O proTEJO – Movimento pelo Tejo manifesta-se contra o prolongamento do funcionamento da Central Nuclear de Almaraz até 2030 e pede o regresso ao calendário anteriormente definido para o encerramento dos dois reatores. O movimento, com sede em Vila Nova da Barquinha, alerta para os riscos para o rio Tejo e para as populações dos dois lados da fronteira.
A central espanhola, situada a cerca de 100 quilómetros da fronteira portuguesa, funciona desde o início da década de 1980. O encerramento estava previsto para novembro de 2027, no caso de Almaraz I, e outubro de 2028 para Almaraz II, mas o prazo foi agora prolongado até junho de 2030.
Para o proTEJO, a alteração do calendário cria um precedente que poderá abrir caminho a novos adiamentos e prolonga riscos associados a uma central com mais de quatro décadas de funcionamento.
O movimento aponta, entre as principais preocupações, o risco de acidente nuclear, a ausência de um plano de emergência transfronteiriço atualizado, a acumulação de resíduos radioativos, o consumo de água para arrefecimento da central e o aumento da temperatura da água devolvida ao Tejo. Refere ainda os custos futuros do desmantelamento e, perante o atual contexto internacional, o risco associado a eventuais ataques.
«Almaraz já ultrapassou largamente o seu período de vida útil. Adiar o encerramento não é gerir um risco — é acumulá-lo, ano após ano, sobre o rio Tejo e sobre as populações dos dois lados da fronteira», sustenta o proTEJO.
Movimento pede plano de emergência transfronteiriço
O proTEJO apresenta cinco exigências às autoridades portuguesas e espanholas. A primeira é o regresso ao calendário original de encerramento, em 2027 e 2028.
Reclama também a elaboração e divulgação de um plano de emergência transfronteiriço, acompanhado de meios de descontaminação destinados às populações da bacia do Tejo.
Outra reivindicação prende-se com os custos do encerramento da central. O movimento considera que o desmantelamento e o futuro Armazém Geológico Profundo para resíduos radioativos devem ser integralmente financiados pelas empresas proprietárias — Iberdrola, Endesa e Naturgy — e não pelos cidadãos.
O proTEJO defende igualmente um plano de emprego que permita assegurar uma transição económica para os trabalhadores e municípios da região espanhola do Campo Arañuelo.
Para Portugal, o movimento reclama ainda a criação de uma Comissão de Acompanhamento transfronteiriça, com participação da Agência Portuguesa do Ambiente, e a divulgação permanente dos dados relativos à vigilância radiológica do Tejo.
O proTEJO sustenta que os efeitos do funcionamento de Almaraz não ficam limitados ao território espanhol e cita relatórios de vigilância radiológica que registam concentrações de trítio no Tejo, em Vila Velha de Ródão e Valada, superiores às observadas noutros grandes rios portugueses.
Apesar da oposição ao prolongamento da vida da central, o movimento esclarece que apoia os trabalhos técnicos necessários para garantir um futuro desmantelamento em segurança, distinguindo essa preparação da decisão de manter Almaraz em funcionamento durante mais anos.
O proTEJO garante que vai continuar a mobilizar as populações da bacia do Tejo para contestar o prolongamento.
«Não pedimos o encerramento amanhã de forma desordenada. Pedimos que se cumpra o que já estava decidido — e que, enquanto a central continuar a funcionar, ninguém, dos dois lados da fronteira, seja deixado sem informação, sem proteção e sem plano.»