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Reportagem: Médio Tejo mostrou oferta turística na BTL e lançou novo «terroir» de vinhos (c/áudio e fotos)

28/02/2026 às 19:03

A BTL ou Bolsa de Turismo de Lisboa, ou ainda o nome oficial Better Tourism Lisbon Travel Market junta todos os anos, em cinco dias, o melhor do país e arredores e depois do mundo no setor do turismo. 2026 não fugiu à regra e até tem uma feira maior, já que a organização acrescentou um quinto pavilhão para fazer crescer as presenças internacionais.
E nisto do turismo, encontramos as entidades regionais de turismo do país, continente e regiões autónomas. Depois municípios ou comunidades intermunicipais que querem mostrar mais as ofertas disponíveis e têm espaços próprios.

A hotelaria, desde os grandes grupos a ofertas diferenciadoras também estão presentes, assim como as agências de turismo, de todas as escalas fazem muito negócio. É que juntam as promoções e preços de feira à presença de muitos países, com o Brasil à cabeça a garantir muito espaço promocional.

E, porque no turismo, o comer e beber é no turismo nacional uma área diferenciadora, as provas fazem para deste mundo.

A BTL tem sempre os dois primeiros dias para profissionais do setor, e depois a sexta a domingo para quem quiser deliciar-se com potenciais experiências.

A Entidade Regional de Turismo do Centro, é a maior região de turismo de Portugal. Junta 100 municípios de duas mãos cheias de sub-regiões e tem uma oferta que vai da costa à fronteira, com água salgada e doce, com natureza e industria, com sol e neve, com património e religião e, naturalmente, com o comer e beber. E nestas coisas do turismo há uma marca que tem vindo a ser desenvolvida como uma das mais importantes. Uma região que não aposta no turismo de massas e que diz ter nas gentes dos seus territórios o fator diferenciador da amabilidade, da simpatia e do saber receber.

E é uma região a crescer. No dia a abertura, quarta-feira, o presidente da Turismo do Centro destacou a trajetória de crescimento da região: "O Centro de Portugal está a trilhar o rumo certo. Chegamos a esta edição da BTL com dados que nos dão a maior confiança para o futuro. 2025 foi o melhor ano turístico da nossa história, com quase 8,5 milhões de dormidas e 552 milhões de euros de proveitos dos alojamentos turísticos. Estes resultados confirmam que o turismo é um instrumento valioso de coesão territorial", sublinhou Rui Ventura.

À Antena Livre Rui Ventura explicou a aposta de 2026 na BTL: “Quisemos manter as várias sub-regiões e, se repararem, tudo o que estava a passar hoje aqui, neste momento, era do Médio Tejo. Desde o chefe embaixador do Médio Tejo, do Sabores ao Centro, desde a própria experiência imersiva que termina com o prato do chefe da região, no balcão da comunidade intermunicipal está o Médio Tejo e, também, aqui na área de autóctones, tudo aquilo que o Médio Tejo quer apresentar.”

E acrescentou ainda que a “Entidade Regional do Turismo não tem interesse nenhum em estar aqui e ter as nossas comunidades intermunicipais no outro pavilhão. O que nós queremos é ser o chapéu, trabalhar em conjunto, que é aquilo que fazemos no território todos os dias, todos em conjunto, e queremos estar presentes, queremos estar presentes juntos na próxima BTL.”

Bruno Gomes, presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere e vice-presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo destacou que a “região tem que continuar a ser uma região cada vez mais a crescer e uma região que de facto é competente. Eu valorizo muito aquilo que é a competência do Médio Tejo, dos seus autarcas, dos seus ativos, dos empresários. Estamos a fazer um trabalho, que eu considero muito competente. Agora precisamos continuar com esta tipologia de promoção, tanto aqui na BTL, como estivemos na FITUR. Temos que continuar a fazer este caminho para que sub-região se continue a afirmar naquilo que é o turismo nacional e internacional.”

 

Bruno Gomes, vice-presidente CIM Médio Tejo

O vice-presidente referiu ainda que é preciso dar conta de que "a nossa região hoje, naquilo que é o enoturismo, tem já uma importância e um espaço muito grande. Agora, é necessário consolidá-lo e é preciso dá-lo a conhecer para que as pessoas tenham um som daquilo que é a qualidade dos vinhos que se têm produzido na nossa região, e esse é o nosso objetivo. E temos aqui a mistura também com a visita às quintas, que é uma iniciativa que já começou a ser feita de não é só provar vinhos, é provar vinhos e vivenciar as próprias quintas do Médio Tejo."

