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Homenagem: Abrantes perpetua memória de Eurico Heitor Consciência com atribuição do seu nome a uma alameda (c/áudio)

16/10/2026 às 21:09

Dez anos após a sua morte, o advogado Eurico Heitor Consciência foi homenageado em Abrantes com a atribuição do seu nome a uma alameda da cidade. A cerimónia contou com a presença de familiares, autarcas e amigos do homenageado, numa iniciativa que resultou de uma proposta apresentada na Assembleia Municipal, no anterior mandato, pelo deputado municipal do PSD João Fernandes e aprovada por unanimidade.

A cidade de Abrantes passou a contar com uma alameda com o nome de Eurico Heitor Consciência, advogado, professor, jornalista e antigo autarca, que marcou a vida cívica, política e cultural do concelho ao longo de várias décadas.

A homenagem, realizada no ano em que se assinalam os 50 anos do poder local democrático, pretende perpetuar a memória de uma personalidade que, embora natural da Mêda, escolheu Abrantes para viver e desenvolver grande parte da sua atividade profissional e de intervenção pública.

Na cerimónia de descerramento da placa toponímica, o presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, destacou a importância de reconhecer aqueles que contribuíram para a construção da identidade do concelho.

"Dar o nome de Eurico Heitor Consciência a esta alameda é perpetuar a memória de alguém que faz parte da história da nossa cidade e do nosso concelho", afirmou o autarca.

Manuel Jorge Valamatos recordou o percurso profissional do homenageado, que se fixou em Abrantes em 1964, sublinhando a sua atividade como advogado, notário e professor, mas também a participação em diferentes associações e a intervenção na imprensa regional, através das suas crónicas.

"As cidades também se constroem através de pessoas que as marcam e é justo que as futuras gerações possam reconhecer e recordar aqueles que fizeram parte do nosso percurso coletivo", acrescentou.

O presidente da Câmara salientou ainda que a homenagem nasceu de uma proposta apresentada na Assembleia Municipal, aprovada por unanimidade, considerando que o processo constitui também um exemplo do funcionamento democrático das instituições locais.

"É um momento importante da afirmação da nossa democracia", afirmou, associando a iniciativa às comemorações dos 50 anos do poder local democrático.

 

Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes

Em representação da família, Rui Consciência, filho do homenageado, agradeceu a distinção e manifestou a satisfação dos familiares por verem o nome do pai perpetuado num espaço público de Abrantes.

"Estamos, de facto, muito contentes, muito alegres com esta pequena homenagem", começou por afirmar.

Num discurso marcado pela emoção e por algumas recordações pessoais, Rui Consciência imaginou o significado que a homenagem poderá ter para as gerações futuras da família.

"Imaginar-me um dia mais tarde, quando eu tiver os meus netos, trazê-los aqui e mostrar-lhes esta inscrição", afirmou, salientando que o nome do pai ficará definitivamente associado à cidade.

O filho do advogado revelou ainda uma conversa que manteve com o presidente da Câmara sobre a localização escolhida para a homenagem. Segundo contou, Manuel Jorge Valamatos tinha manifestado alguma preocupação pelo facto de não ter sido possível atribuir o nome de Eurico Consciência a uma rua no interior da cidade.

Rui Consciência fez questão de afastar qualquer reserva, elogiando as características da alameda, a presença de árvores, a vista sobre a envolvente e, particularmente, a proximidade de uma escola.

"É uma alameda, já vi que temos ali árvores plantadas, tem uma vista espetacular e tem uma escola por trás", observou.

A ligação ao ensino foi, aliás, um dos aspetos que mais valorizou na escolha do local.

"O doutor Eurico foi também professor, foi professor na Escola Industrial e adorava dar aulas. Adorava dar aulas e o contacto com os alunos. Portanto, faz todo o sentido esta alameda ter o nome Eurico Heitor Consciência", sublinhou.

 

Rui Consciência, filho do homenageado

A atribuição do nome de Eurico Heitor Consciência à alameda teve origem numa iniciativa do deputado municipal do PSD João Fernandes, apresentada durante o mandato autárquico anterior.

Em declarações aos jornalistas, o eleito explicou que o objetivo foi reconhecer publicamente o percurso de uma personalidade que considerava merecedora de uma homenagem duradoura por parte da cidade.

João Fernandes recordou que a primeira iniciativa passou pela proposta de criação de um prémio de cidadania associado ao reconhecimento do advogado, mas que essa proposta acabou por ser rejeitada.

Foi nesse contexto que surgiu a alternativa de atribuir o nome de Eurico Consciência a um espaço público.

"Para procurar que esse reconhecimento se mantivesse e que houvesse uma certa compensação, foi proposto que fosse atribuído a um local com dignidade o nome deste insigne advogado", explicou.

O deputado municipal recordou também a ligação pessoal e familiar ao homenageado, nomeadamente através do pai, que convivia regularmente com Eurico Consciência.

Embora reconhecendo que o contacto direto não foi muito frequente, João Fernandes afirmou que os encontros em que participou lhe permitiram conhecer uma personalidade que considerava de grande valor humano e intelectual.

