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Central Nuclear de Almaraz: Funcionamento prolongado até junho de 2030 e já há reações em Portugal

14/08/2026 às 12:37

O Ministério espanhol da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico (MITECO) renovou até junho de 2030 a licença de operação das Unidades I e II da Central Nuclear de Almaraz, segundo uma portaria hoje publicada.

A decisão encerra um processo que teve início oficialmente em outubro de 2025, quando os três proprietários da central – Iberdrola, Endesa e Naturgy – concordaram em pedir formalmente a prorrogação.

O encerramento gradual dos dois reatores estava inicialmente previsto para 01 de novembro de 2027, para a Unidade I, e 31 de outubro de 2028, para a Unidade II, em conformidade com o protocolo estabelecido pelas empresas de energia.

De acordo com a portaria ministerial, a prorrogação da licença de operação de Almaraz estará sujeita ao rigoroso cumprimento das condições e instruções de segurança emitidas pelo Conselho de Segurança Nuclear (CSN).

O CSN emitiu parecer favorável à renovação, solicitada em 16 de julho, condicionado ao cumprimento dos limites e requisitos de segurança nuclear e proteção radiológica agora definidos na portaria.

O parecer técnico do órgão regulador certificou e credenciou que a central nuclear de Cáceres atende às condições de segurança necessárias para operar com segurança durante o período de prorrogação.

Após o parecer, o processo foi encaminhado ao Governo, abrindo-se um prazo para que o executivo tomasse uma decisão final sobre a continuidade de funcionamento da central nuclear.

O Ministério também justifica a decisão com base no novo contexto energético internacional e na volatilidade dos preços do gás resultante da crise no Médio Oriente.

Segundo os cálculos referidos no diploma, a manutenção de Almaraz até 2030 teria um efeito "limitado e insignificante" na implantação de energias renováveis e contribuiria para a redução da dependência do gás.

 

Vila Velha de Ródão recebeu com apreensão a renovação da licença da Central Nuclear

A Câmara de Vila Velha de Ródão disse hoje estar muito apreensiva com a renovação da licença, até 2030, da Central Nuclear de Almaraz, na província de Cáceres, em Espanha.

“Esta decisão provoca uma profunda apreensão e até revolta, porque o que todos esperávamos era que o desmantelamento desta central fosse, finalmente, uma realidade”, afirmou o presidente da Câmara.

António Carmona mostrou-se estupefacto com a decisão e lamentou que se esteja perante uma espécie do “poder do mais forte”.

Reiterou a sua preocupação com o facto de o concelho de Vila Velha de Ródão, ser, a par do de Castelo Branco, dos mais afetados em caso de um eventual acidente naquele equipamento.

“Castelo Branco está na primeira linha, mas é em Vila Velha de Ródão que o Tejo entra em Portugal e muitas das consequências daquela laboração vêm rio abaixo”, alertou.

António Carmona lembrou também que “já está mais que ultrapassado o tempo de vida útil da Central Nuclear de Almaraz, o que, desde logo, aumenta o risco”.

“Não é possível andar tudo preocupado e em manifestações contra as centrais fotovoltaicas e não se tenha uma reação idêntica sobre esta”, lamentou, garantindo que, “independentemente de poder vir a ser tomada uma posição conjunta ao nível da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa, o Município de Vila Velha de Ródão vai questionar o Ministério do Ambiente sobre as medidas que tomou sobre esta licença”.

 

Castelo Branco manifesta preocupação com prolongamento até 2030 da central de Almaraz

O presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, manifestou hoje profunda preocupação com o prolongamento da atividade da Central Nuclear de Almaraz, na província de Cáceres, aprovada até junho de 2030 pelo governo espanhol.

“Aquela unidade já devia estar a ser desmantelada, pois era esse o caminho, dado que há muito que está em fim de vida útil”, afirmou Leopoldo Rodrigues.

O autarca de Castelo Branco disse que vai “procurar saber, junto das entidades espanholas, que garantias de segurança existem para ter sido aprovado este prolongamento de vida de Almaraz”.

Castelo Branco “está na primeira linha de impacto caso suceda ali algum acidente”.

“E, tratando-se de uma central nuclear, sabemos que, por mais pequeno que seja o acidente, o impacto é sempre enorme”.

 

Zero exige que Governo se manifeste contra funcionamento da central nuclear de Almaraz até 2030

A associação ambientalista Zero exigiu hoje ao Governo português que se manifeste contra o prolongamento até junho de 2030 do funcionamento da central nuclear espanhola de Almaraz, perto da fronteira com Portugal, determinado pelo executivo espanhol.

"É importante que, de facto, o Governo assuma publicamente uma posição crítica em relação a este adiamento do encerramento de Almaraz e que exija a Espanha que o calendário seja cumprido", disse hoje à Lusa a vice-presidente da Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável, Susana Fonseca.

Caso o novo prazo se confirme, a Unidade I encerrará com 49 anos de operação e a Unidade II com quase 47, "muito além dos 40 anos para os quais reatores de água pressurizada (PWR) de tecnologia Westingouse foram originalmente projetados", sustentou a Zero em comunicado.

"Estamos a falar de uma infraestrutura que é uma infraestrutura industrial de risco e, portanto, sempre que nós acrescentamos anos de utilização a esta infraestrutura, estamos a aumentar o risco de que haja falhas, problemas, e que alguns desses problemas possam ser graves", salientou Susana Fonseca, lembrando que a central nuclear está a cerca de 100 quilómetros da fronteira com Portugal e, por isso, o território nacional "está muito exposto" às consequências de um eventual desastre.

O "estabelecimento de um plano luso-espanhol de armazenamento e flexibilidade elétrica, devidamente financiado e calendarizado, que incida sobre as necessidades de estabilidade do sistema elétrico ibérico, a redução drástica da dependência do gás e alinhado com o calendário de encerramento de todas as centrais nucleares na península até 2035" é outra das reivindicações da Zero.

C/ Lusa

 

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