A olímpica Patrícia Sampaio é embaixadora do Médio Tejo

Patrícia Sampaio saiu do anonimato para a ribalta nacional após conquistar um bronze olímpico em Paris 2024. E entre as muitas ofertas, como embaixadora do Médio Tejo, deixou imagens apelativa e sugestões. Muitas e boas. “Em Abrantes temos o Castelo e a Fortaleza de Abrantes, as praias fluviais da Aldeia do Mato e Fontes, e o Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes. Em Alcanena temos o Centro Ciência Viva do Alviela, o Museu de Aguarela Roque Gameiro e a Praia Fluvial dos Olhos d'Água.

Em Constância, o Borboletário Tropical, o Centro de Ciência Viva e o Jardim Horto de Camões e sua Casa Memória.

No Entroncamento, como já referido anteriormente, temos o Museu Nacional Ferroviário, o Parque Verde do Bonito e o Festival Vapor. Em Ferreira do Zêzere, Torre Templária de Dornes, Praia Fluvial do Lago Azul e o Festival Gastronómico Lagostim e Peixe do Rio. Em Mação, o Museu de Arte Pré-histórica e do Sagrado do Vale do Tejo, as Praias Fluviais de Cardigos, Carvoeiro e as Termas da “Ladeira de Envendos”.

Em Ourém, o Santuário de Fátima, o Castelo, o Paço dos Condes e a Praia Fluvial do Agroal. No Sardoal, a Igreja Matriz, os Moinhos de Entrevinhas e o Centro de Interpretação da Semana Santa e do Património Religioso. Em Tomar o Convento de Cristo e Castelo de Tomar, a Mata Nacional dos Sete Montes e, muito em breve, a Festa dos Tabuleiros [que também recomendo muito que toda a gente vá assistir e eu pretendo participar].

Em Torres Novas, o Castelo de Torre Novas, as Grutas, a Reserva Natural do Paúl do Boquilobo. Em Vila Nova da Barquinha, o Castelo de Almourol, o Centro de Interpretação Templário e o Parque de Escultura Contemporânea.”

Nos vinhos do Tejo há um novo ‘Terroir’, das serras

A sub-região Médio Tejo promoveu algumas iniciativas que vão decorrer no território e a Comissão Vitivinícola Regional do Tejo apresentou o novo ‘Terroir’.

Os vinhos do Tejo tinham três tipos de solos, ou ‘terroir’ em linguagem vitivinícola. Ou seja, o campo (zonas aluviares do Tejo), a charneca (a sul do distrito) e o bairro (zona norte).

Mas agora foi definido o novo ‘terroir’ também a norte, zonas de Mação, Sardoal, Ferreira do Zêzere e Vila Nova da Barquinha, em altitudes acima dos 150 ou 200 metros a que foi atribuída a designação de “serras”.

João Silvestre, Diretor-Geral da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo, explicou que a altitude média de 232 metros, ao contrário das outras regiões com altitudes muito mais pequenas, e a idade das vinhas mais antiga. O ano médio de plantação é 1978. Estamos a falar de vinhas com quase 50 anos. “Isto vai influenciar em muitas características dos vinhos desta região.”

Qual é o perfil dos vinhos das Serras? “São vinhos com uma maior elegância e mais mineralidade que os vinhos da restante região. Não estou a dizer que são melhores ou que são piores, são diferentes. São vinhos completamente diferentes.”

 

João Silvestre, Diretor-Geral da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo

É por isto que o Médio Tejo avança para a segunda edição das Quintas do Tejo, uma experiência na área dos vinhos e produtos locais. Jorge Simões apresentou as datas. O ciclo começa dias a 6 de maio e vai até 27 de junho. É a segunda edição, em colaboração com os Grupos da Ação Local e também com as duas CVRs que abrangem a região. “Estaremos no Sardoal, estaremos no Casal das Freiras em Tomar, vamos à adega Fundeira em Mação, em Ourém vamos provar o Vinho Medieval, e na Quinta do Côro, Sardoal. As inscrições estão abertas, o ano passado esgotaram rapidamente e aquilo que vos deixo aqui, um apelo, é que vejam e que venham visitar as quintas do Médio Tejo.”

