O CRIA – Centro de Recuperação e Integração de Abrantes regressou da primeira participação internacional no judo adaptado com um resultado pleno: três atletas em competição e três medalhas conquistadas. Diana Pereira e Bruno Charuto arrecadaram o ouro e Nuno Batista trouxe o bronze do Gdańsk Get Together Tournament 2026, realizado nos dias 26 e 27 de setembro, na Polónia.
A participação em Gdańsk foi o resultado de um trabalho que ganhou maior consistência nos últimos meses. Diogo Rosado, monitor do CRIA e um dos responsáveis pelo projeto juntamente com Joana Teixeira, explica que os atletas passaram a treinar regularmente em Abrantes, complementando a preparação com uma deslocação mensal a Torres Novas para trabalhar com outras instituições.
Depois das primeiras competições nacionais surgiu a possibilidade de atravessar fronteiras.
Diogo Rosado
A deslocação foi suportada essencialmente pelo CRIA, com uma participação dos atletas no valor definido pela direção. A preparação contou com o apoio técnico da associação de judo, do mestre Luís e de Joana Teixeira.
Era uma oportunidade inédita e a comitiva partiu para a Polónia sem saber exatamente o nível que iria encontrar.
“Fomos completamente às cegas”, admite Diogo Rosado.
Os três atletas foram inicialmente inscritos no nível 4. No primeiro dia, porém, as pesagens e a avaliação das capacidades dos participantes ditaram uma alteração importante: Bruno Charuto impressionou os responsáveis e foi promovido ao nível 3.
O aumento da dificuldade não impediu o atleta do CRIA de chegar ao lugar mais alto do pódio.
Diana Pereira conquistou igualmente o ouro, enquanto Nuno Batista conseguiu o bronze numa categoria particularmente exigente, a dos mais de 100 quilos.
Diogo Rosado

Crédito foto: Media On/Marina Gonçalves
O balanço não podia ser melhor: três atletas, três medalhas, duas delas de ouro, numa competição que, segundo o CRIA, reuniu 171 atletas de oito países e mais de duas dezenas de clubes.
“Dois ouros e um bronze para uma primeira participação é qualquer coisa de fantástico para a instituição”, resume Diogo Rosado.
Bruno Charuto encarou os combates sem grandes complicações. À pergunta sobre o nervosismo, a resposta foi direta: era entrar e combater. E a estratégia também estava definida: fazer aquilo que o mestre tinha ensinado.
A viagem proporcionou ainda algumas descobertas. Para Bruno foi a primeira experiência de avião. Gostou da comida, o frio foi suportável, mas houve uma coisa que não convenceu o novo campeão: a água.
E houve até um prémio inesperado para juntar à medalha: uma torradeira.
Bruno Charuto

Crédito foto: DR CRIA

Crédito foto: Media On/Marina Gonçalves
Para Nuno Batista, a dificuldade estava também na dimensão dos adversários. Na categoria acima dos 100 quilos encontrou atletas polacos maiores e mais pesados.
Percebeu que não seria fácil, mas entrou para “dar o máximo” e terminou com a medalha de bronze.
Nuno também trouxe uma história da viagem. Um isqueiro que passou inicialmente pelos controlos acabou por ficar retido durante o percurso. Sem dominar polaco, resolveu depois o problema através de gestos para conseguir pedir outro.
É uma pequena história, mas também um exemplo das situações novas que uma primeira deslocação internacional colocou aos atletas.
Nuno Batista

Crédito foto: DR CRIA

Crédito foto: Media On/Marina Gonçalves
Diana Pereira começou a competição frente a uma adversária portuguesa que já conhecia. A vitória ajudou a controlar o nervosismo e deu confiança para os combates seguintes.
No último encontro, a medalha de ouro chegou a parecer em risco.
“Já estava quase a perder, mas depois dei a volta e consegui ficar em primeiro”, recorda.
A medalha teve um significado especial. Diana decidiu que o ouro conquistado na Polónia ficará na instituição.
Diana Pereira

Crédito foto: DR CRIA

Crédito foto: Media On/Marina Gonçalves
Mais do que os resultados, Diogo Rosado destaca precisamente a experiência proporcionada aos três atletas. Para alguns, foi a primeira viagem de avião. Houve aeroportos, escalas, uma língua diferente, novos hábitos, alimentação, frio e o contacto com atletas de vários países.
A deslocação implicou também uma responsabilidade acrescida para quem os acompanhou. A viagem começou às três da manhã, teve dois voos e escalas prolongadas.
“Eles foram incríveis, transcenderam-se e o mais importante é que desfrutaram e tenho a certeza que nunca mais vão esquecer esta viagem”, afirma o monitor.
Diogo Rosado
E apesar de apenas Diana, Nuno e Bruno terem viajado até Gdańsk, Diogo Rosado faz questão de alargar as medalhas a todo o grupo.
O judo adaptado envolve atualmente cerca de 18 ou 19 atletas no CRIA. Desta vez só três puderam viajar, escolhidos pela capacidade demonstrada para competir neste nível. Na bagagem levavam, por isso, uma responsabilidade que ultrapassava os resultados individuais.
Representavam os colegas, o CRIA, Abrantes e Portugal.
Diogo Rosado
A subida da bandeira portuguesa ao lugar mais alto do pódio acabou por ser um dos momentos mais emocionantes para a equipa técnica.
Diogo Rosado admite que houve “um friozinho na barriga” ao ver os atletas conseguirem aquilo que tinham preparado em Abrantes.
Diogo Rosado

Crédito foto: Media On/Marina Gonçalves
O regresso também teve surpresa. Quando chegaram novamente ao CRIA, atletas e acompanhantes encontraram uma receção preparada pelos colegas e funcionários para celebrar as três medalhas conquistadas na Polónia.
Mas a estreia internacional poderá ser apenas o princípio.
O próximo objetivo está já identificado: Belgrado, na Sérvia, onde, segundo Diogo Rosado, deverá decorrer dentro de cerca de dois meses o Campeonato Europeu de Judo Adaptado.

Crédito foto: Media On/Marina Gonçalves
A participação ainda não está garantida. Os custos da deslocação terão de ser avaliados pela direção do CRIA e será necessário reunir apoios. Diogo Rosado referiu também a disponibilidade da Câmara Municipal de Abrantes para apoiar o projeto.
Diogo Rosado
Depois de três atletas terem ido à Polónia e os três regressarem medalhados, fica agora um novo desafio. “Temos mais um sonho de participar e ir até Belgrado.”
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