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Empresas: Tagusvalley vai reforçar incubação e acolhimento de empresas com apoio do Fundo para a Transição Justa (c/áudio)

17/09/2026 às 10:17
Foto: Media On | Marina Gonçalves

O Tagusvalley vai aumentar a capacidade de acolhimento de empresas, startups e unidades de investigação através de um investimento apoiado pelo Centro 2030. A candidatura foi aprovada e contratualizada no final de agosto, revelou o diretor-geral do parque durante uma apresentação à ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

A visita permitiu também avançar para a passagem da gestão operacional da Zona Livre Tecnológica de Abrantes para o plano local. A gestão encontra-se atualmente atribuída por lei à Direção-Geral de Energia e Geologia, estando agora em preparação um modelo que deverá envolver diretamente o Tagusvalley.

Pedro Saraiva apresentou à governante as principais áreas de intervenção do Parque de Ciência e Tecnologia, desde a incubação empresarial e industrial à investigação aplicada, passando pelas tecnologias de informação, biotecnologia, economia circular, setor alimentar e formação científica e tecnológica.

O edifício principal do Tagusvalley concentra a componente administrativa e a incubadora, onde estão atualmente instaladas 57 empresas, distribuídas por espaços de coworking e salas individuais.

A taxa de ocupação e a falta de espaços com maior dimensão justificam, segundo Pedro Saraiva, a necessidade de ampliar as instalações.

«Temos 16 salas disponíveis, mas a maior tem cerca de 30 metros quadrados. Daí a nossa necessidade de expansão e o investimento que estamos atualmente a concretizar», explicou.

 

Pedro Saraiva, diretor-geral Tagusvalley

A maioria das empresas instaladas possui uma base tecnológica, embora a incubadora acolha projetos de diferentes setores para responder às necessidades da economia local.

A estrutura é reconhecida pela Rede Nacional de Incubadoras e obteve recentemente a classificação de incubadora tecnológica — Incubadora TEC — atribuída no âmbito do novo enquadramento da Startup Portugal.

A principal novidade apresentada à ministra foi a aprovação da candidatura destinada à expansão do Tagusvalley, financiada pelo Centro 2030 através do Fundo para a Transição Justa.

«A candidatura foi aprovada e contratualizada no final do mês de agosto», anunciou Pedro Saraiva.

O investimento permitirá criar novos espaços para empresas, startups, grupos e unidades de investigação. A intervenção contempla igualmente uma área flexível que poderá receber eventos, alargar a incubadora ou permitir a instalação de um laboratório de maior dimensão.

 

Pedro Saraiva, diretor-geral Tagusvalley

O projeto prevê ainda a construção de mais três blocos destinados à aceleração e incubação industrial, além do reforço dos equipamentos tecnológicos.

O Fundo para a Transição Justa tem como objetivo apoiar os territórios mais afetados pela transição para uma economia descarbonizada. No caso de Abrantes, está diretamente relacionado com o impacto económico provocado pelo encerramento da Central Termoelétrica do Pego.

Incubação industrial é uma das prioridades

O Tagusvalley pretende reforçar a incubação industrial de base tecnológica, oferecendo às empresas espaços onde possam desenvolver, testar e colocar produtos no mercado.

O parque projetou inicialmente pequenas unidades industriais com cerca de 175 metros quadrados. Parte desses espaços foi posteriormente ocupada pela Escola Superior de Tecnologia de Abrantes e por unidades de investigação.

Para recuperar e ampliar esta vertente, foram projetados dez blocos de aceleração empresarial. Três já estão instalados e ocupados, estando agora prevista a construção de mais três.

«A incubação industrial é um foco grande e relevante para o desenvolvimento económico», salientou o diretor-geral.

Na área dos processos industriais, o Tagusvalley trabalha em articulação com o Instituto Politécnico de Tomar. O polo de Abrantes concentra competências ligadas à mecânica e à metalomecânica, enquanto Tomar possui formação e investigação nas áreas da eletrotecnia e eletrónica.

A colaboração combina ainda as tecnologias de informação partilhadas entre os dois polos.

Segundo Pedro Saraiva, a natureza politécnica destas estruturas permite desenvolver investigação aplicada, orientada para necessidades concretas das empresas.

O projeto de instalação da Escola Superior de Tecnologia no Tagusvalley pretende duplicar a capacidade de atração e fixação de estudantes e aumentar a investigação desenvolvida no parque.

O Food Fab Lab, inicialmente criado para apoiar o setor agroalimentar, está a alargar a atividade à biotecnologia, economia circular, fermentação e valorização de resíduos e subprodutos.

Foto: Media On | Marina Gonçalves

A unidade possui licenciamento industrial, o que permite acompanhar os projetos desde o desenvolvimento e teste até à fabricação e colocação dos produtos no mercado.

Um investimento recente realizado no âmbito do PRR dotou o laboratório de equipamentos de extração e de um biorreator, criando condições para aumentar a escala dos processos de fermentação.

O Tagusvalley participa também em redes nacionais e europeias ligadas à alimentação de base vegetal, à biotecnologia e à bioeconomia, incluindo o EIT Food, a Biotech Alliance e o Hub da Bioeconomia do Centro.

A apresentação incluiu ainda o trabalho desenvolvido pelo Skillium, unidade de promoção da cultura científica e tecnológica.

O projeto T-CODE, dedicado à literacia digital, começou em Abrantes e integra atualmente o projeto educativo dos 11 municípios do Médio Tejo, abrangendo alunos desde o primeiro ciclo até ao ensino secundário.

Já o projeto ATÉGINA promove a economia circular junto dos estudantes dos últimos anos de escolaridade. A iniciativa chegou a envolver cerca de 1.800 alunos, incentivando-os a identificar problemas, desenhar soluções e apresentar publicamente os seus projetos.

Zona Livre Tecnológica com gestão mais próxima do território

Durante a visita ficou acordado avançar para um modelo local de gestão operacional da Zona Livre Tecnológica de Abrantes, atualmente sob responsabilidade legal da Direção-Geral de Energia e Geologia.

A Zona Livre Tecnológica pretende criar condições para testar soluções inovadoras nas áreas da energia, armazenamento, redes inteligentes e descarbonização, em ambiente real e com acompanhamento regulatório.

Maria Graça Carvalho, ministra Ambiente

 

A expansão agora financiada poderá fornecer novos espaços de incubação, laboratórios e equipamentos para acolher empresas e projetos associados à Zona Livre Tecnológica. O modelo concreto de gestão e a capacidade elétrica que lhe será atribuída continuam a ser trabalhados com a DGEG.

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