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Município Abrantes
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Abrantes: Trabalhadores da Misericórdia protestam contra pagamento faseado de salários (c/áudio)

5/05/2026 às 21:22

Foram cerca de duas dezenas de trabalhadoras da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes que se concentraram na tarde desta terça-feira à porta principal do lar de idosos, na cidade de Abrantes. Uma concentração quase espontânea, depois do desafio lançado pelo Sindicato da Função Pública, com o objetivo de lançar um grito de alerta para denunciar o pagamento faseado de salários. Trata-se de uma situação que começou a acontecer somente desde janeiro deste ano. As funcionárias e os dirigentes sindicais, presentes no local, aprovaram uma moção que será enviada à União das Misericórdias, ao Ministério do Trabalho e à Segurança Social. A dirigente sindical e as trabalhadoras administram mesmo avançar para uma greve se a situação não for regularizada.

Esta concentração foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas.

Teresa Faria, responsável pelo setor social do Sindicato, indicou que no final de abril foi pago “cerca de 55% do salário”, sendo o restante liquidado “uma semana ou duas depois”, situação que, disse, “tem vindo a agravar-se”, depois de inicialmente terem sido pagos cerca de 80% dos vencimentos.

Em declarações aos jornalistas destacou que esta concentração é “um grito de alerta dos trabalhadores.”

A dirigente sindical, secundada por muitas trabalhadoras da instituição, frisou que há algumas funcionárias “que ganham o salário mínimo e têm rendas para pagar no início do mês. Isto pode prejudicar bastante as famílias”, alertou.

 

Teresa Faria, sindicalista 

Durante a concentração, Teresa Faria acusou a instituição de justificar os atrasos com falta de verbas, defendendo que “não pode ser fazer obras e depois os trabalhadores ficarem sem o ordenado”.

A dirigente sindical apontou ainda falhas na fiscalização, considerando que a Segurança Social “tem aqui um papel fundamental” para averiguar o funcionamento destas instituições.

“Se o ordenado não for pago por inteiro no fim do mês, uma greve vai ser marcada”, avisou, tendo alertado ainda para o atraso no pagamento de retroativos salariais desde janeiro.

 

Teresa Faria, sindicalista  

Teresa Faria confirmou ainda a existência de outras situações no distrito que continuam a preocupar o sindicato. Ou seja, não estão esquecidas, mas também não estão resolvidas, como o caso do Centro Social do Pego.

 

Teresa Faria, sindicalista 

João Pombo, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, explicou que à hora desta concentração/protesto estava numa reunião com um dos setores da instituição a explicar o momento difícil da Santa Casa. Aos jornalistas reconheceu dificuldades financeiras, mas garantiu que a situação é temporária e está a ser resolvida.

“Não escondemos que estamos a atravessar uma fase complicada”, afirmou, apontando o aumento dos salários mínimos e a atualização das tabelas remuneratórias como fatores que agravaram os encargos.

O responsável apontou também o aumento dos custos operacionais como fator de pressão, referindo, o exemplo, da fatura mensal de gás subiu de cerca de 4.000 euros para mais de 5.300 euros, a par da subida dos combustíveis e de outras despesas correntes. Segundo João Pombo, a fatura de gás deveria diminuir porque acabaram os aquecimentos acabou a subir, e muito por causa da crise internacional.

Segundo o responsável, a instituição optou por pagar os salários de forma faseada, mas assegura que os montantes em falta são regularizados “ao fim de quatro a seis dias”.

Para fazer face à solução, no imediato, mas para garantir estabilidade nos próximos meses o provedor indicou que aguarda ainda a atualização das comparticipações da Segurança Social e está a recorrer a um empréstimo bancário e à venda de património para reforçar a tesouraria. Ou seja, a instituição atualizou os seus encargos com o pessoal, mas o Estado, a Segurança Social neste caso, ainda não acompanhou essas transferências. Quer isto dizer que o diferencial tem de ser suportado pela Santa Casa.  

Segundo o provedor, o maior encargo da instituição continua a ser a massa salarial, que ascende a cerca de 2,7 milhões de euros anuais, num universo de 135 trabalhadores, tendo o orçamento previsto para 2026 aumentado face a anos anteriores devido à atualização de salários.

A situação imediata deverá ser resolvida pelo empréstimo bancário que está concluído e cujo montante deverá ser disponibilizado brevemente.

 

João Pombo, provedor Misericórida 

O provedor admitiu, contudo, que a comunicação inicial com os trabalhadores “pode não ter sido a melhor”, garantindo que têm sido realizadas reuniões para explicar a situação.

Por outro lado, as residências, último investimento patrimonial, depois de vários entraves estão prontas e podem entrar “ao serviço” brevemente. É um fator que vem também aliviar a pressão de despesa da instituição.

 João Pombo, provedor Misericórida 

A Santa Casa da Misericórdia de Abrantes conta com cerca de 135 trabalhadores e várias valências sociais, incluindo lar com 90 residentes, centro de dia, apoio domiciliário e creche.

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