O turismo no Centro de Portugal continua a crescer em receitas, apesar de uma ligeira redução no número de dormidas acumuladas desde o início do ano. Entre janeiro e setembro de 2026, os estabelecimentos de alojamento turístico da região registaram proveitos de 438,2 milhões de euros, mais 2,34% do que no mesmo período do ano passado. Só em setembro, as receitas aumentaram 5,8%, atingindo os 61,1 milhões de euros.
Os dados, divulgados esta quinta-feira, 5 de novembro, pela Turismo Centro de Portugal, revelam que a atividade turística está a gerar mais valor económico na região, mesmo com um crescimento mais moderado da procura.
Em setembro, o Centro de Portugal registou 870.633 dormidas, um aumento de apenas 0,8% face ao mesmo mês de 2025. Já o rendimento por quarto disponível, conhecido como RevPAR, cresceu 4,5%, confirmando a valorização da atividade turística.
Para o presidente da Turismo Centro de Portugal, Rui Ventura, os resultados demonstram que o setor está a conseguir aumentar a riqueza gerada nos territórios.

O responsável sublinha que o objetivo não passa apenas por aumentar o número de visitantes ou de dormidas, mas também por garantir que o turismo deixa mais receitas nas empresas e nas comunidades locais.
O mercado nacional continua a ser o principal motor da atividade turística na região. Em setembro, os residentes em Portugal foram responsáveis por cerca de 497 mil dormidas, mais 6,9% do que no mesmo mês do ano anterior.
Nos primeiros nove meses de 2026, o turismo interno ultrapassou os quatro milhões de dormidas, representando 61,6% da procura total.
Entre os mercados estrangeiros, Espanha mantém-se como o principal país de origem dos visitantes internacionais. Os turistas espanhóis geraram 83,6 mil dormidas em setembro, um crescimento de 2,9%. Desde o início do ano, o mercado espanhol contabilizou cerca de 652 mil dormidas, mais 1% do que em 2025.
Apesar dos resultados positivos de setembro, o balanço acumulado do ano continua a revelar uma ligeira quebra na procura turística.

Entre janeiro e setembro, o Centro de Portugal registou 6,518 milhões de dormidas, menos 1,95% do que no período homólogo. Uma redução que a entidade regional atribui às dificuldades sentidas nos primeiros meses do ano, entretanto atenuadas pela recuperação progressiva da atividade.
Ainda assim, os proveitos do alojamento turístico aumentaram cerca de 10 milhões de euros, passando dos 428,2 milhões registados nos primeiros nove meses de 2025 para 438,2 milhões este ano.
Outro indicador positivo está relacionado com os pagamentos efetuados com cartões estrangeiros. Entre janeiro e setembro, estes movimentos atingiram 688,9 milhões de euros na região, um crescimento de 6%.
O comércio concentrou a maior fatia, com 361,8 milhões de euros, seguindo-se a restauração, com 149,3 milhões, e o alojamento, com 102 milhões. Estes valores não correspondem exclusivamente a despesas de turistas, mas são considerados um indicador relevante do consumo internacional na economia regional.
Rui Ventura defende que estes resultados confirmam a importância de continuar a apostar na diversificação da oferta turística, na valorização dos produtos locais e na promoção de estadias mais prolongadas.
A Turismo Centro de Portugal pretende consolidar a recuperação da atividade e reforçar o contributo do setor para o desenvolvimento económico dos territórios, procurando que o crescimento das receitas beneficie não apenas as unidades de alojamento, mas também a restauração, o comércio e as comunidades locais.