No dia 26 de fevereiro, a reunião de Câmara de Mação foi descentralizada. O Executivo reuniu na Casa do Cidadão em Cardigos, em semana de presidência aberta, e nas intervenções por parte do público, apresentou-se o Movimento Cívico SOS Aviário em Mação.
Cerca de 10 populares estiveram na reunião e manifestaram as suas preocupações no que diz respeito à possível construção de um aviário de grandes dimensões na zona da Mantela, junto à vila.
Quiseram saber dos efeitos expectáveis a nível ambiental e também dos riscos que poderá trazer à saúde pública.
Foi Cláudia Santos, a porta-voz, que apresentou o Movimento e deu conta de que são já 35 pessoas que o compõem. Disse que estão “no fundo, a organizar-se”, caso avance o que dizem ser “o processo em curso” por parte da empresa Uniovo, que afirmam “ter intenções de fazer um aviário de grandes dimensões na Mantela”. Pedem que o processo “seja corretamente escrutinado, sujeito aos procedimentos legais, eventualmente colocado numa gaveta e esquecido para sempre”.
O Movimento Cívico SOS Aviário em Mação considera que “este é um projeto extremamente prejudicial para o nosso concelho a vários níveis, ambiental, de saúde, social, saúde pública, e depois absolutamente desenquadrado com o que é a identidade e com o que é, no entender da população, o que nos caracteriza. É que é exatamente o oposto de uma indústria deste género”.
Cláudia Santos disse que já tiveram “acesso não só às obras já decorridas no local, como também à intenção de continuidade destas obras que vão sendo feitas”. Afirmou que já há “arrumamentos, uma alteração ao estradão, uma série de pequenas edificações, já está um silo, já está lá um murete e, entretanto, surge um PT de grandes dimensões, estamos a falar de uma coisa do tamanho de um campo de futebol que não está explícito se será para fornecimento elétrico da própria indústria ou para que é que servirá”. Questionou se “o Município já foi contactado neste sentido, se há informação desta continuidade da obra e se essa continuidade da obra vai também ao encontro do que já lá foi feito”. Afirmou que “o município já tem o projeto na totalidade, portanto, embora ainda só sejam arruamentos, muros, essas coisas todas, o município está a sabedor que aquelas coisas são para um contexto de um mega aviário”.
O número de postos de trabalho que o eventual aviário irá criar foi outra das questões levantadas, bem como o tratamento a dar aos dejetos e o pagamento de impostos ao Município, “visto que a Uniovo não está sediada no concelho”.
Cláudia Santos comunicou também que o Movimento Cívico “está orientado no sentido de defender os direitos, a qualidade de vida do concelho” e que “está a decorrer uma petição online que vai ser entregue na Assembleia da República” onde “foi feito um pedido, uma denúncia, à Agência Portuguesa do Ambiente”. A petição, também disponível em papel “está neste momento a decorrer procedimento para estudo de impacto ambiental relativo a este processo”.

O presidente da Câmara de Mação, José Fernando Martins, esclareceu que a Câmara “não tem nenhum projeto ainda em sua posse, ou seja, os projetos para licenciamento ainda não entraram na Câmara. O que entrou foi apenas um pedido de informação prévia, ao qual a Câmara, no seu arquiteto, fez o parecer do pedido. (…) Portanto, aquilo que é a conclusão do arquiteto é que o projeto é viável, mas que tem muitas condicionantes, nomeadamente da Comissão dos Fogos Rurais, da APA, da CCDR… foi essa a informação que foi dada no pedido de informação prévia. O autarca voltou a referir que, se chegar a existir algum projeto em concreto, este será alvo de uma apresentação pública e terá que passar por todas as entidades competentes pois, “aquilo que nós queremos, é que este processo seja o mais transparente possível”.
José Fernando Martins acrescentou ainda que “desta empresa, o que entrou e foi também a reunião de Câmara, foi outro pedido de informação prévia sobre a possível instalação, na zona industrial, para uma unidade de certificação de ovos, portanto, um complemento”.

Possível construção de um aviário de grandes dimensões na zona da Mantela, junto à vila de Mação, está a deixar a população preocupada e com muitas questões que querem ver respondidas. Câmara ainda só recebeu pedido de informação prévia.