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Parque Tejo: Exposição sobre Agostinho Neto reforça ligação entre Abrantes e comunidade angolana

5/10/2026 às 10:13

A vida, o pensamento político e a obra literária de António Agostinho Neto estão em destaque numa exposição inaugurada no ParqueTejo, em Rossio ao Sul do Tejo. A mostra pretende também reforçar os laços entre a comunidade angolana e o concelho de Abrantes.

“Vida e Obra de Agostinho Neto” é o nome da exposição inaugurada no sábado, 26 de setembro, numa iniciativa promovida pelo Consulado-Geral de Angola em Lisboa, através da Associação Raízes de Angola – Abrantes e Médio Tejo.

A mostra percorre a vida e o legado do primeiro Presidente de Angola após a independência, em 1975, apresentando também a dimensão literária e poética de Agostinho Neto.

A inauguração contou com a presença da cônsul-geral da República de Angola em Portugal, embaixadora Vicência Ferreira Morais de Brito, e do presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos.

Na ocasião, a diplomata destacou o caráter pedagógico e cultural da iniciativa e anunciou que a exposição terá continuidade noutros espaços da região.

“A realização desta exposição em Abrantes é uma iniciativa que pretende divulgar a vida e obra do Dr. António Agostinho Neto. Tem um caráter pedagógico-cultural importante”, afirmou Vicência Ferreira Morais de Brito

Depois da passagem pelo ParqueTejo, a mostra deverá seguir para a Escola Secundária Dr. Solano de Abreu, estando igualmente previstas outras exibições no Médio Tejo.

A cônsul-geral recordou Agostinho Neto enquanto figura central da independência e da construção do Estado angolano, mas também enquanto escritor e poeta, destacando o seu legado no combate ao colonialismo e a outras formas de opressão e na defesa da liberdade e da paz.

No discurso, Vicência Ferreira Morais de Brito aproveitou ainda a presença em Abrantes para deixar uma mensagem dirigida à comunidade angolana residente em Portugal, defendendo um reforço do movimento associativo.

A diplomata sublinhou que tem aumentado o número de cidadãos angolanos que escolhem Portugal para viver e considerou que as associações podem desempenhar um papel importante na identificação dos problemas enfrentados pelas comunidades e na ligação ao Consulado e às instituições portuguesas.

“Às vezes não é uma questão de dinheiro, é uma questão de informação, é uma questão de escutar, ajudar, falar”, afirmou, apelando a uma maior solidariedade entre os cidadãos angolanos.

A cônsul-geral deixou também palavras de reconhecimento à Câmara de Abrantes pelo apoio à comunidade e à Associação Raízes de Angola, criada há cerca de um ano e que já promoveu no concelho várias iniciativas, entre as quais um ciclo de cinema angolano.

Também o presidente da Câmara de Abrantes destacou o papel da Associação Raízes de Angola na integração dos cidadãos que têm escolhido o concelho para viver.

Manuel Jorge Valamatos lembrou que a presença de cidadãos angolanos em Abrantes não é recente, embora tenha aumentado nos últimos anos, com a chegada de pessoas à procura de melhores condições de vida, segurança e oportunidades para as famílias.

“Nós queremos recebê-los super bem, porque vocês são muito importantes para nós. As nossas empresas precisam de mão de obra, as nossas indústrias precisam de gente, precisamos de gente com competências, gente com vontade de trabalhar e gente com vontade de se afirmar numa comunidade”, afirmou.

Para o autarca, a existência de uma associação representativa facilita a ligação entre a comunidade angolana e as instituições locais, nomeadamente nas áreas social, da educação e da juventude.

Valamatos defendeu ainda uma comunidade assente na igualdade, deixando a mensagem de que “aqui não há pessoas mais importantes que outras, todas as pessoas são importantes”.

O presidente da Câmara considerou igualmente que a exposição poderá marcar uma nova etapa na relação de Abrantes com a comunidade angolana e com as instituições de Angola.

Sobre Agostinho Neto, Manuel Jorge Valamatos destacou a dimensão política e literária do primeiro Presidente angolano, considerando-o uma das personalidades mais relevantes da história de Angola no século XX.

“Fez uma luta também com as palavras, com a escrita, mas foi um homem muito determinado no seu pensamento, sobretudo nesta visão global para um mundo melhor”, afirmou.

A exposição “Vida e Obra de Agostinho Neto” pode ser visitada no ParqueTejo, em Rossio ao Sul do Tejo, seguindo posteriormente para a Escola Secundária Dr. Solano de Abreu e, segundo a organização, para outros locais da região do Médio Tejo.

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