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Abrantes: Governo atribui capacidade elétrica à Zona Livre Tecnológica e entrega gestão ao Tagusvalley (c/áudio)

15/09/2026 às 11:46
Créditos Fotos: Media On | Marina Gonçalves

O Governo vai atribuir à Zona Livre Tecnológica (ZLT) de Abrantes parte da capacidade elétrica disponível no Pego e delegar a sua gestão operacional no Tagusvalley, anunciou a ministra do Ambiente e Energia.

«Ficou hoje aqui também decidido que haverá uma parte que será atribuída à Zona Livre Tecnológica», afirmou Maria da Graça Carvalho, referindo-se à capacidade de ligação à rede elétrica associada ao Pego.

A governante falava aos jornalistas no Tagusvalley – Parque de Ciência e Tecnologia, no final de uma visita a Abrantes, realizada a convite do Município e que incluiu reuniões sobre projetos estruturantes para o concelho e para o Médio Tejo.

 

Maria Graça Carvalho, ministra Ambiente

Além da atribuição de capacidade elétrica, foi acordada a passagem para o plano local da gestão operacional da ZLT, atualmente atribuída por lei à Direção-Geral de Energia e Geologia.

Segundo a ministra, será celebrado um protocolo para permitir à DGEG delegar no Tagusvalley a constituição de uma equipa responsável por gerir e operacionalizar a Zona Livre Tecnológica.

 

Maria Graça Carvalho, ministra Ambiente

A reserva de parte da capacidade de ligação à rede poderá ser concretizada através de despacho. Para Maria da Graça Carvalho, o acesso à eletricidade, associado à disponibilidade de água, terrenos industriais e conhecimento técnico, pode transformar a ZLT num instrumento decisivo para atrair novos investimentos.

A ministra defendeu uma seleção criteriosa dos projetos, privilegiando iniciativas inovadoras que possam evoluir para demonstração à escala industrial, criar emprego e acrescentar riqueza ao território.

Governo quer acelerar projetos após encerramento da central do Pego

Maria da Graça Carvalho considerou urgente concretizar os investimentos previstos para o antigo complexo energético do Pego, incluindo o projeto da Endesa, a Zona Livre Tecnológica e as restantes iniciativas apoiadas pela Transição Justa.

A governante alertou para o risco de perda do conhecimento técnico acumulado na região, caso os projetos continuem a sofrer atrasos.

Segundo a ministra, muitos antigos trabalhadores poderão reformar-se ou procurar emprego noutros territórios, levando consigo competências específicas nas áreas da produção de energia, engenharia e metalomecânica.

O Governo pretende conjugar esse conhecimento industrial com as novas competências existentes no Tagusvalley, nomeadamente nos domínios da biotecnologia e das tecnologias de informação.

A ministra reconheceu também os efeitos negativos que o encerramento da central a carvão teve na economia regional. Apesar dos benefícios ambientais da descarbonização, sublinhou que Abrantes suportou uma parte significativa dos impactos económicos e sociais da transição energética.

 

Maria Graça Carvalho, ministra Ambiente

Por isso, defendeu que a Transição Justa deve traduzir-se efetivamente na criação de novos empregos «limpos e sustentáveis».

Decisão sobre capacidade elétrica nas próximas semanas

O procedimento relacionado com a capacidade elétrica disponível no Pego recebeu 62 participações durante a consulta pública, cada uma com vários contributos.

A análise das propostas atrasou a decisão inicialmente prevista, mas Maria da Graça Carvalho indicou que o processo deverá ficar concluído nas próximas semanas.

Depois de reservada uma parcela para a Zona Livre Tecnológica, a restante capacidade poderá atrair tanto projetos de produção de energia como grandes consumidores industriais.

Valamatos espera que visita marque o arranque dos projetos

O presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, considera que a presença da ministra e do secretário de Estado representa um sinal de esperança para o avanço dos investimentos.

 

Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes

O autarca espera que a visita marque «verdadeiramente o momento de arranque» dos projetos já em desenvolvimento e de outros que possam instalar-se no concelho, criando emprego, dinamizando a economia e respeitando os valores ambientais.

Valamatos destacou como resultados concretos da reunião a futura delegação da gestão operacional no Tagusvalley e a reserva de parte da capacidade elétrica do Pego para a ZLT.

 

Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes

A Zona Livre Tecnológica deverá integrar três polígonos e beneficiar da disponibilidade simultânea de eletricidade, água e terrenos, condições que o Município pretende utilizar para captar projetos de produção energética, indústrias e centros de dados.

Ministra destaca vantagens raras de Abrantes

Maria da Graça Carvalho colocou Abrantes em destaque ao afirmar que o concelho reúne, em simultâneo, quatro recursos cada vez mais escassos: acesso à rede elétrica, água, terrenos industriais e conhecimento técnico e de engenharia.

Para a ministra, esta combinação é rara mesmo à escala internacional e deve ser rapidamente aproveitada para atrair investimento industrial, criar riqueza e gerar postos de trabalho.

Maria Graça Carvalho, ministra Ambiente

Questionada sobre a possibilidade de Abrantes acolher um dos seis parques empresariais estratégicos previstos pelo Governo, a governante remeteu essa decisão para o Ministério da Economia.

Ainda assim, garantiu que, independentemente dessa classificação, o potencial existente no concelho deve ser aproveitado. «Temos de criar as condições para tirar partido» dos recursos de Abrantes, afirmou Maria da Graça Carvalho.

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