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Turismo: Vinhos do Tejo com um novo «terroir», Serras junta-se ao Bairro, Campo e Charneca (c/audio)

15/03/2026 às 11:35

Há muitos anos o Tejo foi sempre conotado com vinhos de volume. Hoje em dia isso já não acontece. E as Serras com uma identidade complementar. Mas João Silvestre, Diretor-Geral da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo, começou por explicar as regiões campo, charneca e bairro.

Depois começou a explicar este novo ‘terroir’ serras que fica ‘paredes meias’ com as regiões do bairro, ou seja, a norte do Médio Tejo.

De acordo com o dirigente, os vinhos do Tejo apontam 5.000 hectares no bairro, 3.000 no campo, 4.000 na Charneca e agora as serras, uma região muito mais pequena, só tem 375 hectares, ou cerca de 3% da área da região do Tejo. Depois apontou a outra característica que é a altitude média de 232 metros, ao contrário das outras regiões com altitudes muito mais pequenas, e a idade das vinhas mais antiga, ano médio de plantação, 1978. “Estamos a falar de vinhas com quase 50 anos. Isto vai influenciar em muito as características dos vinhos desta região.”

 

João Silvestre, Diretor-Geral da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo

Estas são vinhas de mais altitude, solos mais pobres e vinhas mais velhas. As Serras ficam, como o João Paulo já disse, no norte da região, concelhos de Ferreira do Zêzere, Tomar, Vila Nova da Barquinha, Sardoal e Mação, “todas inseridas no Médio Tejo.”

Zonas de maior altitude da região, disse, têm encostas e planaltos, e condições naturais muito mais exigentes. A vinha tem de ser muito mais forte para resistir nesta região. A altitude é um fator completamente decisivo, influencia diretamente o clima com temperaturas mais moderadas do que no resto da região e com uma maior amplitude térmica.

Isto quer dizer que “os dias são quentes e as noites são mais frias devido à altitude. E isso influência muito a qualidade do vinho. Pode-se ver aqui no mapa da altimetria que ali, na região das Serras, quanto mais escuro, mais altitude temos.”

Mas estamos a falar de uma média de vinhas com 47 anos por isso, com baixos rendimentos naturais.

 

João Silvestre, Diretor-Geral da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo

A casta (tinta) mais predominante será o Castelão, em segundo lugar, temos a Touriga Nacional e a Trincadeira. Nas castas brancas, continua a dominar, como no resto da região, o Fernão Pires, seguido pelo Arinto e pelo Gouveio. João Silvestre deixou, no entanto, uma curiosidade que acaba por ser uma característica da região. É que cerca de 20% do encepamento são mistura de variedades.

“Antigamente misturavam-se as castas todas na mesma parcela. O que é que isto vai dar? Vai dar um blend.”

Ou seja, hoje em dia, quando nós provamos um vinho e esse vinho tem duas ou três castas, normalmente isso é feito depois na vinificação. Elas são vinificadas em separado e depois, antes de engarrafar o vinho, nós misturamos as castas. Aqui não.

Aqui a mistura vem feita logo na vinha. É feita logo na vinha e a vinificação é feita em conjunto. Isto é uma característica das vinhas mais velhas.

O que dá aos vinhos com uma complexidade diferente. Portanto, temos as castas tradicionais da região, mas temos 20% de toda a área desta região, é uma mistura de castas na própria vinha. Qual é o perfil dos vinhos das serras? São vinhos com uma maior elegância e mais mineralidade que os vinhos da restante região.

“Não estou a dizer que são melhores ou que são piores. São diferentes. São vinhos completamente diferentes”, afirmou

Têm uma boa estrutura e uma boa acidez natural devido à tal maturação lenta por causa da amplitude térmica e da maior frescura que temos no clima e têm uma capacidade de envelhecimento um pouco maior. Portanto, podemos dizer que são vinhos com autenticidade e vinhos que expressam bem o ‘terroir’ onde estão implementados. Como mensagem final, as serras representam um ‘terroir’ de nicho com frescura, equilíbrio e autenticidade.”

 

João Silvestre, Diretor-Geral da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo

Ana Louriceira, a Rota dos Vinhos do Tejo, apresentou as propostas de um território com muita oferta cultural, gastronómica e de enoturismo, com 45 produtores.

“Quando apresentamos aos compradores nacionais e estrangeiros, dizemos sempre uma região pouco conhecida. E é uma grande oportunidade para nós e também para aqueles que nos visitam apostar nesta região. Nós conseguimos apresentar um produto diferenciador que nos distingue das demais regiões.”

E depois apresentou uma característica desta região. “Não somos melhores nem piores, somos diferentes e achamos que temos um caminho muito interessante para fazer pela frente e os vinhos do Tejo cada vez ganham uma qualidade maior e a parte norte do concelho tem vindo a demonstrá-lo através dos nossos produtores.”

Ana Caniceira deu um exemplo do Casal da Coelheira, um nossos produtores. “É um produtor que se calhar a maior parte de vocês já conhece, os vinhos são de facto muito bons, é um produtor que nós dizemos que é um produtor familiar e que tem um 'storytelling' muito interessante, que apresenta uma possibilidade de experiências de Enoturismo com provas de vinhos standard e premium de acordo com o tipo de experiência que nós queremos fazer e que por norma o produtor é o próprio que faz essa visita.”

Ana Louriceira, Rota dos Vinhos do Tejo

 

A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo avança para a segunda edição das “Quintas do Médio Tejo.” As inscrições estão abertas. Podem visitar estas quintas. O ciclo começa dia 16 de maio e vai até 27 de junho. É uma iniciativa em colaboração com os Grupos da Ação Local (TAGUS, ADIRN e Pinhal Maior) e também com as duas CVRs que abrangem a nossa região. Estaremos no Sardoal, no Casal das Freiras em Tomar, na Adega da Gaveta. A 13 de junho vamos à Adega Fundeira em Mação, a 20 de junho em Ourém, vamos provar o vinho medieval, e dia 27 de junho Quinta do Côro, Sardoal.”

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