O incêndio que deflagrou ontem, às 15h11, em Mouriscas, no concelho de Abrantes, chegou a mobilizar 561 operacionais, apoiados por 174 viaturas, no período de maior concentração de meios terrestres.
O alerta inicial apontava para Cabeça das Mós, no concelho de Sardoal, mas a localização foi rapidamente corrigida para Mouriscas. O fogo teve início numa zona de mato, nas proximidades da Fonte da Cré, e apresentou desde os primeiros momentos uma intensidade muito elevada e uma evolução rápida.

18 minutos depois do alerta, de Mouriscas era visível esta coluna de fumo
As condições meteorológicas, nomeadamente o vento e as elevadas temperaturas que se registavam na região, contribuíram para um comportamento particularmente agressivo das chamas, diferente do padrão habitual dos incêndios registados anteriormente naquela zona. Ou seja o histórico apontava para os incêndios tomarem a direção contrária a este.
O Posto de Comando Operacional foi instalado na Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes, a partir de onde foi coordenada a operação de combate pelo segundo comandante da Proteção Civil do Médio Tejo, João Pitacas.
16 meios aéreos em simultâneo

Às 18h35 foi atingido o máximo de meios aéreos mobilizados para o incêndio, com 16 aeronaves, entre aviões Fire Boss, Canadair, helicópteros bombardeiros e helicópteros de comando.
Já às 22h50 registou-se o pico de meios terrestres, com 561 operacionais e 174 viaturas. De notar a presença de colunas e grupos de socorro de vários distritos, como Castelo Branco, Portalegre, Lisboa e Setúbal.
O incêndio evoluiu sobretudo pela freguesia de Mouriscas, tendo posteriormente entrado no concelho de Mação, numa zona de vale encaixado entre Monte Penedo e Penhascoso.
Durante a tarde e ao longo da noite foram ainda utilizadas máquinas de rasto, que trabalharam na consolidação das linhas de defesa e no rescaldo, com o objetivo de evitar reacendimentos.
EN3 esteve cortada durante várias horas
Devido à progressão do incêndio e às condições de segurança, a EN3, entre Mouriscas e Penhascoso, esteve cortada ao trânsito durante grande parte da noite, tendo a circulação sido retomada perto da uma da manhã.
Apesar da dimensão do incêndio, o fogo não chegou a ameaçar diretamente povoações, permitindo ao comando operacional concentrar os meios disponíveis no combate às chamas, sem necessidade de retirar forças significativas para a proteção de populações e bens.
A operação registou três feridos ligeiros. Dois dos feridos eram operacionais que necessitaram de assistência do INEM, com equipas no local, sobretudo devido a entorses provocadas pelas dificuldades e irregularidades do terreno.
Cerca de 300 hectares de área ardida
Às 10h00 desta manhã, permaneciam no terreno 272 operacionais, apoiados por 86 viaturas e dois meios aéreos.
Os meios estão concentrados na vigilância e no rescaldo de todo o perímetro do incêndio, numa área ardida que deverá aproximar-se dos 300 hectares, com especial atenção às zonas onde possam surgir reacendimentos.
Apesar da diminuição da intensidade do vento, as condições meteorológicas previstas para hoje continuam a exigir atenção. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera prevê aguaceiros fortes e trovoadas, existindo também possibilidade de precipitação localmente forte, com acumulações entre 10 e 20 milímetros numa hora, queda de granizo com diâmetro inferior a dois centímetros e rajadas de vento que podem atingir entre 70 e 90 quilómetros por hora.
As condições meteorológicas poderão ajudar a reduzir o risco de propagação do fogo, mas a ocorrência de vento forte e trovoadas mantém a necessidade de vigilância apertada sobre o perímetro do incêndio.