A Infraestruturas de Portugal (IP) anunciou a reabertura do troço, permitindo à CP – Comboios de Portugal retomar os serviços ferroviários de passageiros e aos operadores de mercadorias voltar a utilizar esta ligação.
Com a reabertura entre Mouriscas-A, no concelho de Abrantes, e Ródão, serão repostos os serviços Regionais e Intercidades em toda a extensão da Linha da Beira Baixa.
A recuperação deste troço assume também importância para o transporte de mercadorias, uma vez que reforça a capacidade da rede ferroviária nacional e volta a garantir uma alternativa à Linha da Beira Alta nas ligações ferroviárias internacionais.
A circulação ferroviária foi interrompida na sequência dos danos provocados pelos fenómenos meteorológicos extremos associados à tempestade Kristin.
Segundo a Infraestruturas de Portugal, dois deslizamentos de terras, entre os quilómetros 39,150 e 39,270, provocaram instabilidade na plataforma ferroviária e obrigaram à suspensão da circulação.
Os trabalhos de recuperação decorreram em condições consideradas particularmente exigentes, devido às dificuldades de acesso ao local, à instabilidade da plataforma, ao espaço reduzido para movimentação de equipamentos e ao transporte de materiais. As elevadas temperaturas registadas durante a execução da empreitada também condicionaram os trabalhos.
A intervenção incluiu a estabilização dos taludes, com a aplicação de cerca de 5.500 metros cúbicos de enrocamento, e a construção de duas estruturas em betão armado, assentes em microestacas, destinadas a reforçar a plataforma ferroviária.
Foi igualmente construída uma viga de coroamento intermédia entre as duas estruturas e reabilitado e melhorado o sistema de drenagem, incluindo as passagens hidráulicas.
A obra contemplou ainda a reposição integral da via-férrea, das telecomunicações, dos sistemas de terras e das restantes infraestruturas ferroviárias afetadas.
A IP sublinha que a intervenção não se limitou à reposição das condições existentes antes das intempéries. Os trabalhos permitiram introduzir melhorias destinadas a aumentar a segurança e a resiliência da infraestrutura.
Entre as medidas realizadas estão o reforço estrutural da plataforma através de fundações profundas, a melhoria da drenagem superficial e das passagens hidráulicas e a instalação de instrumentação geotécnica para acompanhar a evolução da plataforma ferroviária e das novas estruturas.

Paulo Carmona, presidente da Infraestruturas de Portugal, considera que a reabertura representa “muito mais do que a conclusão de uma obra”, significando o regresso de “uma ligação ferroviária essencial para as populações, depois da interrupção provocada pelas intempéries”.
O responsável destaca que a prioridade foi recuperar a infraestrutura em segurança e no menor período possível, salientando que a intervenção permitiu não apenas repor a circulação, mas também reforçar as condições de segurança e resiliência da linha.
“Sabemos o impacto que uma interrupção desta natureza tem no dia a dia de quem vive, trabalha e se desloca nesta região”, afirma Paulo Carmona.
Também o presidente da CP, Pedro Moreira, destaca a importância da reposição da circulação para “a mobilidade das populações e para a ligação entre territórios”.
“Esta reabertura significa o regresso de um serviço que faz parte do quotidiano de muitas pessoas”, refere, acrescentando que a CP retomará a oferta comercial na Linha da Beira Baixa.
A partir de 20 de setembro fica, assim, novamente assegurada a circulação ferroviária em toda a Linha da Beira Baixa, terminando a interrupção entre Mouriscas-A e Ródão provocada pelos danos das intempéries.