A Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo acionou o “alerta vermelho de saúde pública” devido ao calor extremo previsto para hoje e para os próximos dias nos concelhos da região. Segundo a autoridade de Saúde Pública, este nível de alerta é ativado quando as temperaturas ultrapassam os 38 graus Celsius, situação que representa um risco elevado para a saúde.
A ULS Médio Tejo reforça o apelo à adoção de medidas de prevenção, sobretudo junto dos grupos considerados mais vulneráveis aos efeitos do calor intenso: crianças nos primeiros anos de vida, pessoas com 65 ou mais anos, doentes crónicos, pessoas que trabalham no exterior, praticantes de atividade física e pessoas isoladas ou em situação de carência económica e social.
A população idosa, em particular a que vive sozinha, sem apoio familiar próximo ou em habitações com reduzidas condições de arrefecimento, merece uma atenção especial. A ULS recomenda que estas pessoas sejam acompanhadas e, sempre que necessário, encaminhadas para locais mais frescos. As orientações da Unidade de Saúde Pública indicam ainda que pessoas isoladas devem ser contactadas pelo menos duas vezes por dia para verificar o seu estado de saúde e informá-las sobre as condições meteorológicas e a existência de locais climatizados.
Hidratação mesmo sem sede
Uma das principais recomendações passa por beber água com frequência, mesmo quando não existe sensação de sede. A orientação é particularmente importante no caso dos idosos, que podem ter uma menor perceção da sede e uma menor capacidade de regular a temperatura corporal.
A ULS recomenda ainda evitar bebidas alcoólicas e líquidos com muito açúcar, optar por refeições mais leves e frequentes e manter a casa fresca. Durante o dia devem ser mantidas fechadas as janelas e persianas, abrindo-se as janelas durante a noite, quando as temperaturas forem mais baixas.
A exposição direta ao sol deve ser evitada, sobretudo entre as 11h e as 17h. No período de maior calor, é aconselhada a permanência em ambientes frescos ou climatizados e, sempre que necessário, a deslocação para locais onde seja possível arrefecer.
Doentes crónicos estão entre os mais vulneráveis
A ULS Médio Tejo chama também a atenção para as pessoas com doenças crónicas, nomeadamente diabetes, doenças cardíacas, vasculares, respiratórias ou renais. O calor intenso pode agravar estas situações e provocar descompensações, sendo recomendada uma vigilância especial e, perante sintomas associados ao calor, a procura imediata de cuidados médicos.
Também os medicamentos devem ser protegidos das temperaturas elevadas. As recomendações da Unidade de Saúde Pública alertam para a necessidade de evitar a exposição dos medicamentos ao calor.
Cuidados para quem trabalha ao ar livre
Os trabalhadores expostos diretamente ao sol e ao calor, como profissionais da construção civil, cantoneiros e trabalhadores do turismo, enfrentam um risco acrescido de desidratação e de outros problemas relacionados com o calor.
A recomendação passa por beber água frequentemente, usar roupa de trabalho leve, utilizar proteção solar quando possível e seguro e aproveitar as pausas para arrefecer, preferencialmente em locais climatizados. A ULS aconselha ainda que estes trabalhadores procurem desenvolver a atividade com colegas por perto, de forma a permitir uma resposta rápida caso alguém se sinta mal.
Também a prática de exercício físico deve ser adaptada às temperaturas. A atividade deve ser realizada preferencialmente de manhã cedo ou ao final do dia, evitando o período entre as 11h e as 17h, e deve haver hidratação antes, durante e depois do exercício.
Atenção aos sinais de alerta
A ULS Médio Tejo alerta para sintomas como suores intensos, fraqueza, tonturas, náuseas, vómitos ou desmaio. No caso das crianças, são também apontados como sinais de alerta a pele fria, pegajosa e pálida e alterações da pulsação.
Perante sintomas associados ao calor, a recomendação é procurar assistência médica. A linha SNS 24 – 808 24 24 24 está disponível para esclarecimento e orientação e, em situações de emergência, deve ser contactado o 112.
A Unidade de Saúde Pública reforça, por fim, que a proteção das pessoas mais vulneráveis depende também da intervenção da comunidade, apelando à atenção de familiares, vizinhos e outras pessoas próximas para situações em que alguém possa estar isolado ou em risco devido ao calor extremo.