectares de floresta com as árvores partidas ao meio pela violência dos ventos. São zonas que têm de ter uma limpeza antes do verão para evitar mais complexidade a uma região que a cada verão tem sempre um elevado risco de ocorrência de incêndios de grandes dimensões.
C/Lusa