 

Jorge Simões, secretário Executivo CIM Médio Tejo

Sabores da pesca, da horta e da caça

Não há turismo sem gastronomia e nesta sexta-feira o Chef Sérgio Fernandes, embaixador regional no projeto “Sabores ao Centro” apresentou uma alhada de lúcio-perca, um coelho de caça na abóbora, servido na experiência imersiva, e depois a sobremesa, com tudo aquilo que é a conventualidade com o típico doce com ovos, açúcar e amêndoa, o figo de Torres Novas e ainda as laranjas de Pafarrão (Torres Novas), com uma torta de laranja.

Sérgio Fernandes diz apostar sempre nos sabores da terra, das terras. “As pessoas não conhecem efetivamente aquilo que é tão local como aquilo que nós apresentamos, ou seja, produtos base. Lembro que no último evento trouxe uma sopa de couves com feijão e aquilo nada mais era do que água, azeite e o próprio produto bom.

Eu acho que as pessoas às vezes ficam impressionadas, como é que é possível, só com 3 ou 4 ingredientes a gente conseguir fazer as coisas, mas aquilo é a origem, é a base.”

 

Chef Sérgio Fernandes

A região Centro é resiliente e segura

O presidente Rui Ventura vincou a resiliência desta região, ou a necessidade de assim ser. “Nós não podemos negar as coisas, as evidências, aquilo que acontece, e nós sabemos que tivemos a questão dos incêndios no verão, numa parte do território, depois também iniciámos mal o ano, não da nossa responsabilidade, mas daquilo que são as alterações climáticas, que temos que olhar para elas de uma forma muito séria, porque isto já percebemos que vai acontecer ciclicamente portanto, nós temos que agora preparar o território para isto, todos em conjunto, entidades privadas, públicos, temos que encontrar aqui, não há soluções para aquilo que aconteceu, obviamente, mas há formas de minimizar os problemas.”

Do ponto de vista turístico o ano não iniciou da melhor forma por causa da tempestade Kristin. “Houve um momento importante, muito importante para o Centro na parte social que perdemos. Foi o Carnaval. E isso afetou, deixe-me dizer, não afetou particularmente aquilo que foi o fenómeno, mas numa outra vertente, que é também o Centro Portugal, todo ele foi afetado porque a notícia que era dada, e eu percebo as notícias, mas era o Centro Portugal, e dá a sensação que as pessoas não podem vir ao Centro Portugal, podem vir ao Centro Portugal, incluindo que podem ir às zonas que já foram afetadas neste momento.”

E depois apontou um grande exemplo que tem referido: “a semana passada nós estivemos num encontro, no maior encontro do workshop de Turismo Religioso em Fátima, com mais de 30 países que estiveram presentes. Eu dormi em Fátima, tranquilo. Portanto, nós conseguimos estar de forma tranquila, isto quer dizer aquilo que é a essência do Centro Portugal, que é a resiliência, a capacidade de regenerar, a capacidade de se unir e de estar em torno daquilo que é fundamental, que é retomar.”

Rui Ventura, presidente Turismo Centro

Rui Ventura diz sentir que na Páscoa ainda “não vamos estar no nosso melhor para poder corresponder.” Mas espera no verão, nós estar no pleno para poder receber as pessoas. E acrescentou que está a começar a ser feita uma promoção muito grande, uma aposta muito grande em Espanha, que é o segundo maior mercado da região. “Mas também dizer-vos que estamos a trabalhar com o turismo de Portugal e com aquilo que é a Secretaria de Estado do Turismo de algo que nós não abdicamos, não abdicamos e eu não abdico, que é uma promoção para o centro de Portugal.”

O presidente da Turismo do Centro insistiu que o Centro de Portugal tem uma diversidade enorme e tem uma particularidade, no centro de Portugal as pessoas estão seguras, as pessoas podem ir, não há turismo de massas e nós não procuramos turismo de massas, nós procuramos turismo com qualidade e que percorra todo o território, é esse o trabalho que nós estamos a fazer.”

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