A um mês de terminar a Fase Charlie relativa aos incêndios florestais, o período mais crítico do ano, o concelho de Abrantes regista uma área ardida de 1505,446 hectares, grande parte fruto do incêndio que teve inicio dia 23 de agosto, na freguesia das Fontes, abrangendo ainda as freguesias do Carvalhal, Abrantes, Aldeia do Mato e Souto e também o concelho do Sardoal.
Até ao dia 23 de agosto a área ardida no concelho de Abrantes era de 68,446 hectares e com este grande incêndio arderam 1437 hectares.
O deflagrou às 13.52 horas do dia 23 de agosto na freguesia das Fontes. A primeira intervenção foi feita três minutos após ter sido dado o alerta, mas sem sucesso. As chamas propagaram-se rapidamente e houve a necessidade imediata de meios aéreos e terrestres. A extinção do incêndio deu-se 22 horas depois, mas todo o trabalho de rescaldo e consolidação só foi concluído à 01.00 hora do dia 26.
Nesta ocorrência estiveram envolvidos 959 operacionais, 327 veículos, 14 máquinas de rasto e 13 meios aéreos conseguiram em 57 horas passar por todas as fases de resolução, desde o alerta inicial até à conclusão das operações.
As chamas, que chegaram a atingir 30 e 40 metros de altura, afetaram as freguesias de Aldeia do Mato e Souto, Carvalhal, Fontes, Abrantes e Alferrarede.
Algumas famílias foram evacuadas como medida de prevenção na localidade de Sentieiras, tendo sido realojadas pelos serviços sociais do Município de Abrantes em articulação com a Segurança Social de Santarém.
No Teatro de Operações estiveram presentes 108 entidades, das quais 89 eram corpos de Bombeiros.
PANORAMA NACIONAL
A nível nacional, o mês de Agosto foi o que registou até agora o número mais elevado de incêndios, desde o início do ano, tendo sido registados até ao dia 15, pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, 3712 incêndios, e o norte do país continua a ser a zona mais fustigada.
A base de dados nacional de incêndios florestais regista, no período compreendido entre 1 de janeiro e 15 de gosto de 2016, um total de 8.624 ocorrências (1.520 incêndios florestais e 7.104 fogachos) que resultaram em 103.137 hectares de área ardida, entre povoamentos 38.013ha) e matos (65.124ha).
Comparando os valores do ano de 2016 com o histórico dos últimos 10 anos destaca-se que se registaram menos 22% de ocorrências relativamente à média verificada no decénio 2006-2015 e que ardeu três vezes mais área do que a respetiva média nesse período (Quadro 1). O ano de 2016 apresenta, desde 2006 (até ao dia 15 de agosto), o quarto valor mais baixo em número de ocorrências e o valor mais elevado de área ardida.
Até 15 de agosto de 2016 há registo de 234 reacendimentos, menos 597 do que a média do período 2006-2015.
ANÁLISE DISTRITAL
Da análise por distrito destaca-se com maior número de ocorrências, e por ordem decrescente, o distrito do Porto (2.783), Braga (903) e Aveiro (865). Em qualquer um dos casos as ocorrências são maioritariamente fogachos, ou seja, ocorrências de reduzida dimensão que não ultrapassam 1 hectare de área ardida. No caso especifico do distrito do Porto a percentagem de fogachos é de 85%.
O distrito mais afetado, no que concerne à área ardida, foi Aveiro com 41.569 hectares, cerca de 40% da área total ardida até à data, seguido de Viana do Castelo, com 23.197 hectares (23% do total). Mais de 60% da área ardida no distrito de Aveiro corresponde a uma única ocorrência que teve início na freguesia de Janarde, concelho de Arouca, e que consumiu 25.116ha de espaços florestais.
ANÁLISE MENSAL
Face às condições meteorológicas adversas, favoráveis à propagação de incêndios florestais, que se fizeram sentir durante esse mês a Autoridade Nacional de Proteção Civil decretou 22 dias em Estado de Alerta Especial (EAE) de nível amarelo ou laranja do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF), mais concretamente em julho: 14-18 e 23-29; e em agosto: 06-15.
Os números de ocorrências registadas no mês de julho e na primeira quinzena de agosto de 2016 superaram os respetivos valores médios do decénio 2006 – 2015, com mais 204 ocorrências no mês de julho e mais 1.296 nas duas semanas de agosto do que as referidas médias (Quadro 3). A área ardida entre 1 e 15 de agosto contabiliza 95.357 hectares de espaços florestais, quase 93% da área total ardida em Portugal Continental até essa data.
OS GRANDES INCÊNDIOS
Consideram-se grandes incêndios sempre que a área total afetada seja igual ou superior a 100 hectares. Até 15 de agosto de 2016 registaram-se 86 incêndios enquadrados nesta categoria que queimaram 92.966 hectares de espaços florestais, cerca de 90% do total da área ardida até 15 de agosto.

Gisela Oliveira