"No dia 21 de janeiro de 1951, verificou-se um acontecimento da maior importância (...) foi inaugurada a Barragem do Castelo do Bode”, é assim que se lê uma notícia no jornal de Abrantes de 4 de fevereiro de 1951.
Na mesma notícia pode ler-se que o 21 de janeiro foi um dia festivo para todos os portugueses. Segundo o jornal estiveram presentes os Chefes de Estado e do Governo, Marechal Carmona e Oliveira Salazar, para lá da presença do povo anónimo “em muitos milhares”, para a inauguração da grande barragem.
A Barragem foi construída, e foi uma grande aspiração dos portugueses (...) justificada perante as possibilidades nacionais e os encargos ocasionados pelas importações de carvão.
A Central Hidroelétrica de Castelo do Bode começou a ser construída em 1946 e entrou em operação em 1951.
Com a subida das águas, ficaram submersas casas, aldeias, azenhas e lagares, pontes entre as duas margens. Só no concelho de Abrantes, no rio Zêzere, na ribeira da Brunheta, ribeira do Souto ou ribeira da Ferraria, ficaram debaixo de água mais de 30 azenhas ou lagares que existiam nas encostas agrícolas do rio.
De Sentieiras (Souto) para Atalaia a passagem era feita por um açude, depois, passou a ser feita por terra. Há quem conte que nos verões mais secos passava-se o Zêzere a pé, do Bairro Fundeiro para a outra margem, já concelho de Tomar.
Em 1950, quando a Barragem ficou concluída a água começou a subir, de forma célere, chegando a surpreender muitos habitantes que, mesmo vendo as obras, duvidavam do grande lago.
Na altura, foram expropriados 3.500 hectares de terrenos, mil prédios urbanos (em várias aldeias) e 250 indústrias agrícolas. Terão sido indemnizados cerca de 1.400 proprietários de terrenos das duas margens.
A albufeira, resultante da construção da Barragem do Castelo de Bode, estende-se ao longo de 60 quilómetros, cobre 3.300 hectares e foi, até à construção do Alqueva, a maior reserva nacional de água para consumo, abastecendo os habitantes na área da grande Lisboa, para além dos concelhos limítrofes à albufeira.
Através da EPAL a água do Castelo de Bode chega aos concelhos de Lisboa; Sintra; Oeiras; Cascais; Amadora; Loures; Odivelas; Vila Franca de Xira; Alenquer; Arruda dos Vinhos; Sobral de Monte Agraço; Cartaxo; Torres Vedras; Mafra; Ourém; Entroncamento; Torres Novas; Vila Nova da Barquinha; Tomar; e Batalha."No dia 21 de janeiro de 1951, verificou-se um acontecimento da maior importância (...) foi inaugurada a Barragem do Castelo do Bode”, é assim que se lê uma notícia no jornal de Abrantes de 4 de fevereiro de 1951.
Na mesma notícia pode ler-se que o 21 de janeiro foi um dia festivo para todos os portugueses. Segundo o jornal estiveram presentes os Chefes de Estado e do Governo, Marechal Carmona e Oliveira Salazar, para lá da presença do povo anónimo “em muitos milhares”, para a inauguração da grande barragem.
A Barragem foi construída, e foi uma grande aspiração dos portugueses (...) justificada perante as possibilidades nacionais e os encargos ocasionados pelas importações de carvão.
A Central Hidroelétrica de Castelo do Bode começou a ser construída em 1946 e entrou em operação em 1951.

Foto: Créditos EDP
Com a subida das águas, ficaram submersas casas, aldeias, azenhas e lagares, pontes entre as duas margens. Só no concelho de Abrantes, no rio Zêzere, na ribeira da Brunheta, ribeira do Souto ou ribeira da Ferraria, ficaram debaixo de água mais de 30 azenhas ou lagares que existiam nas encostas agrícolas do rio.
De Sentieiras (Souto) para Atalaia a passagem era feita por um açude, depois, passou a ser feita por terra. Há quem conte que nos verões mais secos passava-se o Zêzere a pé, do Bairro Fundeiro para a outra margem, já concelho de Tomar.
