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MARE: Portugal identifica 231 espécies marinhas não indígenas nas suas águas

29/08/2026 às 12:11
© Paula Chainho_Caranguejo-chinês (Eriocheir sinensis)

Portugal tem atualmente 231 espécies marinhas não indígenas confirmadas no continente, nos Açores e na Madeira. O número consta da atualização mais completa do inventário nacional realizada desde 2015, que identificou também cinco espécies nunca antes registadas no país.

O estudo foi publicado na revista científica Marine Pollution Bulletin e reúne o trabalho de 31 investigadores de 11 universidades portuguesas, três entidades públicas nacionais e vários institutos de investigação. A investigação foi liderada pelo MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente e pela ARNET – Rede de Investigação Aquática.

Das 231 espécies confirmadas, 159 foram identificadas em Portugal continental, 81 nos Açores e 62 na Madeira. Algumas espécies estão presentes em mais do que uma região, pelo que os valores regionais não devem ser somados.

As cinco novas espécies foram encontradas na costa sudoeste do continente, junto ao Porto de Sines, através de um programa de monitorização ambiental que acompanha aquela área desde 1997.

O estudo revela diferenças na origem geográfica das espécies. No continente, 39% são provenientes do Pacífico Norte temperado e 24% do Atlântico Norte.

Na Madeira, 27% têm origem no Atlântico Norte e 24% no Atlântico Tropical. Nos Açores, 37% são provenientes do Atlântico Norte e 19% do Pacífico Norte.

O transporte marítimo, através da água de lastro e dos organismos que ficam agarrados aos cascos dos navios, é apontado como a principal via de introdução em todo o país. A aquacultura assume também um peso relevante no continente.

O Porto de Sines é identificado como um ponto estratégico de entrada devido à sua localização no cruzamento de rotas marítimas entre a Ásia, o Mediterrâneo, os Estados Unidos e África.

ADN permite detetar espécies antes de serem observadas

Além do inventário baseado na observação e identificação dos organismos, os investigadores criaram uma lista de vigilância com 22 espécies detetadas exclusivamente através de métodos moleculares, como a análise de ADN ambiental.

Estas espécies ainda não têm confirmação física da sua presença nas águas portuguesas, mas os sinais genéticos funcionam como um sistema de alerta precoce, permitindo identificar potenciais invasores antes de serem observados a olho nu.

Os investigadores alertam, contudo, para a necessidade de reforçar as bases de dados genéticas nacionais. Embora 71% das espécies catalogadas estejam representadas em bases internacionais, apenas 12,5% possuem sequências obtidas a partir de exemplares recolhidos em águas portuguesas.

“As invasões marinhas são um fenómeno dinâmico e transfronteiriço, e compreendê-las exige uma ciência capaz de trabalhar à mesma escala”, afirma Romeu Ribeiro, investigador do MARE na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e primeiro autor do estudo.

O investigador salienta que o trabalho permitiu ir além da atualização do número de espécies, identificando padrões de introdução, falhas no conhecimento genético e prioridades para a monitorização futura.

A investigação foi coordenada por Paula Chainho, do MARE-ULisboa, e contou com a participação da Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera e do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

O trabalho recebeu financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência, através da Agenda NEXUS, e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

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