Em 2019 Cristina Reis abriu um atelier para poder dar seguimento à sua formação, na área da cerâmica e do restauro. Nascia nessa altura a “RCA Restauro, Criação e Arte”.
Passados sete anos, o trabalho vincou mais nas peças de artesanato e inovação. Assim, no dia em que assinalou o aniversário, anunciou que “passámos a ser Atelier RCA. A ideia também é procurarmos um símbolo que fosse mais identitário do nosso trabalho, mais o reflexo daquilo que nós fazemos. Neste momento estamos a deixar o restauro propriamente dito para segundo plano.”
Foi desta forma que Cristina Reis apontou o caminho. Não deixando o restauro, fruto de parcerias com outros especialistas, os trabalhos em cerâmica e a inovação dos ímanes temáticos de Abrantes são a aposta.
Cristina Reis aproveitou o momento para lançar o seu novo íman, da Palha de Abrantes. “A peça é feita em duas partes, portanto tem um pré-molde da parte de baixo da Palha de Abrantes e depois a própria palha é feita uma a uma. São todas diferentes, ou seja, não há aqui formas, não é repetição.” Como trabalho de artesanato, que é, cada peça é única e tem o pormenor de ter “as pontas dos fios de ovos em preto”, porque a Palha de Abrantes vai ao forno gratinar e fica com umas pontas dos fios de ovos mais queimados.
A empresária e artesã recua a 2019. “Inicialmente, há sete anos, nós trabalhávamos paralelamente a conservação, a restauração e a produção artística, mas houve uma necessidade de apostar efetivamente na produção artística. Acho que é muito importante o facto de as pessoas reconhecerem o meu trabalho e cada vez mais me procurarem exatamente por ser um trabalho identitário, por ser diferente, porque há coisas semelhantes, mas não há nada exatamente igual àquilo que eu faço”, explica com sorriso de orgulho no rosto, pelo passo dado.
A criação de ímanes relacionados com Abrantes, o castelo, a janela florida ou a Estrada Nacional 2, são uma das componentes forte do trabalho de cerâmica, a que se juntam as andorinhas, ou marca de Cristina Reis.
“Claro que já fazia outros imanes de Abrantes, temos as casinhas floridas, temos o castelo, temos imensas diversidades, mas acho que faltava uma coisa que fosse efetivamente a nossa. É o que eu digo, aqui são as minhas raízes, é onde eu vivo, é onde está a minha alma e o meu coração, e o objetivo sempre foi este, apostar em Abrantes, e foi assim que nasceu a Palha de Abrantes.”

Quanto ao novo, “tal como a nossa Palha de Abrantes, são todas diferentes, e a ideia era replicar isto, que efetivamente é uma palha de Abrantes, mas são todas diferentes.”
A artesã vai estar presente na mostra de artesanato, nas Festas de Abrantes, e é aí, a partir de dia 9 de junho, que os novos ímanes podem ser comprados.
Cristina Reis confessou que a 1 de junho o atelier comemorou sete anos de loja física, mas na realidade são 12 anos de projeto, e é um sonho tornado realidade. “A RCA nasceu desde que eu era muito pequenina, e é impossível falar sobre este projeto sem falar do meu avô. Antigamente era um bocadinho assim, nós passávamos muito tempo em casa dos avós, e o meu avô dava-me pedacinhos de barro para as mãos, e acho que a minha paixão vem desde muito, muito cedo. Ainda hoje quando eu preciso de alguma coisa desafio o meu avô para me ajudar. E acho que estas ligações que se mantêm, acho que isto é muito importante, porque na realidade nós não somos nada sozinhos, nós crescemos em conjunto, todos juntos, e isto é muito, muito importante.”

Cristina Reis com a família (marido e filho, mãe e irmã, e depois os avós)
Cristina Reis notou que participa em feiras de artesanato de norte a sul do país e “a minha intenção sempre foi levar a Abrantes para todo o lado. E ainda este fim de semana (30 e 31 de maio) estive no Porto a fazer mercado, vendi peças para o Canadá, para a Índia. Isto é muito bom, porque é Abrantes que chega mais longe, portanto, é Abrantes que vai para o mundo, e o objetivo é esse.”
Cristina Reis, artesã e proprietária do atelier RCA
Alda Moedas, igualmente artesã, e presidente da Assembleia Geral da Associação Art’Abrantes, da qual Cristina Reis é a presidente, fez questão de deixar duas ou três notas. “Conheço a Cristina há muitos anos, desde o início do projeto dela. Isto não aconteceu por acaso, aqui dentro está o sonho, mas também está muito o trabalho, muita dedicação e acima de tudo muito coração. Às vezes também ao nível de sacrifícios familiares, eu não podia estar mais orgulhosa de ti.”
Enquanto dirigente da Art’Abrantes revelou o pensamento que “estamos sempre orgulhosos dos nossos artesãos. O sucesso dos nossos artesãos é o nosso sucesso"
Alda Moedas, artesã

Luís Dias, vereador com os pelouros do Turismo e Cultura, esteve presente no evento que juntou duas dezenas de amigos e familiares da Cristina, e agradeceu-lhe o trabalho: “Como diz aqui atrás, é uma conservadora, restauradora que cria arte e esta sua montra é também o reflexo da sua vida. E a sua vida é este gênio criativo, é esta centelha que faz brilhar, são esses olhos sempre efervescentes e isso revela-se muito em todas as emoções que colocas em tudo aquilo que fazes.”
O vereador revelou que há uns anos, no Município, “andávamos ansiosos porque tínhamos poucos artesãos com carta da Unidade Produtiva Artesanal, tínhamos poucos artesãos certificados. Depois andávamos aqui ansiosos para que se criasse uma associação. E criou-se algo ligado, se calhar vou-lhe dizer, ao turismo criativo e falando de redes e falando de horizontes partilhados, criou-se finalmente a Associação Art’Abrantes.”
Luís Dias, vereador CM Abrantes

O vereador apresentou depois as outras notas do que está a acontecer na região. Há o projeto AO.RI (das Artes e Ofícios do Ribatejo Interior), que já tem a chancela do Turismo Portugal. “Assinámos esse protocolo com o Turismo Portugal, e isto relaciona-se não só, por exemplo, com as questões do olivoturismo, ou com a própria doçaria. A Feira Nacional da Doçaria, leva também aqui a uma relação institucional com o Turismo do Centro, e somos nós, mais de 100. Mas depois nos outros 308 municípios há agora aqui duas fileiras que são reputadas ou classificadas pelo Turismo Portugal como estratégicas. Uma delas são as Artes e Ofícios do Ribatejo Interior, onde todos vocês, artistas, se incluem, e naturalmente os conservadores, restauradores e todos aqueles que de alguma forma fazem esta arte do saber fazer algo verdadeiramente impactante para o turismo. “Mas depois, por exemplo, com a questão do olivoturismo, com os '3 mil anos com os azeites', também está muito ligada à fileira, às questões de imaterialidades, mas que são altamente identitárias para o nosso território.”
Luís Dias, vereador CM Abrantes

As peças são muitas e únicas, como qualquer peça de artesanato. Entre ímanes, a nova estrela foi desvendada e pode ser adquirida nas Festas de Abrantes.
A Cristina vai continuar de bata branca no seu atelier, mas com o restauro de cerâmica a ficar de lado e com uma aposta clara no artesanato, em que ímanes identitários de Abrantes e as andorinhas vão à dianteira e começam a estar espalhados pelo mundo inteiro. Ainda no último fim de semana viajaram para o Canadá e para a Índia.