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Incêndios: Médio Tejo antecipa verão «problemático» após tempestade e combustíveis florestais

5/05/2026 às 20:52

O comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato, alertou hoje para a necessidade de reforçar a prevenção face ao risco de incêndios rurais na região, apontando um cenário potencialmente “problemático” para o verão.

“Efetivamente, percorremos e reunimos nos 11 municípios do Médio Tejo (…) para prepararmos o ano de 2026 e trabalharmos as causas dos incêndios”, disse hoje à Lusa o responsável, acrescentando que o trabalho envolveu entidades como GNR, ICNF, PSP e Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), a par da Polícia Judiciária (PJ), que esteve presente em algumas das reuniões.

Segundo David Lobato, o objetivo foi também sensibilizar municípios e agentes locais para a preparação do período crítico de incêndios, que decorre habitualmente entre 15 de maio e 15 de outubro, período no qual estará ativado o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR).

“Sabemos que no verão temos sempre esses problemas e aquilo que temos de fazer é sensibilizar os municípios na preparação, na questão do combustível e nas causas negligentes e intencionais”, explicou.

O comandante sublinhou que a região, que agrega 11 municípios do distrito de Santarém, apresenta uma elevada carga florestal, o que agrava o risco operacional.

“Será sempre um ano complicado por aquilo que choveu e pelos combustíveis que cresceram e vão proliferando por vários sítios”, disse.

A preocupação é reforçada pelos efeitos da recente tempestade Kristin, que provocou queda de árvores e consequente aumento de combustível florestal em vários concelhos.

“Há zonas mais complicadas devido aos efeitos da tempestade, com muitas árvores derrubadas pela ação do vento”, referiu, apontando os municípios de Abrantes, Mação, Sardoal, Ferreira do Zêzere e Ourém como de maior risco.

Apesar disso, David Lobato destacou o trabalho em curso de limpeza e desobstrução de caminhos rurais.

“Tem sido um trabalho bastante produtivo (…), esperamos que até junho ou julho consigamos limpar quase 99% dos caminhos”, afirmou.

O responsável pela proteção civil regional alertou ainda para o impacto das causas humanas nos incêndios, sublinhando que estas continuam a representar uma parte significativa das ignições.

“As causas intencionais representam uma grande fatia dos incêndios no Médio Tejo”, disse.

De acordo com dados do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), em 2025 registaram-se 223 ignições no Médio Tejo, das quais 101 de origem negligente e 98 intencionais.

“Quanto às causas negligentes, nós podemos trabalhá-las com sensibilização”, afirmou David Lobato, defendendo campanhas junto da população sobre queimadas e queimas agrícolas.

Já no que respeita às causas intencionais, o comandante destacou o trabalho das forças de segurança.

“Esse é um problema em que a GNR, a PSP e a PJ têm feito um trabalho extraordinário”, afirmou, sublinhando, no entanto, a dificuldade de vigilância permanente no terreno.

“Não é fácil ter um elemento atrás de cada árvore ou em cada estrada”, acrescentou.

O responsável deixou ainda um apelo à participação da população na deteção de comportamentos suspeitos.

“Cabe a todos nós sermos vigilantes e comunicarmos situações menos claras”, disse.

Lobato adiantou que, desde o início do ano, já foram registadas 56 ignições na região, número que considerou preocupante, apontando a necessidade de continuar a atuar sobretudo ao nível das causas negligentes.

Sobre o dispositivo de combate a incêndios, o responsável confirmou que o plano está concluído e será apresentado a 14 de maio, no Sardoal.

“As equipas estão prontas, os equipamentos estão prontos”, afirmou, sublinhando a articulação entre municípios, bombeiros, ICNF e forças de segurança.

O comandante mostrou-se confiante numa resposta eficaz, embora tenha apelado à prudência.

“Esperamos que possamos ter um ano extremamente calmo e que consigamos manter um número reduzido de ignições”, concluiu.

Lusa

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