A Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo (CUSMT) defendeu hoje a recondução do conselho de administração da Unidade Local de Saúde, criticando a demora do Governo numa decisão que afirma estar a "condicionar" a gestão da instituição.
“O simples facto de haver uma notícia de que poderão ser substituídos, de certa maneira, condiciona a atuação. Sabemos que, enquanto estiverem, vão atuar como se não tivessem essa informação, mas o que é verdade é que algumas situações poderão ser prejudiciais até para a valorização da ULS e a tomada de decisões, porque preparar o futuro é 2027, 2028”, afirmou à Lusa o porta-voz da CUSMT, Manuel José Soares.
O mandato do atual conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo, liderado por Casimiro Ramos, terminou formalmente a 31 de dezembro de 2025.
Aquela ULS tem sede em Torres Novas, no distrito de Santarém, e gere três unidades hospitalares e 35 unidades de cuidados de saúde primários, dando resposta direta a cerca de 170 mil utentes.
A ULS Médio Tejo integra um grupo de sete ULS e um instituto de oncologia que aguardam, desde o início do ano, uma decisão da Direção Executiva do SNS (DE-SNS) e do Ministério da Saúde sobre a continuidade ou substituição das respetivas equipas de gestão.
Em comunicado, a Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo defende que a atual administração deve ver o seu mandato renovado por mais três anos.
Para o porta-voz da CUSMT, Manuel José Soares, a incerteza quanto à liderança pode levar a que investimentos programados sejam encarados como "trabalhar para o boneco", caso uma futura administração venha a alterar as opções estratégicas tomadas para o triénio 2026-2028.
"O esforço que tem sido desenvolvido no Médio Tejo merece ter continuidade", sustenta a comissão, destacando os "resultados práticos na valorização das estruturas" e o empenho da equipa de gestão tanto na fase de instalação da ULS como nos primeiros dois anos de atividade.
Questionada pela Lusa, a Direção Executiva do SNS confirmou que o mandato da administração do Médio Tejo cessou em 31 de dezembro de 2025, mas assegurou que a equipa se mantém "plenamente habilitada a assegurar a gestão da entidade".
Segundo a DE-SNS, o conselho de administração pode praticar "todos os atos necessários ao seu regular funcionamento", ao abrigo do Estatuto do SNS, não se verificando qualquer limitação de competências até que haja uma decisão sobre a sua recondução ou substituição.
Contactado pela Lusa, o presidente do conselho de administração da ULS Médio Tejo, Casimiro Ramos, escusou-se a comentar as críticas dos utentes ou a demora na decisão ministerial, confirmando apenas que permanece em plenas funções.
De acordo com informação avançada esta semana pelo jornal Público, além da ULS Médio Tejo, aguardam decisão as administrações das ULS de São João, Santo António, Nordeste, Baixo Alentejo, Litoral Alentejano e Algarve, bem como o Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto.
O mesmo jornal refere que, até ao final de 2026, deverão terminar os mandatos de outras 16 ULS e de um instituto de oncologia, num cenário de transição que a DE-SNS assegura estar a ser acautelado para garantir a normalidade das instituições.
A ULS Médio Tejo gere três hospitais - Abrantes, Tomar e Torres Novas - e 35 unidades de cuidados de saúde primários, dando resposta direta a cerca de 170 mil utentes nos concelhos de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Sardoal, Tomar, Torres Novas, Vila Nova da Barquinha e Vila de Rei, nos distritos de Santarém e Castelo Branco.
Lusa