Em 1950, quando a Barragem ficou concluída a água começou a subir, de forma célere, chegando a surpreender muitos habitantes que, mesmo vendo as obras, duvidavam do grande lago.
Na altura, foram expropriados 3.500 hectares de terrenos, mil prédios urbanos (em várias aldeias) e 250 indústrias agrícolas. Terão sido indemnizados cerca de 1.400 proprietários de terrenos das duas margens.
A albufeira, resultante da construção da Barragem do Castelo de Bode, estende-se ao longo de 60 quilómetros, cobre 3.300 hectares e foi, até à construção do Alqueva, a maior reserva nacional de água para consumo, abastecendo os habitantes na área da grande Lisboa, para além dos concelhos limítrofes à albufeira.
Através da EPAL a água do Castelo de Bode chega aos concelhos de Lisboa; Sintra; Oeiras; Cascais; Amadora; Loures; Odivelas; Vila Franca de Xira; Alenquer; Arruda dos Vinhos; Sobral de Monte Agraço; Cartaxo; Torres Vedras; Mafra; Ourém; Entroncamento; Torres Novas; Vila Nova da Barquinha; Tomar; e Batalha.
Também os concelhos de Abrantes, Ferreira do Zêzere, Figueiró dos Vinhos, Sardoal, Sertã e Vila de Rei são abastecidos pelo Castelo de Bode.
A barragem, com um paredão em betão, tem 115 metros de altura e um coroamento com 402 metros de comprimento.
Na área da produção de eletricidade, concessionada à EDP; conta com três grupos geradores, tem uma potência instalada de 159 megawatts (MW).
Quanto aos aspetos técnicos a barragem era ainda descrita como tendo uma bacia de 3,950 km2 de área, uma capacidade de armazenamento de 1.070 milhões de m3 de água.
Segundo as notícias da década de 50 do século passado, o custo total da barragem foi de 600.000 contos.

Foto: Créditos EDP
Para além de abastecimento de água para consumo e de produção de eletricidade permite ser um regularizador de variações hidrológicas da bacia do Tejo. Depois, ao longo dos anos, o seu potencial turístico foi crescendo tanto no lazer como em variados desportos náuticos.
A barragem e albufeira, criou constrangimentos entre as ligações das duas margens, ancestrais, já que o Zêzere era um rio pequeno. Localidades de Abrantes ligavam-se a Tomar e de Vila de Rei a Ferreira do Zêzere.
Apesar destes constrangimentos a travessia sobre o paredão é uma das mais frequentadas sobre o rio Zêzere, uma rota comercial e turística de grande importância entre o concelho de Abrantes e Tomar.
O Castelo de Bode faz ainda parte da cascata de barragens do Zêzere juntamente com a Barragem do Cabril (situada na Pampilhosa da Serra e Pedrógão Grande) inaugurada em 1954 e com a Barragem de Bouçã (Pedrógão Grande e Sertã) inaugurada em 1955.
A cascata do Zêzere é uma das mais importantes cascatas hidroelétricas de Portugal fundamental para o sistema elétrico nacional, o abastecimento de água a milhões de pessoas, e a gestão de cheias e secas na bacia do Tejo.
A Barragem do Castelo de Bode voltou a ser muito falada em 2025 a propósito do apagão de 28 de abril. Isto porque o Castelo de Bode é um dos centros de produção que integra o sistema Black Start em Portugal. As centrais hidroelétricas são ideais porque precisam de pouca energia auxiliar, arrancam em minutos e conseguem fornecer potência e controlo de frequência.
Se hoje a efeméride são os 75 anos da construção da Barragem, o seu enchimento alterou, na altura, toda esta região e, hoje, como lago com aposta no turismo alberga as praias fluviais em Aldeia do Mato e Fontes; Lago Azul - Praia da Castanheira - e Dornes (Ferreira do Zêzere); Alverangel e Montes (Tomar); Trízio (Sertã); Fernandaires, Macieira e Zaboeira (Vila de Rei); e Bairrada (Bairradinha) (Ferreira do Zêzere / Tomar).
Tem uma estância de Wakeboard, com estações para a prática da modalidade em Dornes (Ferreira do Zêzere), Lago Azul / Castanheira, Trízio e Aldeia do Mato.