185 Milhões de Euros de prejuízos no território do Médio Tejo é o valor apurado pelos 11 Municípios que integram esta sub-região. Há municípios com mais prejuízos que outros. Uns da Tempestade Kristin (28 janeiro), outros das cheias (pico a 5 de fevereiro) e outros que juntaram as duas. Há infraestruturas públicas afetadas com um valor apurado de 100 Milhões de Euros de prejuízos. No setor privado, das casas de primeira habitação e no patamar de apoio entre os 5 e os 10 mil euros os prejuízos que rondam os 25 milhões de euros. No setor empresarial, num cálculo ainda não fechado, o território tem prejuízos da ordem dos 60 Milhões de Euros.
Os números foram apurados pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e por indicação de cada um dos Municípios e foram divulgados em conferência de imprensa ao início da tarde desta quinta-feira, dia 5 de março.
Foi o presidente da CIMT, Manuel Jorge Valamatos, que transmitiu uma “grande preocupação ao nível das infraestruturas municipais e dos prejuízos da responsabilidade dos municípios,” apontando a estradas, em aquedutos, nos mais diversos equipamentos de lazer, de recreio, recreativos, de escolas, de ensino de saúde. E vincou que “neste momento já estamos a iniciar esta recuperação e nós precisamos urgentemente de apoios financeiros que possam chegar de forma objetiva aos municípios, caso contrário, nós estaremos aqui numa situação extremamente difícil.”
Manuel Jorge Valamatos, presidente CIM Médio Tejo

Manuel Jorge Valamatos deixou ainda duas notas. Uma tem a ver com os estragos em estradas da responsabilidade da Infraestruturas de Portugal. “Há algumas que estão totalmente encerradas, há outras parcialmente encerradas, mas sabemos que são necessárias obras e intervenções também absolutamente urgentes para que, digamos, a nossa vida em comunidade possa voltar à normalidade, bem como os prejuízos que estas estradas municipais encerradas ou parcialmente encerradas, os prejuízos que causam na nossa economia local.” A outra tem a ver com o encerramento da linha ferroviária da Beira-Baixa, “que nos deixa preocupados e gostaríamos muito que houvesse celeridade no voltar à circulação normal esta linha.
A conferência contou ainda com a presença de presidente da Câmara de Ourém, Luís Albuquerque, e do autarca de Ferreira do Zêzere, Bruno Gomes, ambos vice-presidentes da CIM, além da maioria dos autarcas da região, os dois secretários executivos e o comandante da proteção civil do Médio Tejo, David Lobato.
Sobre os apoios o presidente da Comunidade Intermunicipal disse que têm existido várias reuniões com o Governo e com estruturas intermédias de governação, no entanto, “percebemos a complexidade do momento, a gravidade da situação e queríamos partilhar convosco, na verdade, a dimensão da situação em que estes 11 municípios se encontram, a perceção de 100 milhões de euros, acho que justifica pelo valor, justifica a dimensão da tragédia que vivemos, a dimensão dos prejuízos e dos danos em todos os nossos municípios.”
Ao nível das autarquias, estes mecanismos de apoio ainda não chegaram. No que diz respeito às casas de primeira habitação, é verdade que a CCDR e já muitos dos nossos cidadãos, muitas famílias já receberam dinheiro para prejuízos até 5 mil euros. Seguir-se-ão os processos de 5 a 10 mil euros.
Mas a grande preocupação dos autarcas é mesmo ao nível dos municípios. “Tememos e temos muito receio que possam demorar imenso tempo e aquilo que alertamos é para a urgência de medidas concretas, células capazes de nos ajudar a iniciar um processo de recuperação que urge a todo o tempo.”
Manuel Jorge Valamatos, presidente CIM Médio Tejo

Manuel Jorge Valamatos diz que tem havido reuniões com a Estrutura de Missão, criada pelo Governo para a recuperação da região afetada pela calamidade, e com diversas entidades governamentais. Mas insiste que são necessárias medidas de apoio urgente para este trabalho que os Municípios precisam iniciar.
Manuel Jorge Valamatos, presidente CIM Médio Tejo

Dois dos territórios mais afetados foram Ourém e Ferreira do Zêzere. Ambos os autarcas, que são igualmente vice-presidentes da Comunidade, lamentaram os atrasos na reposição da energia, e nas telecomunicações, e televisão por cabo. 40 dias depois da tempestade há muitos territórios quase sem comunicações e, nestes casos, a MEO representa a operadora com maiores atrasos.
“O concelho de Ourém deve ter 99.8% de pessoas com energia elétrica reposta. Em relação às comunicações, por acaso hoje, durante a manhã tive aqui a trocar algumas mensagens com alguns elementos das três operadoras principais, por exemplo, uma delas diz-me que tem 80% do território do município já concluído em termos de fornecimento de comunicações, os outros dois não me responderam e disseram que durante o dia vão-me fazer esse ponto de situação, mas eu estimo que se calhar, não tanto ainda, mas talvez 70% esteja reposto, o que não deixa de ser significativo o número de pessoas que continuam sem este, nomeadamente fibra, NET, porque hoje sabemos que para as empresas hoje éfundamental esta ferramenta para serem competitivas”, explicou o autarca.
Luís Albuquerque voltou a repetir as críticas às operadoras que, afirmou, “tinham também essa obrigação, ir à procura de empresas, subcontratar empresas em Portugal, no estrangeiro, onde quer que fosse, para que rapidamente pudessem ter restabelecidas essas comunicações.”
Luís Albuquerque, presidente CM Ourém

Bruno Gomes, presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, também fez um ponto de situação ainda negro do que são as comunicações e televisão no seu concelho. Quanto à energia, existem falhas pontuais aqui e ali, resolvidas de pronto pelas equipas. “Quanto a isso estamos estabilizados.” Mas depois o problema. “Quanto às telecomunicações, aí sim, continuamos com a rede de telemóveis com muita instabilidade. Temos ainda a MEO com a não totalidade do concelho com cobertura de telemóvel, com rede de dados de telemóvel e então se falarmos em fibra, eu diria que tem mais de 70% do território sem fibra, se calhar 60% do número de munícipes sem fibra.”
Bruno Gomes, presidente CM Ferreira Zêzere

Em modo de conclusão o presidente da CIMT repetiu o pedido: “E nós só com apoios concretos, objetivos, vamos conseguir ultrapassar este momento difícil. Com isto quero dizer, se estivéssemos a falar de meia dúzia de trocos, desculpem a expressão, seguramente, como sempre fizemos, iríamos à vida e resolvíamos o assunto.
Não é isso que se trata. Estamos aqui a apresentar 100 milhões de euros em equipamentos e infraestruturas municipais, em áreas, estruturas culturais, no associativismo, 100 milhões de euros. E nós precisamos urgentemente de apoios governamentais capazes de nos ajudar a ultrapassar este momento difícil.”