O Município de Tomar, o Exército Português e o Instituto Politécnico de Tomar (IPT) formalizaram esta segunda-feira, 27 de julho, um protocolo de colaboração destinado à preservação, estudo, valorização e divulgação do património documental e fotográfico do antigo Regimento de Infantaria n.º 15 (RI15), uma unidade considerada uma das mais emblemáticas da história militar portuguesa.
A cerimónia decorreu no Auditório Dra. Maria do Rosário Mendes Godinho Passos Baeta Neves, no campus do Instituto Politécnico de Tomar, reunindo representantes das três instituições, num compromisso que alia investigação científica, conservação patrimonial e divulgação cultural.
O protocolo estabelece um quadro de colaboração institucional, científica e técnica que permitirá tratar, estudar, digitalizar e disponibilizar ao público um espólio de elevado valor histórico, cultural e científico, contribuindo simultaneamente para reforçar a memória coletiva e a valorização do património militar português.
Parte das atividades previstas será desenvolvida através do Centro de Estudos em Fotografia de Tomar (CEFT), estrutura de parceria entre o Município e o Instituto Politécnico de Tomar, reforçando a componente científica e tecnológica do projeto.
Na intervenção que proferiu durante a cerimónia, o Chefe do Estado-Maior do Exército, general Eduardo Mendes Ferrão, sublinhou que o protocolo vai muito além da assinatura de um acordo institucional.
"O ato que hoje nos junta representa não apenas a formalização de uma parceria institucional, mas sobretudo a convergência de vontades em torno de um objetivo comum: preservar, estudar, valorizar e divulgar um património que pertence ao Exército, mas que, na sua essência, é património de Portugal e dos portugueses", afirmou.
O general recordou que, para além da missão de defesa militar da República, o Exército assume igualmente responsabilidades na preservação da história e da cultura militar.
"Somos depositários de um extraordinário património material e imaterial, construído ao longo de séculos, que importa proteger, interpretar e transmitir às gerações futuras", afirmou.

Na sua intervenção, destacou ainda que "a história do Exército confunde-se, em larga medida, com a própria História de Portugal", lembrando o papel desempenhado pelos militares portugueses desde a fundação da nacionalidade, passando pela expansão marítima, pelas campanhas liberais, pelas duas guerras mundiais, pela Guerra do Ultramar e pelas atuais missões internacionais de apoio à paz.
Para Mendes Ferrão, preservar esta herança é uma responsabilidade que o Exército não pode assumir sozinho.
"O Exército reconhece que esta missão não pode ser desenvolvida isoladamente. As autarquias locais, as instituições académicas e científicas e, muitas vezes, as iniciativas privadas e coletivas, constituem-se como verdadeiros motores para a concretização deste desígnio", referiu.
Foi precisamente esse espírito de cooperação que levou à celebração do protocolo agora assinado, considerado pelo general um exemplo da capacidade de reunir competências, recursos e conhecimento em torno da valorização do património histórico.
A memória do histórico RI15
No discurso, o Chefe do Estado-Maior do Exército recordou o percurso do Regimento de Infantaria n.º 15, cuja história atravessa alguns dos momentos mais marcantes do país.
Entre outros episódios, destacou a participação da unidade na consolidação do regime liberal, na Revolução Republicana de 1910, na Primeira Guerra Mundial, em África, França e Flandres, bem como a mobilização de milhares de militares para Angola, Moçambique e Guiné durante a Guerra do Ultramar.
Mais recentemente, o RI15 participou também em diversas missões internacionais, nomeadamente na Bósnia-Herzegovina, Timor-Leste, Kosovo, Afeganistão, Iraque, República Centro-Africana, Guiné-Bissau e Moçambique.
Segundo Mendes Ferrão, toda esta trajetória encontra-se refletida num património documental e fotográfico de enorme valor, cuja preservação permitirá aprofundar o conhecimento da história militar portuguesa e colocá-lo ao serviço da sociedade.
"O protocolo que hoje assinamos aponta precisamente nesse sentido, criando as condições para que este espólio seja tratado com rigor científico, digitalizado, divulgado e integrado num projeto de valorização cultural e turística de grande alcance", salientou.
No final da intervenção, o Chefe do Estado-Maior do Exército agradeceu ao Município de Tomar e ao Instituto Politécnico a disponibilidade e visão estratégica demonstradas, bem como ao Regimento de Infantaria n.º 15 e à Direção de História e Cultura Militar pelo trabalho desenvolvido para concretizar a iniciativa.
Mendes Ferrão manifestou ainda a convicção de que esta parceria "constituirá um exemplo de sucesso" e deixará um contributo duradouro para a preservação da memória histórica nacional, para o desenvolvimento cultural da região e para a afirmação de Tomar como uma referência na valorização do património histórico-militar português.
A assinatura deste protocolo representa, assim, mais um passo na salvaguarda de um espólio que documenta mais de um século de história do Exército Português, permitindo que esse legado seja preservado, estudado e colocado ao alcance das futuras gerações.