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Depressão Kristin: Sem energia em 66% do território, Ferreira do Zêzere pede voluntários especializados em construção

2/02/2026 às 19:48

O presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere alertou hoje que dois terços do concelho não têm energia e pediu voluntários que sejam mão-de-obra especializada em obras.

“Com muita frontalidade, nós temos feito uma gestão do voluntariado de forma muito crua e muito pragmática, para evitar que aconteçam acidentes, como aconteceram”, afirmou Bruno Gomes à agência Lusa, no improvisado centro de comando municipal de proteção civil.

Por isso, “voluntários sem experiência, sem formação, irem para cima de um telhado com as condições meteorológicas que existem e com as condições de habitabilidade que as casas têm nesta altura é um risco e nós temos de perceber que não temos capacidade de socorro nesta altura como tínhamos anteriormente”, explicou o autarca de um dos municípios mais afetados pela depressão Kristin.

“Queremos voluntariado, sim, mas sobretudo que seja especializado”, explicou o autarca, que apontou a falta de energia e de comunicações como os principais problemas do concelho.

“Nesta altura, ainda temos 66% do território sem energia elétrica, estamos com alguns constrangimentos até com alguns geradores no sentido em que eles avariam e estamos também sem telecomunicações em mais de 60% do concelho”, resumiu o autarca, salientando que o mau tempo que se tem verificado nos últimos dias, com chuva intensa, também está a dificultar os trabalhos.

“Há muita habitação que não estamos a conseguir que tenha garantias de segurança e de habitabilidade e, por força disso, já tivemos que deslocar mais um conjunto de pessoas e os próximos dias não se avizinham fáceis, porque continuamos à mesma com estas condições meteorológicas”, explicou o socialista Bruno Gomes.

Por isso, com o mau tempo, “as grandes dificuldades são mão de obra que permita colocar oleados, lonas, plásticos nas habitações e fazer o trabalho que é de empreiteiro e de pedreiro, porque são milhares as habitações para as quais não conseguimos arranjar mão de obra especializada”.

Além disso, há falta de telhas: “Já não há telha, também porque há um conjunto de habitações que têm telha que já não é produzida e que isto dificulta muito os trabalhos, além de que essas estruturas que sustentam as telhas são de madeira, muitas delas já fragilizadas e que não têm agora possibilidade sequer de ser recuperada”, acrescentou.

Além disso, as autoridades estão preocupadas com aluimentos dos solos, devido à chuva e à ausência de raízes que os sustentem.

“Temos um conjunto de taludes que, por força da queda de árvores de grande porte, está a causar muita instabilidade e tivemos de cortar o acesso ao Lago Azul, onde temos um hotel, neste momento, com mais de cem atletas, porque a plataforma da via está a ceder e não garante condições de segurança”.

Sobre a reposição da rede elétrica, “não há expectativas de ter grandes melhorias nos próximos dias”, acrescentou Bruno Gomes.

“Tive o presidente da E-redes cá ontem [domingo] e o caminho nesta altura é garantir geradores para podermos ter em cada centro de freguesia para conseguirmos ter energia para garantir que possam carregar o telemóvel, possam ligar um computador”, explicou, salientando que o concelho ainda tem dois centros escolares sem energia e para os reabrir são necessários mais geradores.

“A perspetiva é termos, daqui por 30 dias, se calhar, 80% do território com energia”, resumiu Bruno Gomes.

Lusa

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