Destacou ainda a diversidade do percurso do advogado, que passou pela magistratura do Ministério Público, pelo ensino, pela advocacia, pela produção de obras jurídicas e pela intervenção política e cívica.

"Todo esse legado, toda a sua intervenção de cidadania, tinha de alguma forma de ser reconhecido", afirmou.

Também advogado de profissão, João Fernandes não escondeu a satisfação pessoal pela concretização da proposta.

"Para mim ainda me dá mais gosto saber que posso olhar para aquela placa e ver o nome de um dos advogados mais importantes da praça em Abrantes, mas também em Lisboa, em Portugal", declarou.

João Fernandes, deputado Municipal PSD e autor da proposta de atribuição do nome de rua

O deputado municipal considerou que a inauguração da alameda representa a concretização de um processo de reconhecimento que começou no anterior mandato e que agora chegou ao fim.

À margem da cerimónia, Manuel Jorge Valamatos voltou a destacar o significado da homenagem, considerando que Eurico Heitor Consciência teria apreciado o facto de a decisão ter resultado de uma iniciativa democrática, apresentada e aprovada pelos representantes eleitos da população.

"Eu julgo que o doutor Eurico Consciência ficaria muito orgulhoso nesse pensamento democrático que o poder local também estabelece a todo o tempo", afirmou.

O presidente da Câmara descreveu o homenageado como um homem culto, ligado à comunicação social, à política e às organizações da comunidade, que nunca deixou de manifestar as suas ideias e o seu pensamento.

Para Manuel Jorge Valamatos, a inauguração da alameda, precisamente dez anos depois do falecimento do advogado, representa também uma forma de valorizar personalidades que contribuíram para o desenvolvimento de Abrantes.

"É seguramente também a valorização dos nossos, daqueles que se afirmam na nossa cidade e no nosso concelho", declarou.

 

Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes

O autarca defendeu que o Município deve continuar a aproveitar estas oportunidades para reconhecer figuras que fazem parte da memória coletiva.

"Sempre que existem essas oportunidades, vamos fazendo esta justiça de perpetuar figuras que dizem respeito a uma comunidade inteira", concluiu.

Quem foi Eurico Heitor Consciência (1936–2016)

Eurico Amável Heitor Consciência nasceu a 28 de outubro de 1936, na Mêda, distrito da Guarda, e faleceu a 20 de abril de 2016, em Abrantes, aos 79 anos. Foi advogado, notário, professor, autarca, jornalista e uma das personalidades com intervenção relevante na vida cívica e cultural abrantina.

Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, em 1959, concluiu, dois anos depois, o Curso Complementar de Ciências Histórico-Jurídicas. Iniciou a carreira na magistratura do Ministério Público, tendo posteriormente exercido funções no notariado e na advocacia.

Entre 1962 e 1964 foi presidente da Câmara Municipal da Mêda. Em 1964 fixou residência em Abrantes, onde desempenhou funções de notário até 1970, dedicando-se depois à advocacia.

Em 1992 fundou, com três dos seus cinco filhos, a sociedade Eurico Heitor Consciência & Associados, com escritórios em Abrantes, Lisboa e Santarém.

Teve também uma participação destacada na Ordem dos Advogados, tendo presidido à Delegação de Abrantes, sido o primeiro presidente do Conselho de Deontologia de Évora e exercido a vice-presidência do Conselho Superior da Ordem dos Advogados entre 2005 e 2007.

Na política, foi um dos fundadores da secção de Abrantes do Partido Socialista, em 1974, afastando-se da atividade partidária em 1976. Foi candidato à Câmara Municipal de Abrantes pelos Grupos Dinamizadores de Unidade Popular e participou nas assembleias municipais de Abrantes e da Mêda.

Na área cultural, destacou-se como um dos impulsionadores das Jornadas Culturais de Abrantes, no início da década de 1970, iniciativas que levaram à cidade artistas como José Afonso e Manuel Freire, ainda antes da Revolução de Abril de 1974.

Participou também na dinamização dos Jogos Juvenis e da Associação para o Desenvolvimento da Região de Abrantes.

No jornalismo, dirigiu o semanário Correio de Abrantes, entre 1970 e 1975, e colaborou com várias publicações, entre as quais O Ribatejo, Jornal de Abrantes e Expresso.

Foi professor na Escola Industrial e Comercial de Abrantes e no polo local da Universidade Internacional, atividade pela qual, segundo o testemunho do filho Rui Consciência, tinha uma especial dedicação.

Publicou diversas obras jurídicas, sobretudo nas áreas do direito dos seguros e dos acidentes de viação, além do livro Crónicas de Maldizer, que reuniu textos da sua intervenção jornalística.

A atribuição do seu nome a uma alameda de Abrantes, dez anos após a sua morte, constitui agora um reconhecimento público do percurso de um homem que, nascido na Mêda, fez de Abrantes a sua terra de residência e de intervenção profissional, política, social e cultural.

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