Um dia depois da subida das águas do Tejo no Médio Tejo, com situações mais complicadas em Alvega, Barreiras do Tejo, Arrifana, Rossio ao Sul do Tejo e Rio de Moinhos, no concelho de Abrantes, a situação acalmou. As águas estão a descer, mas anuncia-se nova depressão com muita chuva que pode voltar a complicar as coisas em várias bacias hidrográficas.
E neste dia de “folga” do mau tempo, Marcelo Rebelo de Sousa, deslocou-se a Abrantes. O Presidente da República quis saber como foi a resposta às situações que foram ocorrendo e, depois, perceber no terreno onde “andou” o Tejo no dia de ontem

“Aquilo que se passa é o seguinte, o dia de hoje deu uma folga, quanto tempo dura a folga? Pode acontecer que, a partir do fim da tarde e durante a noite, a chuva volte e volte em termos significativos. E pode acontecer que a descarga de barragens, quer espanholas, quer portuguesas, porque algumas delas estão a noventa e tal por cento, a cem por cento, que isso signifique um aumento do caudal. E esse aumento do caudal quer dizer, da quantidade de água, quer dizer também inundação, quer dizer cheia”, afirmações de Marcelo Rebelo de Sousa este início de tarde em Abrantes.
O Presidente da República veio a Abrantes para conhecer a realidade do que aconteceu esta quinta-feira e, após uma reunião no posto de comando, no Quartel dos Bombeiros de Abrantes, Marcelo Rebelo de Sousa quis ir ver, in loco, o rio ainda fora do seu leito, apesar da descida das águas desta manhã.
Marcelo Rebelo de Sousa vincou por várias vezes que Portugal está a ser atravessado por várias superfícies frontais que estão a causar estas cheias em muitas bacias hidrográficas do país.
Ao Presidente da República juntou-se o secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, que ouviram o ponto de situação feito pelo presidente da Câmara de Abrantes e presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil, Manuel Jorge Valamatos.
Nesse sentido Marcelo rebelo de Sousa disse que “o grande desafio, hoje, é estar-se atento e prevenir-se onde é percebível, para a eventualidade de amanhã sábado, como já se lhe é falado há uns dias, poder haver uma subida do nível das águas. Vamos ver até onde isso vai. Tudo está preparado em termos de prevenção, em termos de correr às necessidades mais urgentes.”
Ora, o Presidente deixou também uma nota sobre os acidentes que podem ocorrer nestas situações. E deu o exemplo de que se opõe “relativamente à reparação de telhados” também tem a mesma opinião sobre quem faz “a travessia de zonas de risco em termos de inundação.” E foi claro na aplicação de medidas preventivas “fechando as escolas, por causa de uma ou outra estrada que podia correr risco, e as pessoas bem intencionadamente acharem que podem correr risco, porque têm sorte e não há risco nenhum que crie uma vítima ou crie um dano pessoal. Mas às vezes enganam-se.”
Sobre os receios dos moradores nas zonas ribeirinhas em relação a descargas das barragens, Marcelo Rebelo de Sousa disse que ontem, esteve a falar com o Rei de Espanha e que também este país está a acompanhar com atenção a hipótese desta nova depressão poder apanhar uma zona espanhola.
Marcelo Rebelo de Sousa concluiu a dizer “uma coisa é certa, nesta situação cada dia é um dia.”

Quando questionado sobre a ausência de planos preventivos de catástrofes, depois da Kristin e agora nas cheias do Tejo, o Presidente disse que “as medidas de curto prazo é para o imediato, urgente, urgente, urgente. Mas depois, reparadas as telhas, é preciso ver a solidez das casas. Reparados os telhados das lojas, das oficinas, das fábricas, é preciso ver como é que estão as máquinas, como é que começam a trabalhar.”

E acrescentou “depois há outra coisa, que é para o futuro, para o futuro aprender que as situações de risco estão cada vez mais difíceis, mais complicadas, mais exigentes, e, portanto a prevenção e a resposta têm que ser mais exigentes, mais completas, preparadas com mais tempo. E isso é uma lição que todos estamos a aprender todos os dias, e que significa que cada vez que intervém a proteção civil é melhor que da última vez.”
O secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, que também esteve presente em Abrantes, referiu que as previsões meteorológicas para a noite desta sexta-feira e manhã de sábado apontam para chuva forte que, a juntar às descargas das barragens, poderá originar nova subida dos caudais dos rios.

Antes o Presidente tinha ouvido o resumo destes últimos dias pela voz do presidente da Câmara de Abrantes. Manuel Jorge Valamatos.
“Estamos a passar de facto um momento aqui difícil, nós ainda nem sequer tínhamos, ainda não saímos da Depressão Kristin, porque nos deu um golpe muito feroz, sobretudo na zona norte do concelho, deixando casas sem telhado, as estruturas elétricas colapsaram, as estruturas de água, estávamos a voltar um bocadinho à normalidade, e agora aparece-nos esta coisa das cheias, muita chuva”, explicou o autarca de Abrantes que explicou ao Chefe de Estado que as ribeiras têm uma influência muito grande na relação com os cortes de estrada.
Mas as descargas das barragens espanholas são sempre os receios da população, mas também das autoridades locais. “Em Abrantes, atingimos 8 mil metros cúbicos de água por segundo. E digamos, que ficámos ali nas linhas vermelhas. Mais do que 8 mil metros cúbicos, seria um desastre completo para todos nós, e depois também a Jusante, para a Constância e depois todo o Ribatejo, todo o nosso distrito sofreria ainda mais com esta questão das cheias”, indicou ainda o autarca.
Valamatos destacou o “contributo essencial” de todas as entidades e instituições envolvidas no apoio às populações, nomeadamente dos Bombeiros, Cruz Vermelha, GNR, PSP, Unidade Local de Saúde do Médio Tejo, Juntas de Freguesia, Regimento de Apoio Militar de Emergência e diversas associações concelhias.

Depois das explicações no posto de comando das operações, em Abrantes, Marcelo Rebelo de Sousa quis ver, com os próprios olhos, o rio Tejo. Já com descida dos caudais, mas mesmo assim fora do leito. Quis saber onde bateu a água, que prejuízos podem advir destas cheias e foi falando com algumas pessoas que ali estavam para ver a situação do rio. Eram poucas, pois era hora de almoço. Mesmo assim Marcelo tem sempre uma palavra de conforto para as pessoas que vai cumprimentando.

Após ter dito ao autarca que vai estar sempre atento e disponível nos próximos dias, Marcelo Rebelo de Sousa arrancou para o Cartaxo.
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