O Tagusvalley vai aumentar a capacidade de acolhimento de empresas, startups e unidades de investigação através de um investimento apoiado pelo Centro 2030. A candidatura foi aprovada e contratualizada no final de agosto, revelou o diretor-geral do parque durante uma apresentação à ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.
A visita permitiu também avançar para a passagem da gestão operacional da Zona Livre Tecnológica de Abrantes para o plano local. A gestão encontra-se atualmente atribuída por lei à Direção-Geral de Energia e Geologia, estando agora em preparação um modelo que deverá envolver diretamente o Tagusvalley.
Pedro Saraiva apresentou à governante as principais áreas de intervenção do Parque de Ciência e Tecnologia, desde a incubação empresarial e industrial à investigação aplicada, passando pelas tecnologias de informação, biotecnologia, economia circular, setor alimentar e formação científica e tecnológica.
O edifício principal do Tagusvalley concentra a componente administrativa e a incubadora, onde estão atualmente instaladas 57 empresas, distribuídas por espaços de coworking e salas individuais.
A taxa de ocupação e a falta de espaços com maior dimensão justificam, segundo Pedro Saraiva, a necessidade de ampliar as instalações.
«Temos 16 salas disponíveis, mas a maior tem cerca de 30 metros quadrados. Daí a nossa necessidade de expansão e o investimento que estamos atualmente a concretizar», explicou.
Pedro Saraiva, diretor-geral Tagusvalley

A maioria das empresas instaladas possui uma base tecnológica, embora a incubadora acolha projetos de diferentes setores para responder às necessidades da economia local.
A estrutura é reconhecida pela Rede Nacional de Incubadoras e obteve recentemente a classificação de incubadora tecnológica — Incubadora TEC — atribuída no âmbito do novo enquadramento da Startup Portugal.
A principal novidade apresentada à ministra foi a aprovação da candidatura destinada à expansão do Tagusvalley, financiada pelo Centro 2030 através do Fundo para a Transição Justa.
«A candidatura foi aprovada e contratualizada no final do mês de agosto», anunciou Pedro Saraiva.
O investimento permitirá criar novos espaços para empresas, startups, grupos e unidades de investigação. A intervenção contempla igualmente uma área flexível que poderá receber eventos, alargar a incubadora ou permitir a instalação de um laboratório de maior dimensão.
Pedro Saraiva, diretor-geral Tagusvalley

O projeto prevê ainda a construção de mais três blocos destinados à aceleração e incubação industrial, além do reforço dos equipamentos tecnológicos.
O Fundo para a Transição Justa tem como objetivo apoiar os territórios mais afetados pela transição para uma economia descarbonizada. No caso de Abrantes, está diretamente relacionado com o impacto económico provocado pelo encerramento da Central Termoelétrica do Pego.
Incubação industrial é uma das prioridades
O Tagusvalley pretende reforçar a incubação industrial de base tecnológica, oferecendo às empresas espaços onde possam desenvolver, testar e colocar produtos no mercado.
O parque projetou inicialmente pequenas unidades industriais com cerca de 175 metros quadrados. Parte desses espaços foi posteriormente ocupada pela Escola Superior de Tecnologia de Abrantes e por unidades de investigação.
Para recuperar e ampliar esta vertente, foram projetados dez blocos de aceleração empresarial. Três já estão instalados e ocupados, estando agora prevista a construção de mais três.
«A incubação industrial é um foco grande e relevante para o desenvolvimento económico», salientou o diretor-geral.
Na área dos processos industriais, o Tagusvalley trabalha em articulação com o Instituto Politécnico de Tomar. O polo de Abrantes concentra competências ligadas à mecânica e à metalomecânica, enquanto Tomar possui formação e investigação nas áreas da eletrotecnia e eletrónica.
A colaboração combina ainda as tecnologias de informação partilhadas entre os dois polos.
Segundo Pedro Saraiva, a natureza politécnica destas estruturas permite desenvolver investigação aplicada, orientada para necessidades concretas das empresas.
O projeto de instalação da Escola Superior de Tecnologia no Tagusvalley pretende duplicar a capacidade de atração e fixação de estudantes e aumentar a investigação desenvolvida no parque.
O Food Fab Lab, inicialmente criado para apoiar o setor agroalimentar, está a alargar a atividade à biotecnologia, economia circular, fermentação e valorização de resíduos e subprodutos.

Foto: Media On | Marina Gonçalves
A unidade possui licenciamento industrial, o que permite acompanhar os projetos desde o desenvolvimento e teste até à fabricação e colocação dos produtos no mercado.
Um investimento recente realizado no âmbito do PRR dotou o laboratório de equipamentos de extração e de um biorreator, criando condições para aumentar a escala dos processos de fermentação.
O Tagusvalley participa também em redes nacionais e europeias ligadas à alimentação de base vegetal, à biotecnologia e à bioeconomia, incluindo o EIT Food, a Biotech Alliance e o Hub da Bioeconomia do Centro.
A apresentação incluiu ainda o trabalho desenvolvido pelo Skillium, unidade de promoção da cultura científica e tecnológica.
O projeto T-CODE, dedicado à literacia digital, começou em Abrantes e integra atualmente o projeto educativo dos 11 municípios do Médio Tejo, abrangendo alunos desde o primeiro ciclo até ao ensino secundário.
Já o projeto ATÉGINA promove a economia circular junto dos estudantes dos últimos anos de escolaridade. A iniciativa chegou a envolver cerca de 1.800 alunos, incentivando-os a identificar problemas, desenhar soluções e apresentar publicamente os seus projetos.
Zona Livre Tecnológica com gestão mais próxima do território
Durante a visita ficou acordado avançar para um modelo local de gestão operacional da Zona Livre Tecnológica de Abrantes, atualmente sob responsabilidade legal da Direção-Geral de Energia e Geologia.
A Zona Livre Tecnológica pretende criar condições para testar soluções inovadoras nas áreas da energia, armazenamento, redes inteligentes e descarbonização, em ambiente real e com acompanhamento regulatório.
Maria Graça Carvalho, ministra Ambiente

A expansão agora financiada poderá fornecer novos espaços de incubação, laboratórios e equipamentos para acolher empresas e projetos associados à Zona Livre Tecnológica. O modelo concreto de gestão e a capacidade elétrica que lhe será atribuída continuam a ser trabalhados com a DGEG.