A Mata Nacional dos Sete Montes, em Tomar, vai reabrir parcialmente ao público na segunda-feira, 26 de outubro, quase nove meses depois de ter encerrado devido à tempestade Kristin, anunciou hoje a Câmara Municipal.
A reabertura, que contará com a presença do secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, será condicionada às zonas consideradas seguras, mantendo-se interditas as áreas onde decorrem trabalhos florestais ou subsiste risco de queda de árvores, segundo um comunicado da autarquia.
O município de Tomar, no distrito de Santarém, adianta que as intervenções realizadas desde fevereiro permitiram desobstruir cerca de seis quilómetros de percursos, remover árvores em risco de queda e recuperar condições de circulação em parte da mata, onde foram identificadas 812 árvores afetadas pela tempestade.
O levantamento inicial, que incluiu árvores desenraizadas, partidas ou em risco de queda, não abrangeu manchas florestais então inacessíveis, pelo que o número total de exemplares afetados poderá aproximar-se dos mil.
A reabertura concretiza o objetivo anunciado em 07 de setembro pelo Governo e pela Câmara de Tomar, durante uma visita à mata, quando Rui Ladeira apontou outubro como prazo para devolver à população parte daquele espaço natural.
“Queremos, em outubro, que o senhor presidente [da autarquia] e o ICNF consigam colocar [a mata] à disposição. Se não for a área que gostaríamos, com maior amplitude, que seja aquele espaço central que sabemos que é o mais procurado”, afirmou então o governante.
Na ocasião, o presidente da Câmara, Tiago Carrão, admitiu a abertura da zona central, incluindo o jardim de entrada e os patamares seguintes, por apresentar menores riscos para os visitantes, ressalvando que a segurança seria determinante na definição das áreas acessíveis.
Segundo a informação agora divulgada, os trabalhos, iniciados em 27 de fevereiro, envolveram equipas municipais e do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), abrangendo o abate preventivo de árvores, inventariação e georreferenciação do arvoredo afetado, limpeza e remoção de material lenhoso.
Em maio, estavam inventariadas cerca de 220 toneladas de madeira para retirar da mata, mantendo-se parte das operações em curso.
As intervenções incluíram também o alargamento do acesso noroeste, junto ao antigo lagar de azeite, para permitir a entrada de maquinaria pesada e melhorar as condições de circulação dos veículos de combate a incêndios.
O ICNF está entretanto a elaborar, em articulação com a Câmara de Tomar, o Convento de Cristo e associações locais, um plano de restauro que definirá as medidas de recuperação das áreas afetadas e o respetivo faseamento.
As zonas ainda interditas serão reabertas progressivamente, após a retirada da madeira, a reparação das infraestruturas danificadas e a confirmação das condições de segurança.
O município alerta que, mesmo nas áreas abertas, o acesso poderá voltar a ser condicionado em situações de vento forte, precipitação intensa ou agravamento do risco de queda de árvores, apelando ao cumprimento da sinalização.
Com cerca de 39 hectares e sob gestão do ICNF, a Mata Nacional dos Sete Montes está encerrada desde 28 de janeiro, quando a tempestade Kristin provocou danos extensos no arvoredo, caminhos e muros, atingindo também a Charolinha, monumento quinhentista cuja recuperação está sob a tutela do Ministério da Cultura.
Em setembro, Tiago Carrão destacou a importância da recuperação da mata para a Festa dos Tabuleiros de 2027, admitindo, contudo, que a intervenção na Charolinha dificilmente estaria concluída até à realização do evento.
Lusa