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Tramagal: PCP critica decisão e BE questiona governo sobre lay-off na Mitsubishi

21/04/2026 às 10:26

O PCP vai interpelar o Governo sobre o ‘lay-off’ na Mitsubishi Fuso Truck Europe (MFTE), exigindo a manutenção integral dos salários e a defesa dos postos de trabalho na fábrica do Tramagal, anunciou hoje o partido.

Em comunicado, a Comissão Concelhia de Abrantes do PCP refere que o processo naquela empresa ocorre no âmbito de uma reorganização internacional do grupo e alertou para as consequências para os trabalhadores de uma unidade que emprega centenas de pessoas.

“Num momento em que os trabalhadores já enfrentam um acentuado aumento do custo de vida, o anúncio de um ‘lay-off’ […] constitui um ataque inaceitável às suas condições de vida”, lê-se na nota.

Segundo o PCP, a redução dos rendimentos surge num contexto de aumento das despesas essenciais, agravando a situação económica das famílias.

O partido critica ainda o recurso ao regime de ‘lay-off’ por grandes grupos económicos, defendendo que os encargos acabam por recair sobre trabalhadores e Estado.

“É inaceitável que sejam os trabalhadores e o Estado a pagar o preço de decisões estratégicas de grandes grupos económicos”, afirma, acrescentando que estas empresas “acumulam milhões de lucros todos os anos”.

De acordo com os comunistas, os trabalhadores poderão perder cerca de um terço do salário, enquanto o Estado suportará a maior parte dos custos salariais, incluindo a comparticipação direta nos vencimentos e a isenção de contribuições.

“Enquanto uns fazem o negócio e arrecadam os lucros, trabalhadores e Estado são chamados a pagar a fatura”, refere o PCP.

O partido diz que vai questionar o Governo sobre as razões para a aplicação do ‘lay-off’ e as medidas previstas para salvaguardar os trabalhadores.

Entre as exigências, destaca a manutenção integral dos salários, a defesa dos postos de trabalho e garantias quanto ao futuro da unidade industrial.

“O PCP exige uma intervenção firme do Governo, que coloque o interesse nacional e os direitos dos trabalhadores acima dos interesses dos grandes grupos económicos”, conclui.

BE questiona Governo sobre 'lay-off' e rescisões na Mitsubishi Fuso

O Bloco de Esquerda (BE) questionou hoje o Governo, através dos Ministérios do Trabalho e da Economia, sobre o ‘lay-off’ e a rescisão de 40 contratos na Mitsubishi Fuso, no Tramagal, apesar dos resultados recorde da empresa em 2023.

Nos requerimentos endereçados ao executivo, a que a Lusa teve acesso, o deputado Fabian Figueiredo sublinha que a unidade industrial instalada em Tramagal, no distrito de Santarém, registou em 2023 o seu "melhor ano de produção de sempre", atingindo um volume de negócios de 334 milhões de euros e a marca histórica de 11.854 veículos produzidos.

O partido considera contraditório que uma empresa com este desempenho financeiro recorra a mecanismos de redução salarial.

Nas questões colocadas, o Bloco quer saber se o Governo está a acompanhar a situação e que medidas serão tomadas para salvaguardar os postos de trabalho nesta unidade, que é um dos principais empregadores da região do Médio Tejo, contando com cerca de 500 trabalhadores.

Empresa confirmou paragem em julho e férias em agosto

A paragem da produção, prevista para o mês de julho, é justificada pela administração como uma "adaptação à transição energética".

A fábrica deixará de produzir para o mercado europeu os modelos Canter a gasóleo até 3.500 quilos, focando-se em veículos de maior dimensão e na versão elétrica eCanter, da qual detém produção exclusiva para a Europa.

Segundo fonte oficial da Mitsubishi Fuso Truck and Bus Corporation (MFTBC) à Lusa, o processo faz parte de uma reorganização internacional do grupo para responder às exigências ambientais do setor automóvel europeu.

A empresa assegurou, contudo, que a unidade do Tramagal "se mantém nos planos da multinacional" e que, por agora, não estão previstas alterações estruturais além das comunicadas.

O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras (SITE-CSRA) confirmou que, a par do ‘lay-off’, a empresa está a avançar com um programa de rescisões por mútuo acordo que abrange cerca de 40 trabalhadores.

A pressão sobre o Governo aumentou hoje também por parte do PCP.

Em comunicado, a Comissão Concelhia de Abrantes dos comunistas classificou o ‘lay-off’ como um "ataque inaceitável" às condições de vida das famílias, num contexto de aumento do custo de vida.

O PCP critica o facto de os encargos das decisões estratégicas de grandes grupos económicos, que "acumulam milhões de lucros", acabarem por recair sobre os trabalhadores - que perdem parte do salário - e sobre o Estado, que suporta a maior parte dos custos salariais.

Ambos os partidos convergem na exigência de uma intervenção firme do executivo para garantir que a necessária transição energética da indústria automóvel não se faça à custa da precariedade e do desemprego na região de Santarém.

C/Lusa

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